"Mataram meu filho pela 3º vez", diz pai de Henry Borel
O 2º Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro perdoou Monique Medeiros, mãe de Henry, em julgamento pela morte do menino em 2021

Leniel Borel, pai do menino Henry Borel, se manifestou após o 2º Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro perdoar Monique Medeiros, mãe de Henry, em julgamento pela morte do menino em 2021.
"Hoje eu venho aqui como pai, depois de mais de cinco anos, vivendo a maior dor que um ser humano pode passar, que é perder um filho. Falei aqui da última vez, poucos meses atrás, que considerava que a decisão desta mesma juíza era uma segunda morte para o meu filho e, agora, venho para vocês falar que mataram meu filho pela terceira vez" , disse Leniel Borel.
A declaração sobre a "segunda morte de Henry" foi dada por Leniel em março, quando o júri havia sido adiado.
"A misoginia matou o Henry. O Henry representa essas milhares de crianças que são vítimas todo dia. Por conta de decisões como essa que se abre precedente para outras mães, genitoras, possam matar os seus filhos, que possam permitir que seus filhos sejam mortos." completou.
Nesta quinta-feira (04), Monique teve a acusação de homicídio doloso desclassificada pelos jurados para homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Ela foi condenada por omissão em relação à tortura sofrida pelo filho e sentenciada a um ano e quatro meses de detenção. A pena foi considerada encerrada porque Monique já havia cumprido período de prisão preventiva. A juíza Elizabeth Machado Louro também concedeu perdão judicial à ré.
Na justificativa, a juíza afirmou que ela já havia sofrido punição suficiente. Na sentença, Elizabeth Machado Louro citou a forte repercussão do caso, o que chamou de "massacre nas redes sociais" e as agressões sofridas por Monique durante o período em que esteve presa.
O advogado de Leniel, Cristiano Medina, afirmou que vai recorrer da decisão.
"Eu não tenho a menor dúvida de que vamos anular essa decisão no TJ e Monique será submetida a um novo conselho de sentença" declarou Cristiano Medina ao lado de Leniel.
Condenação
O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, foi considerado culpado dos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação, com pena de 43 anos, nove meses e 20 dias de reclusão. Jairinho deverá cumprir a pena inicialmente em regime fechado.
Na sentença, a juíza Elizabeth Machado Louro afirmou que Jairinho agiu com "violência desproporcional" e "rara e desmesurada covardia" contra uma criança de quatro anos. A magistrada também descreveu o ex-vereador como uma pessoa capaz de simular gentileza para esconder uma personalidade truculenta e de elevada periculosidade.
Além da pena de prisão, Jairinho foi condenado a pagar R$ 400 mil por danos morais ao pai de Henry.
As decisões foram tomadas após 11 dias de julgamento, considerado o mais longo da história recente do Tribunal do Júri fluminense, superando o da deputada cassada Flordelis, em novembro de 2022, que durou sete dias. Ela foi condenada por planejar o assassinato do marido.
Relembre o caso
Henry Borel morreu no apartamento onde morava com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, Dr. Jairinho, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, na madrugada de 8 de março de 2021. Ele tinha apenas quatro anos.
O menino chegou a ser levado a um hospital particular na Barra da Tijuca, onde o casal alegou que a criança teria sofrido um acidente doméstico. No entanto, o laudo de necropsia do IML (Instituto Médico-Legal) apontou que Henry sofreu 23 lesões por ação violenta, incluindo laceração hepática e hemorragia interna.
As investigações da Polícia Civil concluíram que Henry era vítima de uma rotina de tortura praticada pelo padrasto, e que a mãe tinha conhecimento das agressões. Os réus foram presos em abril de 2021 e denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
Após a repercussão do caso, a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro aprovou o projeto que cria a "Ronda de Proteção à Infância", também chamada de "Ronda Henry Borel". O caso também baseou a criação da Lei Henry Borel, em maio de 2022, que torna crime hediondo todo homicídio de criança e adolescente.














