Entidades de jiu-jítsu banem treinador Melqui Galvão depois de prisão por estupro de adolescente
CBJJ e IBJJF excluem treinador de competições oficiais de forma definitiva e dizem que casos de abuso serão tratados com rigor


Naiara Ribeiro
Agência SBT
A Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) e a International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF) informaram nesta terça-feira (28) que o treinador de jiu-jítsu Melqui Galvão foi banido definitivamente das entidades. Ele não poderá mais participar de eventos ou atividades promovidas pelas federações.
Segundo as organizações, a decisão ocorre após a prisão do treinador, suspeito de estuprar uma adolescente de 17 anos em Manaus. As entidades afirmaram que repudiam qualquer conduta que viole a integridade e a segurança de praticantes do esporte, especialmente quando envolve crianças e adolescentes, e que os casos de abuso serão tratados com rigor.
Veja o pronunciamento oficial completo:
“A Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) e a International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF) manifestam profunda indignação diante dos atos atribuídos ao professor de Jiu-Jitsu Melqui Galvão, em atual estado de prisão preventiva, tornados públicos pela imprensa. Tais ações são inaceitáveis e violam os princípios éticos mais basilares do esporte.
A CBJJ e a IBJJF informam que Melqui Galvão será banido definitivamente de seus quadros e não poderá mais participar de eventos e atividades promovidas pela entidade. A CBJJ e a IBJJF repudiam comportamentos que violem a integridade e a segurança de praticantes do esporte, especialmente quando as vítimas são crianças e adolescentes.
Enaltecemos os atletas que tiveram a coragem de expor as situações de violência sofridas, permitindo que outras vítimas se sintam encorajadas a denunciar seus algozes. A CBJJ e a IBJJF esclarecem que todos os casos de abuso serão tratados com rigor e reafirmam o compromisso de garantir ambientes seguros, éticos e respeitosos em todas suas atividades.”
Entenda o caso:
A Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária do treinador de jiu-jítsu Melqui Galvão nesta terça (28), após denúncias de estupro de vulnerável. Ele também é policial civil em Manaus. Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, de 47 anos, foi preso por ordem acusado de violentar uma atleta de 17 anos.
Segundo a Polícia Civil de São Paulo, a violência sexual aconteceu em fevereiro deste ano, em Roma, na Itália, durante uma competição de jiu-jitsu. A vítima treinava com Melqui desde dezembro de 2024.
Além da denúncia feita pela jovem, na Delegacia de Defesa da Mulher, o que levou o professor de jiu- jitsu para cadeia foram mensagens que ele mandou para a família da vítima depois do crime. Ele queria evitar a investigação e acabou confessando a violência sexual.
Segundo o portal da transparência, o salário dele é de quase 30 mil reais (com os descontos, quase 20 mil). As investigações dizem que o treinador também ofereceu “vantagens” em troca do silêncio da vítima e da família dela.
A suspeita da Polícia Civil de São Paulo é de que a violência contra a adolescente não tenha sido um caso isolado. Segundo a delegada que cuida do caso, a polícia identificou e ouviu outras vítimas e testemunhas que têm relatos muito parecidos, que denotam um certo padrão de comportamento por parte do investigado. Pelo menos mais uma vítima relatou ter sido abusada sexualmente, aos 12 anos de idade, e outras mulheres já tentaram fazer denúncias, principalmente no Amazonas, onde Melqui Galvão mantém um projeto social.
Alunas que conversaram com a reportagem do SBT, mas preferem não se identificar, disseram que as ligações do lutador com policiais de diversos estados, impediram que as denúncias fossem adiante. Melqui deu treinos para agentes do Bope do Rio de Janeiro e também aparece em diversas fotos em redes sociais ao lado de integrantes da cúpula da Polícia Civil do Amazonas.
Melqui Galvão mora e trabalha em São Paulo, mas também é investigador de polícia no Amazonas. Ele é dono de duas academias, na capital paulista e em Jundiaí, no interior do estado. A prisão aconteceu em Manaus (AM), depois de uma busca realizada na casa dele, em Jundiaí, por ordem da justiça paulista.









