Tenente-coronel é gravado por câmera corporal de PM após tomar banho | Reprodução
O SBT News teve acesso ao relatório das câmeras corporais dos policiais que atenderam a ocorrência envolvendo a soldado Gisele Alves Santana. O documento aponta que o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto teria se beneficiado da hierarquia militar no momento do atendimento – inclusive para permanecer na cena do crime e tomar banho.
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Segundo os próprios agentes, a atitude não ocorreria se ele não fosse um oficial. Os registros mostram que a conduta do tenente-coronel chamou atenção dos policiais ainda durante o socorro à soldado, que foi encontrada baleada na cabeça no dia 18 de fevereiro no apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo.
As câmeras registraram quando um cabo da PM questionou o fato do tenente-coronel querer tomar banho. Com receio de que isso comprometesse provas do crime, o policial de menor patente diz: "O senhor não saiu do banho agora? O senhor falou que estava tomando banho".
Geraldo Neto responde: "Irmão, eu entrei no banho, eu tava aqui tomando banho, daí eu escutei o barulho e eu abri a porta, quando abri eu vi minha esposa, peguei essa bermuda que tava aqui em cima, vesti a cueca e a bermuda. Eu não cheguei a tomar banho, eu nem fiz a barba ainda ó, a barba eu faço durante o banho, fazia um minuto que eu tava embaixo do chuveiro, irmão".
O diálogo segue.
Cabo: "Se o senhor puder só colocar uma camiseta."
Tenente-coronel: "Irmão, eu tenho 34 anos de serviço. Eu sei o que eu to falando. Eu vou tomar banho, irmão!".
Na sequência, o cabo se vira para um capitão e reforça:
Nas gravações, policiais comentam entre si a atuação do tenente-coronel e sugerem que a posição hierárquica influenciou diretamente na forma como a ocorrência foi conduzida.
Em um dos trechos, um tenente da equipe que atendeu a ocorrência afirma que determinadas atitudes não seriam permitidas a uma pessoa comum. Ele também reforça que seria necessária a presença de algum oficial de patente mais elevada no local.
"Eu preciso que alguém acima venha, porque se fosse uma ocorrência comum a gente não deixa tomar banho, por causa de (exame) residuográfico e tudo mais, entendeu? Eu não tenho como virar para um coronel e dizer que ele não vai tomar banho", disse o tenente ao telefone.
Uma conversa entre um cabo e o tenente também chama atenção:
Cabo: "Ele vai fazer residuográfico antes, né?"
Tenente: "Depende do que o perito falar."
Cabo: "Vai deixar ele tomar banho e tudo?"
Tenente: "Ah, não tem como ele ir assim."
Cabo: "Se tomar banho, vai perder tudo os baguio (vestígios) da mão. É tenente-coronel, né, porque se fosse um paisano (civil) a gente já arrasta pra perto... porque as conversas dele tá estranha."
Tenente-coronel é gravado por câmera corporal de PM após tomar banho | Reprodução
Postura no local também chamou atenção
As conversas entre os policiais também indicam que o comportamento do tenente-coronel foi considerado incompatível com a gravidade da situação.
Segundo os registros, ele foi visto no corredor, sem camisa e ao telefone, enquanto a vítima ainda apresentava sinais vitais dentro do apartamento. Os agentes questionam o fato dele não ter tentado prestar socorro à esposa.
"Ele não está com marcas de sangue de alguém que tenta massagem cardíaca, que pula em cima da pessoa, não tem nada disso, comando. É estranho", diz o tenente em ligação com uma tenente-coronel.
Em conversa com uma sargento da Corregedoria, no corredor do prédio, o tenente descreve outras suspeitas: "ninguém chama um desembargador para encostar no local, ninguém se preocupa em dizer que deixou a arma trancada e em cima do armário em um momento como esse".
A sargento, então, responde: "Levanta um pouquinho de suspeita".
A soma desses fatores – conduta no local, falas registradas e vestígios periciais – é considerada relevante para a apuração do caso, que passou a ser tratado como feminicídio. O tenente-coronel Geraldo Neto foi preso preventivamente na quarta-feira (18) e, no mesmo dia, a Justiça de São Paulo o tornou réu.
Ele vai responder por feminicídio qualificado e fraude processual, por ter alterado a cena do crime para forjar um suicídio.
"O cara vai lavar a mão": câmeras corporais mostram que PM questionou banho de tenente-coronelRelatório com imagens de policiais revela diálogos sobre influência de oficial e diálogos tensos no local da morte de soldado GiseleCidades2026-03-20T18:31:08.794ZO SBT News teve acesso ao relatório das câmeras corporais dos policiais que atenderam a ocorrência envolvendo a . O documento aponta que o teria se beneficiado da hierarquia militar no momento do atendimento – inclusive para permanecer na cena do crime e tomar banho. Segundo os próprios agentes, a atitude não ocorreria se ele não fosse um oficial. Os registros mostram que a conduta do tenente-coronel chamou atenção dos policiais ainda durante o socorro à soldado, que foi encontrada baleada na cabeça no dia 18 de fevereiro no apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo. "O cara vai lavar a mão" As câmeras registraram quando um cabo da PM questionou o fato do tenente-coronel querer tomar banho. Com receio de que isso comprometesse provas do crime, o policial de menor patente diz: "O senhor não saiu do banho agora? O senhor falou que estava tomando banho". Geraldo Neto responde: "Irmão, eu entrei no banho, eu tava aqui tomando banho, daí eu escutei o barulho e eu abri a porta, quando abri eu vi minha esposa, peguei essa bermuda que tava aqui em cima, vesti a cueca e a bermuda. Eu não cheguei a tomar banho, eu nem fiz a barba ainda ó, a barba eu faço durante o banho, fazia um minuto que eu tava embaixo do chuveiro, irmão". O diálogo segue. Cabo: "Se o senhor puder só colocar uma camiseta." Tenente-coronel: "Irmão, eu tenho 34 anos de serviço. Eu sei o que eu to falando. Eu vou tomar banho, irmão!". Na sequência, o cabo se vira para um capitão e reforça: "O cara vai lavar a mão, caralh*". O exame residuográfico, feito nas mãos do tenente-coronel Geraldo Neto depois, não encontrou resquícios de pólvora. No banheiro onde ele tomou banho, . Tensão causada pela hierarquia Nas gravações, policiais comentam entre si a atuação do tenente-coronel e sugerem que a posição hierárquica influenciou diretamente na forma como a ocorrência foi conduzida. Em um dos trechos, um tenente da equipe que atendeu a ocorrência afirma que determinadas atitudes não seriam permitidas a uma pessoa comum. Ele também reforça que seria necessária a presença de algum oficial de patente mais elevada no local. "Eu preciso que alguém acima venha, porque se fosse uma ocorrência comum a gente não deixa tomar banho, por causa de (exame) residuográfico e tudo mais, entendeu? Eu não tenho como virar para um coronel e dizer que ele não vai tomar banho", disse o tenente ao telefone. Uma conversa entre um cabo e o tenente também chama atenção: Cabo: "Ele vai fazer residuográfico antes, né?" Tenente: "Depende do que o perito falar." Cabo: "Vai deixar ele tomar banho e tudo?" Tenente: "Ah, não tem como ele ir assim." Cabo: "Se tomar banho, vai perder tudo os baguio (vestígios) da mão. É tenente-coronel, né, porque se fosse um paisano (civil) a gente já arrasta pra perto... porque as conversas dele tá estranha." Postura no local também chamou atenção As conversas entre os policiais também indicam que o comportamento do tenente-coronel foi considerado incompatível com a gravidade da situação. Segundo os registros, ele foi visto no corredor, sem camisa e ao telefone, enquanto a vítima ainda apresentava sinais vitais dentro do apartamento. Os agentes questionam o fato dele não ter tentado prestar socorro à esposa. "Ele não está com marcas de sangue de alguém que tenta massagem cardíaca, que pula em cima da pessoa, não tem nada disso, comando. É estranho", diz o tenente em ligação com uma tenente-coronel. Em conversa com uma sargento da Corregedoria, no corredor do prédio, o tenente descreve outras suspeitas: "ninguém chama um desembargador para encostar no local, ninguém se preocupa em dizer que deixou a arma trancada e em cima do armário em um momento como esse". A sargento, então, responde: "Levanta um pouquinho de suspeita". A soma desses fatores – conduta no local, falas registradas e vestígios periciais – é considerada relevante para a apuração do caso, que passou a ser tratado como feminicídio. O tenente-coronel Geraldo Neto foi preso preventivamente na quarta-feira (18) e, no mesmo dia, a . Ele vai responder por feminicídio qualificado e fraude processual, por ter alterado a cena do crime para forjar um suicídio.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/policia/o-cara-vai-lavar-a-mao-cameras-corporais-mostram-que-pm-questionou-banho-de-tenente-coronel
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