Política

Bolsonaro passou dois dias em embaixada da Hungria após perder passaporte, revela jornal americano

"The New York Times" conseguiu imagens que mostram ex-presidente no prédio – onde não poderia ser preso – quatro dias após ser alvo de operação da PF

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SBT News
25/03/2024, 17:29 • Atualizado em 26/03/2024, 17:01
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Bolsonaro passou dois dias em embaixada da Hungria após perder passaporte, revela jornal americano

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O ex-presidente Jair Bolsonaro buscou refúgio na embaixada da Hungria em Brasília entre 12 e 14 de fevereiro deste ano. O jornal norte-americano The New York Times obteve imagens de quatro câmeras de segurança da embaixada que mostram a chegada de Bolsonaro ao prédio e sua saída, dois dias depois.

No dia 8 de fevereiro, quatro dias antes, a Polícia Federal havia deflagrado a operação Tempus Veritatis, que teve como alvos suspeitos de tramar um golpe de Estado no Brasil. A ação, que fez buscas e apreensão na casa de Bolsonaro, também confiscou os passaportes de Bolsonaro.

Relação com Orbán

A Hungria é governada pelo líder da extrema-direita Viktor Orbán, a quem Bolsonaro chegou a chamar de "irmão". As embaixadas estão fora dos limites de ação das autoridades domésticas. Isso quer dizer que, se houvesse um mandado de prisão para o ex-presidente, o cumprimento poderia ser dificultado.

No mesmo dia em que Bolsonaro foi alvo da PF, Orbán expressou solidariedade ao ex-presidente em sua conta nas redes:

O que diz a defesa do ex-presidente

Ao NYT, o advogado de Bolsonaro negou-se a comentar. O SBT News enviou pedido à defesa do ex-presidente, e recebeu como resposta a seguinte nota:

"O ex-Presidente da República, Jair Bolsonaro, passou dois dias hospedado na embaixada da Hungria em Brasília para manter contatos com autoridades do país amigo.

Como é do conhecimento público, o ex-mandatário do país mantém um bom relacionamento com o premier húngaro, com quem se encontrou recentemente na posse do presidente Javier Milei, em Buenos Aires.

Nos dias em que esteve hospedado na embaixada magiar, a convite, o ex-presidente brasileiro conversou com inúmeras autoridades do país amigo atualizando os cenários políticos das duas nações.

Quaisquer outras interpretações que extrapolem as informações aqui repassadas se constituem em evidente obra ficcional, sem relação com a realidade dos fatos e são, na prática, mais um rol de fake news."

Como foi a estadia de Bolsonaro

Pelas gravações, Bolsonaro chega à embaixada por volta de 21h30 do dia 12, segunda-feira de Carnaval. Ele está acompanhado de dois seguranças e é recebido pelo embaixador da Hungria no Brasil e por funcionários da representação diplomática. Ele é encaminhado para um dos quartos e recebe itens para se acomodar, entre eles uma cafeteira.

Bolsonaro só deixa a embaixada na tarde da quarta-feira de Cinzas, 14 de fevereiro, por volta de 16h, acompanhado de dois seguranças.

No mesmo dia, os diplomatas húngaros pedem para que os funcionários brasileiros não voltem a trabalhar após o feriado, mas fiquem o resto da semana em casa.

O jornal norte-americano verificou as imagens das câmeras e também localizou o carro de Bolsonaro estacionado na embaixada por imagens de satélite. Um funcionário ouvido pelo NY Times confirmou o plano de acolher Bolsonaro.

Investigações sobre tentativa de golpe de Estado

A operação Tempus Veritatis faz parte da investigação sobre a participação de Bolsonaro e aliados civis e militares em uma tentativa de subverter o resultado das eleições de outubro de 2022 e se manter no poder. As ações basearam-se, em parte, na delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro – que voltou a ser preso na sexta-feira (22) por descumprir medidas cautelares tentar obstruir a Justiça. A revista Veja divulgou áudios em que Cid diz ter sido pressionado pela Polícia Federal a confirmar uma narrativa golpista.

Em discurso no último dia 16, durante evento de lançamento da pré-candidatura de Alexandre Ramagem (PL) à Prefeitura do Rio de Janeiro, Bolsonaro chegou a mencionar a hipótese de sair do Brasil para se desvencilhar das acusações.

"Eu poderia estar muito bem em um outro país, mas preferi voltar pra cá com todos os riscos que eu corro. Não tenho medo de qualquer julgamento, desde que os juízes sejam isentos", disse Bolsonaro na ocasião.

Relembre a visita de Bolsonaro à Hungria e a proximidade de ex-presidente brasileiro com Orbán:

 

 

 

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