Tecnologia

“Deepfakes devem agravar crimes digitais no curto prazo”, alerta especialista

Após acordo da União Europeia para banir deepfakes sexuais, especialista alerta que avanço da IA amplia riscos de golpes, assédio e chantagem

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Foto: reprodução

Na última semana, os Estados-membros e o Parlamento Europeu firmaram um acordo para banir ferramentas de Inteligência Artificial (IA) capazes de gerar imagens sexuais falsas, as chamadas deepfakes, sem o consentimento das vítimas.

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Para entender os impactos da decisão e avaliar o nível de preparo do Brasil diante dessa tecnologia, o SBT News ouviu Cristiano Vicente, especialista em inovação e segurança cibernética e diretor de inovação da Grownt.

Segundo Vicente, a decisão da UE é um marco regulatório importante. "Essa medida sinaliza que a Europa quer tratar o uso indevido de IA como uma questão de segurança, privacidade e integridade da imagem. O banimento dificulta a oferta pública de serviços de pornografia falsa, pressionando plataformas e desenvolvedores a adotarem mecanismos mais rígidos de moderação e rastreabilidade", explica.

No entanto, o especialista ressalta que a eficácia depende de cooperação internacional, já que o conteúdo pode migrar para países fora do bloco europeu, mantendo-se acessível a usuários de diversas regiões.

Sobre o fato de mulheres serem as principais vítimas, Vicente pontua que a tecnologia apenas amplia desigualdades históricas.

"O crime explora vulnerabilidades já existentes. O deepfake pornográfico é usado para silenciar, intimidar e desmoralizar a mulher. A aparência de realidade que a IA oferece potencializa o constrangimento e o dano reputacional", afirma.

O Brasil está preparado?

Para o especialista, o Brasil possui instrumentos jurídicos importantes, como a Lei nº 12.737/2012, mas ainda corre atrás do prejuízo. "O país tem bases legais, mas o desafio da IA é a escala e a velocidade. A resposta jurídica costuma ser mais lenta que a criação do dano", destaca.

Vicente aponta que a principal lacuna no Brasil é a falta de uma norma específica que defina deveres claros para as plataformas e protocolos de remoção rápida de conteúdo.

"O PL 2.338/2023, o Marco Legal da Inteligência Artificial, poderia suprir essa lacuna, mas corre o risco de perder prioridade em ano eleitoral", alerta.

Guia para a vítima: o que fazer?

Ao identificar a disseminação de uma imagem falsa, o especialista orienta:

  • Preservação: Salve links, capturas de tela (com data), perfis envolvidos e mensagens associadas.
  • Denúncia: Solicite a remoção imediata nas plataformas e registre um Boletim de Ocorrência.
  • Apoio: Busque suporte jurídico e psicológico. "Quanto mais rápida a reação, menor a propagação do material", reforça.

Identificando manipulações

Embora as ferramentas de IA estejam cada vez mais sofisticadas, Vicente aponta sinais que podem denunciar uma fraude:

  • Erros anatômicos: Mãos com dedos estranhos, olhos ou dentes com aparência artificial.
  • Inconsistências físicas: Sombras incoerentes ou detalhes de fundo que não fazem sentido.
  • Procedência: Desconfie de conteúdos sensacionalistas que circulam sem uma fonte oficial. Na dúvida, não confie apenas na observação visual: cheque a reputação de quem publicou.

Para o especialista, o avanço da IA tende a agravar o cenário nos próximos anos.

“A tendência é de agravamento no curto prazo. A IA reduz tempo, custo e barreiras técnicas para produzir conteúdos falsos cada vez mais convincentes, ampliando o alcance de golpes, assédio e chantagem, sobretudo contra mulheres, adolescentes e figuras públicas. Ao mesmo tempo, há avanços em detecção, perícia e regulação, ainda que em ritmo inferior ao da evolução das ferramentas. A corrida entre abuso e proteção, porém, está longe de terminar", conclui

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