Bolsonaro diz que militar retirou arma de casa sem aval dele
Polícia Civil apontou que ex-presidente não cometeu crime; segundo sargento disse que Michelle autorizou que ele mexesse na pistola
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José Matheus Santos, Felipe Moraes
01/07/2026, 14:13 • Atualizado em 01/07/2026, 14:24
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O ex-presidente Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar | Adriano Machado/Reuters
O relatório final da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) sobre o caso da arma de Jair Bolsonaro (PL) apreendida com um militar em blitz de trânsito apontou que o ex-presidente não autorizou que o sargento do Exército retirasse a arma de sua casa, onde o ex-mandatário cumpre prisão domiciliar em Brasília.
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A PCDF indiciou por porte ilegal de arma o segundo sargento Estácio Leite da Silva Filho, parado em fiscalização no dia 15 de junho com uma Glock 9mm de Bolsonaro. O militar se identificou como servidor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), disse que trabalhava para o ex-presidente e alegou que estava em posse da pistola para efetuar reparos e que a devolveria no dia seguinte. O objeto foi apreendido pela Polícia Militar do DF, responsável pela blitz.
O relatório final citou trechos do depoimento de Jair Bolsonaro por vídeo à Polícia Civil sobre o caso, em 23 de junho.
Em prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado, o ex-mandatário declarou que, quando foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal (PF), pediu ao delegado responsável pela ação para ficar com uma das armas, por morar com três mulheres em casa — a ex-primeira-dama e esposa, Michelle Bolsonaro, a filha, Laura, e Letícia Firmo, enteada.
"Desde então [a arma] permaneceu em sua residência, até que no dia 15/06/2026 percebeu que a arma estava em pane, chamou o sargento Estácio para dar uma olhada, pois o ferrolho não ia até a retaguarda", lembrou a PCDF.
Segundo o ex-presidente, o militar teria saído da casa com a arma sem sua autorização. Bolsonaro, porém, disse não ver má-fé no gesto do sargento e contou que só tomou conhecimento do caso quando foi avisado da apreensão da pistola.
Também afirmou não ter "ciência de nenhuma restrição a sua posse de arma de fogo nos termos de sua condenação". Outra informação trazida pela PCDF é que Bolsonaro "posteriormente, soube que a arma teria sido inutilizada sem seu conhecimento pois havia um receio com sua integridade física em razão de seu estado depressivo".
O parecer da Polícia Civil ainda reúne esclarecimentos adicionais dados por Estácio. O militar informou que no dia da blitz, 15 de junho, foi chamado às 16h30 pelo ex-presidente "para verificar um problema no armamento, que estava com uma pane".
O segundo sargento afirmou que "todos estavam cientes da situação" e que "retirou o percussor do armamento com o aval da dona Michelle [Bolsonaro]", citando a ex-primeira-dama e esposa do ex-presidente. O militar averiguou a pistola e "constatou" que não havia dano. "Ele então colocou o percussor de volta, sanando a pane, e ficou aguardando a volta da da dona Michelle para entregar o armamento", relatou a PCDF.
A ex-primeira-dama, porém, estava em Goiânia, não em Brasília, o que fez com o que o militar esperasse até as 21h30 para devolver a Glock, "quando foi informado que o retorno seria prolongado". "Diante disso, decidiu levar o armamento para casa, pois não havia o aval dela."
Estácio contou à polícia ter saído da casa de Bolsonaro por volta das 22h20, com a arma do ex-presidente no carro. No trajeto até Taguatinga, passou por uma blitz da Polícia Militar, onde foi parado.
O relatório da PCDF confirmou a versão de Estácio de que a arma não estava danificada. Citando laudo pericial que verificou "funcionamento dos seus mecanismos de percussão, repetição, extração e segurança", informou que "foram obtidos resultados satisfatórios, concluindo que a arma de fogo descrita está apta para efetuar disparos em série".
Na conclusão do caso, enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Civil não indiciou Bolsonaro por entender que o ex-presidente "possuía o registro válido da arma de fogo, não havendo restrições conhecidas para que tivesse a arma regularmente registrada em sua residência"
"É fato notório que foram cumpridos mandados de busca e apreensão em sua residência e arma de fogo não foi recolhida ou mesmo foi lançada restrição em seu registro. Portanto, não vislumbro materialidade e conduta dolosa de eventual crime de ilegal de arma de fogo de uso restrito", acrescentou a corporação.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) disse que, a princípio, o caso não infringe a prisão domiciliar e defendeu que o STF aguarde a conclusão do inquérito da Polícia Civil do DF para avaliar se houve ou não "falta grave" no caso da arma apreendida em blitz.
A defesa de Bolsonaro se reuniu nessa terça (30) com o ministro Alexandre de Moraes, do STF, para solicitar a prorrogação do prazo da domiciliar, encerrado em 25 de junho.
Após o relatório da PCDF, o magistrado pediu nesta quarta novas manifestações tanto da PGR quanto de advogados do ex-presidente.
Bolsonaro diz que militar retirou arma de casa sem aval delePolícia Civil apontou que ex-presidente não cometeu crime; segundo sargento disse que Michelle autorizou que ele mexesse na pistolaPolítica2026-07-01T14:13:29.731ZO relatório final da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) sobre o caso da arma de Jair Bolsonaro (PL) apreendida com um militar em blitz de trânsito apontou que o ex-presidente não autorizou que o sargento do Exército retirasse a arma de sua casa, onde o ex-mandatário cumpre prisão domiciliar em Brasília. A PCDF indiciou por porte ilegal de arma o segundo sargento Estácio Leite da Silva Filho, parado em fiscalização no dia 15 de junho com uma Glock 9mm de Bolsonaro. O militar se identificou como servidor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), disse que trabalhava para o ex-presidente e alegou que estava em posse da pistola para efetuar reparos e que a devolveria no dia seguinte. O objeto foi apreendido pela Polícia Militar do DF, responsável pela blitz. O relatório final citou trechos do depoimento de Jair Bolsonaro por vídeo à Polícia Civil sobre o caso, em 23 de junho. Em prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado, o ex-mandatário declarou que, quando foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal (PF), pediu ao delegado responsável pela ação para ficar com uma das armas, por morar com três mulheres em casa — a ex-primeira-dama e esposa, Michelle Bolsonaro, a filha, Laura, e Letícia Firmo, enteada. "Desde então [a arma] permaneceu em sua residência, até que no dia 15/06/2026 percebeu que a arma estava em pane, chamou o sargento Estácio para dar uma olhada, pois o ferrolho não ia até a retaguarda", lembrou a PCDF. Segundo o ex-presidente, o militar teria saído da casa com a arma sem sua autorização. Bolsonaro, porém, disse não ver má-fé no gesto do sargento e contou que só tomou conhecimento do caso quando foi avisado da apreensão da pistola. Também afirmou não ter "ciência de nenhuma restrição a sua posse de arma de fogo nos termos de sua condenação". Outra informação trazida pela PCDF é que Bolsonaro "posteriormente, soube que a arma teria sido inutilizada sem seu conhecimento pois havia um receio com sua integridade física em razão de seu estado depressivo". O parecer da Polícia Civil ainda reúne esclarecimentos adicionais dados por Estácio. O militar informou que no dia da blitz, 15 de junho, foi chamado às 16h30 pelo ex-presidente "para verificar um problema no armamento, que estava com uma pane". O segundo sargento afirmou que "todos estavam cientes da situação" e que "retirou o percussor do armamento com o aval da dona Michelle [Bolsonaro]", citando a ex-primeira-dama e esposa do ex-presidente. O militar averiguou a pistola e "constatou" que não havia dano. "Ele então colocou o percussor de volta, sanando a pane, e ficou aguardando a volta da da dona Michelle para entregar o armamento", relatou a PCDF. A ex-primeira-dama, porém, estava em Goiânia, não em Brasília, o que fez com o que o militar esperasse até as 21h30 para devolver a Glock, "quando foi informado que o retorno seria prolongado". "Diante disso, decidiu levar o armamento para casa, pois não havia o aval dela." Estácio contou à polícia ter saído da casa de Bolsonaro por volta das 22h20, com a arma do ex-presidente no carro. No trajeto até Taguatinga, passou por uma blitz da Polícia Militar, onde foi parado. O relatório da PCDF confirmou a versão de Estácio de que a arma não estava danificada. Citando laudo pericial que verificou "funcionamento dos seus mecanismos de percussão, repetição, extração e segurança", informou que "foram obtidos resultados satisfatórios, concluindo que a arma de fogo descrita está apta para efetuar disparos em série". Na conclusão do caso, enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Civil não indiciou Bolsonaro por entender que o ex-presidente "possuía o registro válido da arma de fogo, não havendo restrições conhecidas para que tivesse a arma regularmente registrada em sua residência" "É fato notório que foram cumpridos mandados de busca e apreensão em sua residência e arma de fogo não foi recolhida ou mesmo foi lançada restrição em seu registro. Portanto, não vislumbro materialidade e conduta dolosa de eventual crime de ilegal de arma de fogo de uso restrito", acrescentou a corporação. A Procuradoria-Geral da República (PGR) disse que, a princípio, o caso não infringe a prisão domiciliar e defendeu que o STF aguarde a conclusão do inquérito da Polícia Civil do DF para avaliar se houve ou não "falta grave" no caso da arma apreendida em blitz. A defesa de Bolsonaro se reuniu nessa terça (30) com o ministro Alexandre de Moraes, do STF, para solicitar a prorrogação do prazo da domiciliar, encerrado em 25 de junho. Após o relatório da PCDF, o magistrado pediu nesta quarta novas manifestações tanto da PGR quanto de advogados do ex-presidente.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/bolsonaro-diz-que-militar-retirou-arma-de-casa-sem-aval-dele
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