Política

Flávio diz ao NYT que levará plano de fuga 'para o túmulo'

Em entrevista ao New York Times, senador afirmou que decidiu viajar com a família por conta própria

Avatar de SBT News
Por SBT News
Flávio Bolsonaro desembarca de um avião após chegar ao Aeroporto Executivo de Opa-locka, em Miami, Flórida 28 de outubro de 2026 | REUTERS/Eva Marie Uzcategui

Flávio Bolsonaro desembarca de um avião após chegar ao Aeroporto Executivo de Opa-locka, em Miami, Flórida 28 de outubro de 2026 | REUTERS/Eva Marie Uzcategui

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou ter recebido ajuda de governos estrangeiros para deixar o Brasil e viajar aos Estados Unidos. Em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, o parlamentar afirmou que decidiu sair do país por conta própria, em conjunto com a esposa, Fernanda Bolsonaro.

Questionado sobre como organizou a viagem, Flávio evitou dar detalhes. "Como cheguei até aqui, levarei isso para o túmulo comigo", afirmou. O senador disse que pode ter recebido torcida de pessoas no exterior, mas negou qualquer participação direta na saída.

🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Clique aqui.

Flávio deixou o Brasil após autoridades determinarem a entrega de seus passaportes. Na entrevista, ele afirmou que decidiu partir por acreditar que seria preso caso permanecesse no país. "Eu já sei que o desfecho final será a minha prisão", declarou.

O senador também criticou o Judiciário brasileiro e afirmou que as decisões contra ele e seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, têm motivação política. Jair foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022.

"Sei que isso não vai levar a nada", disse Flávio, ao comentar suas críticas. "Perdi para o sistema."

Durante a entrevista, o parlamentar também relatou uma conversa com o pai após a derrota eleitoral. Segundo Flávio, na manhã seguinte ao resultado, autoridades o abordaram quando ele saía da casa de Jair Bolsonaro e deram prazo de 24 horas para a entrega dos passaportes.

O ex-presidente, segundo o senador, chamou o filho para uma conversa reservada antes de se despedirem. "Ele olhou nos meus olhos e disse: 'Você já sabe onde eles querem chegar com isso, não é?'", contou.

Flávio afirmou que respondeu estar ciente da situação e preparado para o que viria. Segundo ele, os dois não conversaram sobre um plano para deixar o Brasil.

O senador também criticou os gastos do governo federal durante a campanha eleitoral, alegando que deram vantagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além disso, questionou a atuação de movimentos digitais favoráveis ao petista e voltou a levantar suspeitas sobre a segurança das urnas eletrônicas brasileiras.

"Tenho minhas suspeitas", afirmou, ao ser questionado sobre as alegações de fraude. "Ninguém pode afirmar com 100% de certeza que estou certo, nem com 100% de certeza que estou errado."

Após a publicação da entrevista, o jornal norte-americano também informou que um importante assessor do presidente argentino, Javier Milei, aguardava Flávio Bolsonaro na pista de um aeroporto na Argentina.

Segundo o jornal, Santiago Caputo, integrante do círculo próximo de Milei, encontrou-se com o senador no aeroporto de Puerto Iguazú, em 27 de outubro.

As declarações de Flávio foram publicadas após uma reportagem do The Wall Street Journal apontar que pessoas ligadas ao governo dos Estados Unidos organizaram a saída do senador do Brasil.

Segundo o jornal, Jason Miller, integrante da equipe de comunicação da Casa Branca, providenciou o jato particular utilizado pelo parlamentar e por seus familiares na viagem para Miami.

Últimas notícias