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Geraldo alega que a esposa se matou. O SBT teve acesso exclusivo ao relatório final da Polícia Civil, com 82 páginas, que apontou que na verdade Gisele foi vítima de feminicídio. O tenente-coronel foi preso na quarta-feira (18) e responderá ainda por fraude processual, por ter alterado a cena do crime para forjar um suicídio.
Ele foi levado para o Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo. Na chegada ao local, foi abraçado e levou "tapinhas" nas costas de um policial.
Tratamento de "macho alfa"
Nas conversas obtidas no celular do oficial, a polícia encontrou vestígios de uma relação "marcada por abuso psicológico". As aspas são do delegado Lucas de Souza Lopes, do 8º Distrito Policial, que presidiu o inquérito.
Em uma delas, Gisele diz: "Se eu soubesse que você iria me tratar dessa forma após casar, eu que não queria casar". Geraldo responde: "Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa. Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho Alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser".
Geraldo se dizia "macho alfa provedor" e cobrava que Gisele fosse "fêmea beta obediente e submissa" | Reprodução
Para o delegado, o tenente-coronel demostra uma personalidade dominadora e "com visões distorcidas sobre o papel da mulher no casamento".
Outras mensagens mostram que Geraldo cobrava que Gisele mantivesse relações sexuais com ele, alegando que sustentava a casa.
"Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo", escreveu ele. "Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final", ela diz.
Um áudio transcrito pelos investigadores também reforça que Gisele era vítima de agressões físicas. No dia 6 de fevereiro, a soldado acusa Geraldo de ter "enfiado a mão" na cara dela.
Em 13 de fevereiro, Gisele diz que está "praticamente solteira". Geraldo responde: "Jamais! Nunca será!". Para a Polícia Civil, a reação "é de extrema possessividade e negação".
Quando Gisele se disse "praticamente solteira", o tenente-coronel respondeu: "Jamais! Nunca será!" | Reprodução
Dois dias antes de morrer, a policial alega que o marido deixou de ser um "príncipe" e que a trata "de qualquer jeito". O tenente-coronel respondeu que era "mais que um príncipe". "Sou Rei, Religioso, Honesto, Trabalhador, Inteligente, Saudável, Bonito, Gostoso, Carinhoso, Romântico, Provedor, Soberano", escreveu.
Dois dias antes de morrer, a soldado reclama que é tratada "de qualquer jeito" pelo marido | Reprodução
Prisão
A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo prendeu o tenente-coronel na manhã de quarta-feira. Um comboio com agentes da corregedoria, com apoio da Polícia Civil, chegou por volta das 8h ao apartamento do oficial em São José dos Campos, no interior de São Paulo.
Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi preso na manhã desta quarta-feira (18) | Reprodução/SBT
OSBT Newsteve acesso à decisão, da 5ª Auditoria Militar do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo, que determinou a prisão preventiva de Geraldo Neto. As provas coletadas pela Polícia Civil indicam que Gisele foi surpreendida por trás.
A vítima teria tentado reagir, mas foi contida pelo pescoço. Imagens do exame necroscópico mostram marcas compatíveis com os dedos do agressor na região do pescoço. O disparo que matou a policial ocorreu a curtíssima distância, com trajetória de trás para frente e de baixo para cima, o que reforça a tese de execução.
"O mosaico probatório, portanto, afasta a hipótese de suicídio e indica que Gisele foi abordada por trás, com mão esquerda do agressor na mandíbula/face e arma na mão direita dirigida à têmpora direita", diz um trecho.
A perícia também analisou a distribuição de sangue no local. O padrão encontrado indica que Gisele estava em posição vertical ou semi-vertical no momento do sangramento, o que é incompatível com a versão de que ela teria sido encontrada deitada após um suposto suicídio.
Os investigadores apontam ainda que o tenente-coronel teria alterado a cena do crime. A suspeita é de que ele posicionou o corpo da vítima no chão, colocou a arma em sua mão e tentou limpar vestígios.
Manchas de sangue foram encontradas em bermuda de tenente-coronel e em toalha | Reprodução
Outro ponto que levantou dúvidas foi o estado do banheiro do apartamento. Apesar de o oficial afirmar que estava no banho no momento do disparo, o local estava seco quando a polícia chegou. No entanto, foram encontradas manchas de sangue no box, nas torneiras e em objetos pessoais dele, como uma bermuda e uma toalha.
A perícia ainda contestou a possibilidade de suicídio com base na altura da vítima. A reconstituição do crime indicou que Gisele, que media 1,65 m, não conseguiria alcançar a arma guardada na parte superior do guarda-roupa, ao contrário do tenente-coronel.
Gisele não conseguiria pegar arma em armário por causa da altura, concluiu relatório | Reprodução
A defesa do oficial informou que entrou com uma reclamação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), alegando a existência de duas ordens de prisão para o mesmo fato, uma na Justiça Militar e outra na Justiça comum. Os advogados também estudam a possibilidade de pedir habeas corpus.
"Macho alfa provedor": mensagens de Whatsapp revelam como tenente-coronel via relação com soldado GiseleGeraldo Leite Rosa Neto foi preso na quarta-feira (18) acusado de feminicídio e fraude processual; ele teria forjado o suicídio da esposaCidades2026-03-19T14:06:33.848ZMensagens trocadas pelo Whatsapp entre o e a soldado Gisele Alves Santana revelam um relacionamento marcado por machismo, controle financeiro e cobranças. A , na região central de São Paulo, em fevereiro. Geraldo alega que a esposa se matou. O SBT teve acesso exclusivo ao relatório final da Polícia Civil, com 82 páginas, que apontou que na verdade Gisele foi vítima de feminicídio. O tenente-coronel foi preso na quarta-feira (18) e responderá ainda por fraude processual, por ter alterado a cena do crime para forjar um suicídio. Ele foi levado para o Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo. Na chegada ao local, foi abraçado e levou "tapinhas" nas costas de um policial. Tratamento de "macho alfa" Nas conversas obtidas no celular do oficial, a polícia encontrou vestígios de uma relação "marcada por abuso psicológico". As aspas são do delegado Lucas de Souza Lopes, do 8º Distrito Policial, que presidiu o inquérito. Em uma delas, Gisele diz: "Se eu soubesse que você iria me tratar dessa forma após casar, eu que não queria casar". Geraldo responde: "Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa. Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho Alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser". Para o delegado, o tenente-coronel demostra uma personalidade dominadora e "com visões distorcidas sobre o papel da mulher no casamento". Outras mensagens mostram que Geraldo cobrava que Gisele mantivesse relações sexuais com ele, alegando que sustentava a casa. "Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo", escreveu ele. "Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final", ela diz. Um áudio transcrito pelos investigadores também reforça que Gisele era vítima de agressões físicas. No dia 6 de fevereiro, a soldado acusa Geraldo de ter "enfiado a mão" na cara dela. Em 13 de fevereiro, Gisele diz que está "praticamente solteira". Geraldo responde: "Jamais! Nunca será!". Para a Polícia Civil, a reação "é de extrema possessividade e negação". Dois dias antes de morrer, a policial alega que o marido deixou de ser um "príncipe" e que a trata "de qualquer jeito". O tenente-coronel respondeu que era "mais que um príncipe". "Sou Rei, Religioso, Honesto, Trabalhador, Inteligente, Saudável, Bonito, Gostoso, Carinhoso, Romântico, Provedor, Soberano", escreveu. Prisão A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo Um comboio com agentes da corregedoria, com apoio da Polícia Civil, chegou por volta das 8h ao apartamento do oficial em São José dos Campos, no interior de São Paulo. O SBT News teve acesso à decisão, da 5ª Auditoria Militar do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo, que determinou a prisão preventiva de Geraldo Neto. As provas coletadas pela Polícia Civil indicam que Gisele foi surpreendida por trás. A vítima teria tentado reagir, mas foi contida pelo pescoço. Imagens do exame necroscópico mostram marcas compatíveis com os dedos do agressor na região do pescoço. O disparo que matou a policial ocorreu a curtíssima distância, com trajetória de trás para frente e de baixo para cima, o que reforça a tese de execução. "O mosaico probatório, portanto, afasta a hipótese de suicídio e indica que Gisele foi abordada por trás, com mão esquerda do agressor na mandíbula/face e arma na mão direita dirigida à têmpora direita", diz um trecho. A perícia também analisou a distribuição de sangue no local. O padrão encontrado indica que Gisele estava em posição vertical ou semi-vertical no momento do sangramento, o que é incompatível com a versão de que ela teria sido encontrada deitada após um suposto suicídio. Os investigadores apontam ainda que o tenente-coronel teria alterado a cena do crime. A suspeita é de que ele posicionou o corpo da vítima no chão, colocou a arma em sua mão e tentou limpar vestígios. Outro ponto que levantou dúvidas foi o estado do banheiro do apartamento. Apesar de o oficial afirmar que estava no banho no momento do disparo, o local estava seco quando a polícia chegou. No entanto, foram encontradas manchas de sangue no box, nas torneiras e em objetos pessoais dele, como uma bermuda e uma toalha. A perícia ainda contestou a possibilidade de suicídio com base na altura da vítima. A reconstituição do crime indicou que Gisele, que media 1,65 m, não conseguiria alcançar a arma guardada na parte superior do guarda-roupa, ao contrário do tenente-coronel. A defesa do oficial informou que entrou com uma reclamação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), alegando a existência de duas ordens de prisão para o mesmo fato, uma na Justiça Militar e outra na Justiça comum. Os advogados também estudam a possibilidade de pedir habeas corpus. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/policia/macho-alfa-provedor-mensagens-de-whatsapp-revelam-como-tenente-coronel-via-relacao-com-soldado-gisele
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