Relatório da CPMI do INSS critica STF por limitar "poderes investigatórios" da comissão
Documento produzido pelo deputado Alfredo Gaspar aponta decisões que teriam esvaziado convocações e enfraquecido atuação do Congresso


SBT News
O relatório final da CPMI do INSS, apresentado nesta sexta-feira (27), faz críticas diretas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), apontando que decisões da Corte teriam restringido os poderes investigatórios da comissão e comprometido o andamento dos trabalhos.
No documento, o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), alega que as comissões parlamentares de inquérito possuem "poderes de investigação próprios das autoridades judiciais", conforme previsto na Constituição, e que essas prerrogativas são essenciais para o exercício da função fiscalizatória do Legislativo.
Nesse contexto, o parlamentar afirma que houve "indevida compressão das prerrogativas constitucionalmente asseguradas às Comissões Parlamentares de Inquérito" durante a atuação da CPMI.
A principal crítica recai sobre decisões judiciais que dispensaram convocados de comparecer às oitivas.
O texto diz ainda que o direito à não autoincriminação "protege o indivíduo contra a autoincriminação em relação a perguntas determinadas, mas não o exonera do dever de se apresentar fisicamente perante a comissão".
"A concessão indiscriminada de habeas corpus para dispensar o convocado do dever de comparecimento, portanto, destoa da jurisprudência histórica da própria Corte e compromete a efetividade das funções investigatórias constitucionalmente atribuídas ao Parlamento", afirma Gaspar no documento.
A apresentação do relatório ocorre após o STF rejeitar a prorrogação dos trabalhos da CPMI do INSS. O presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que a votação do documento pode se estender até a madrugada desta sexta-feira (27) ou ser concluída apenas no sábado (28), último dia de funcionamento da comissão.







