Cidades

Justiça decreta prisão preventiva de Melqui Galvão

Melqui Galvão é investigado por abuso contra atleta de 17 anos e por denúncias de outras supostas vítimas

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Fabio Diamante, Robinson Cerantula
26/05/2026, 23:26 • Atualizado em 27/05/2026, 03:14
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A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva, por tempo indeterminado, do treinador de jiu-jítsu Melqui Galvão, acusado de violentar uma de suas atletas, de 17 anos.

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Melqui, que estava preso temporariamente, passou a ser réu por estupro de vulnerável, já que a Justiça também recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público.

A decisão foi do juiz Tobias Guimarães Ferreira, da 2ª Vara de Crimes Praticados Contra Crianças e Adolescentes. A defesa de Melqui terá dez dias para apresentar defesa por escrito. A audiência de instrução, com o depoimento da vítima, foi marcada para o dia 20 de outubro.

Por ser policial civil no Amazonas, Melqui está preso no presídio da Polícia Civil paulista. O treinador, pai do super campeão de jiu-jítsu, Mica Galvão, é acusado de violentar a atleta durante um campeonato em Roma, na Itália, em fevereiro.

A jovem era aluna na academia de Melqui, em Jundiaí, interior de São Paulo. Mesmo recebendo salário como investigador do Amazonas, o professor morava em Jundiaí. Ele também era dono de outra academia na capital paulista.

Na decisão, o juiz afirmou que o acusado praticou o suposto delito de estupro de vulnerável “aproveitando-se da posição de professor e garantidor, assim como da confiança depositada pela vítima”. O magistrado ressaltou ainda “a existência de possíveis outras vítimas em outro Estado (AM) e também na academia administrada na cidade de Jundiaí, o que acresce reprovabilidade e demonstra sua personalidade voltada à criminalidade”.

Melqui não quis prestar depoimento à Polícia Civil de São Paulo. O interrogatório chegou a ser marcado e seria realizado dentro do Presídio da Polícia Civil. Por meio de advogados, Melqui informou que usaria o direito de ficar em silêncio.

A Justiça do Amazonas também decretou a prisão preventiva de Melqui por outros abusos. O irmão dele, Enoque Galvão, que é policial civil, também foi preso acusado de violentar atletas adolescentes.

Relembre o caso

O treinador de jiu-jitsu Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, conhecido como Melqui Galvão, foi preso temporariamente em abril suspeito de estupro de vulnerável, após denúncia feita por uma atleta de 17 anos.

Segundo a investigação, a violência sexual teria ocorrido em fevereiro deste ano, em Roma, na Itália, durante uma competição de jiu-jitsu. A vítima treinava com o suspeito desde dezembro de 2024.

De acordo com a Polícia Civil de São Paulo, mensagens enviadas por Melqui à família da vítima após o crime foram decisivas para o avanço do caso.

Nos conteúdos, ele demonstra arrependimento e admite comportamento inadequado, além de tentar evitar que a denúncia fosse levada adiante. Melqui Galvão também é investigador da Polícia Civil do Amazonas.

Coação de testemunhas na cadeia

Melqui Galvão também é investigado por usar um celular dentro da cadeia para coagir testemunhas e tentar atrapalhar as investigações do caso.

Segundo a Polícia Civil de São Paulo, o professor fez chamadas de áudio e vídeo enquanto estava preso em Manaus para convencer atletas a desacreditarem a denúncia feita pela adolescente de 17 anos.

Nas gravações obtidas pela investigação, Melqui tenta convencer atletas a atacar a credibilidade da vítima e minimizar as acusações.

“A gente precisa de alguma coisa da intimidade pra mostrar pra juíza que ela não é uma menina”, disse em uma das ligações.

Em outro trecho, o professor afirma que a prisão seria temporária e tenta convencer um atleta a ajudá-lo no processo.

“Minha prisão tem data pra sair. Em trinta dias eu estou solto”, declarou.

Professor teria oferecido vantagens financeiras

Segundo a investigação, Melqui também prometeu ajuda financeira e apoio na carreira esportiva para um atleta que aceitasse mentir em depoimento à Justiça. A intenção seria sustentar a versão de que a denúncia da adolescente teria sido inventada como forma de vingança.

“Eu vou te honrar se você me honrar”, afirmou o investigado em uma das conversas.

O nome do atleta que procurou a polícia será mantido em sigilo.

Família participou das conversas, diz investigação

De acordo com os áudios entregues ao Ministério Público e à Polícia Civil, familiares de Melqui também participaram das ligações. Entre eles estariam a esposa do professor, Débora, e o filho, o atleta de jiu-jítsu Mica Galvão.

Nas conversas, eles discutem detalhes sobre a compra de passagens para que o atleta viajasse até Manaus e prestasse um depoimento falso.

Em nota, a Polícia Civil do Amazonas informou que abriu um inquérito para investigar como o celular entrou na cela onde Melqui estava preso. A corporação também afirmou que um policial foi afastado das funções.

Segundo a reportagem, o agente afastado seria irmão de Melqui e também integrante da Polícia Civil do Amazonas.

Segunda vítima

Uma nova vítima de Melqui Galvão prestou depoimento virtual à 8ª Delegacia de Defesa da Mulher, na zona leste de São Paulo, no dia 29 de abril.

O depoimento foi prestado há pouco mais de 20 dias e corre sob sigilo. A jovem, que falou ao SBT, afirmou que foi aluna do treinador e que os abusos teriam começado quando ela ainda era criança.

“Com 12 anos, ele disse que ia conseguir um quimono para mim. Foi me buscar na escola, mas não me levou para casa. Hoje eu reconheço que ele me levou para um motel. Na época, eu não sabia o que era”, relatou.

Segundo o relato, o comportamento do suspeito incluía aproximações indevidas e atitudes incompatíveis com a relação profissional entre treinador e aluna. A vítima afirma que os episódios se repetiram ao longo dos anos.

“Ele me levava de carro, me abraçava, me beijava e fazia eu tocar nele. Depois, houve uma situação mais grave, que me causou dor e me marcou muito”, disse.

De acordo com a denúncia, os casos ocorreram em Manaus, onde o treinador liderava um projeto social de jiu-jitsu. O depoimento foi prestado à polícia paulista, mas a investigação é conduzida pela Polícia Civil do Amazonas, onde os crimes teriam ocorrido.

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