Política

“Onde estão os R$ 61 milhões?” será tema do PT contra Flávio

Em entrevista ao SBT News, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) diz que que campanha petista vai explorar verba repassada por Daniel Vorcaro ao filme "Dark Horse"

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Raquel Landim , Iander Porcella, Victoria Abel, Vicklin Moraes

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) revelou, nesta quinta-feira (23), qual será a principal linha de ataque do Partido dos Trabalhadores (PT) contra a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Em entrevista ao programa Poder Expresso, do SBT News, o parlamentar afirmou que a oposição vai cobrar ostensivamente explicações sobre o paradeiro dos R$ 61 milhões repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme autobiográfico Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Vamos passar a campanha inteira perguntando: ‘Flávio Bolsonaro, onde foram parar os R$ 61 milhões do Vorcaro?’. Essa é a pergunta da campanha. Ele não pode fugir disso. Tem que se explicar ao povo brasileiro”, disse o deputado.
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A ofensiva ocorre no momento em que a Polícia Federal conduz um inquérito, autorizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, para apurar o destino dos recursos. A investigação ganhou força após a revelação de que Flávio Bolsonaro teria solicitado apoio financeiro ao banqueiro.

Lindbergh atribuiu a abertura do inquérito à pressão de parlamentares de sua bancada e citou elementos já divulgados, como áudios envolvendo o senador e visitas ao empresário quando este já cumpria prisão domiciliar.

Segundo o deputado, o valor inicialmente previsto para a produção seria de R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos a partir de março de 2023. Ele levantou suspeitas sobre o destino final do dinheiro.

“Esse dinheiro foi parar no Texas, em um fundo administrado por Eduardo Bolsonaro. A investigação agora é seguir esse caminho, porque o filme foi rodado no Brasil. O que esses recursos foram fazer no exterior?”, questionou.

Quando o repasse de recursos de Vorcaro a Flávio Bolsonaro foi revelado pelo site The Intercept, o senador divulgou nota afirmando ser “falsa a insinuação” de que seu irmão, Eduardo Bolsonaro, seria o beneficiário dos valores.

“Os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos”, disse.

Isolamento político e "chapa pura" do PL

Além das denúncias financeiras, Lindbergh Farias avaliou a movimentação política de Flávio Bolsonaro na montagem de alianças para a disputa eleitoral. Nomes como a ex-presidente da Caixa Daniela Marques e a deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) vêm sendo cotados para compor a vaga de vice, indicando a possibilidade de uma "chapa pura" do PL.

Para o parlamentar petista, a ausência de apoio oficial de partidos do Centro representa um forte revés para a candidatura da direita.

"Uma chapa pura do PL nos ajuda. Mostra que o Flávio Bolsonaro está isolado. Ele não conseguiu ampliar, não conseguiu unir forças contra a candidatura do Lula. PP e União Brasil não estão acreditando, e nem o Republicanos está garantido ainda nessa aliança. Perder esse apoio formal é uma derrota muito grande", analisou.

Lindbergh ressaltou que a falta de coligações robustas resultará em menos tempo de propaganda partidária e menos inserções na televisão e rádio para o candidato do PL, em comparação com a coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já conta com legendas como o PSB e o PDT.

Por fim, o deputado afirmou acreditar que o grupo bolsonarista já antecipa um cenário desfavorável nas urnas e articula um discurso para o período pós-pleito.

"Não consigo ver nenhum nome alternativo ao do Flávio Bolsonaro. Acho que eles estão se preparando para disputar uma eleição e perder para o Lula. Aí, virão com essa tese golpista de que foi fraude, para tentar ficar com o bastão da liderança da oposição no futuro aqui no Brasil", concluiu o líder do PT.

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