França investiga reaparecimento de site vinculado a estupros contra Gisèle Pelicot
Plataforma de bate-papo também é acusada de facilitar agressões homofóbicas e tráfico de drogas


Camila Stucaluc
A França abriu uma investigação sobre o reaparecimento do site de bate-papo Coco, acusado de facilitar casos de estupro, agressões homofóbicas e tráfico de drogas. A plataforma, hoje sob outro nome, também está ligada a Dominique Pelicot, condenado por dopar a esposa Gisèle Pelicot para que outros homens pudessem estuprá-la.
Criado em 2003, o site Coco foi desenvolvido para promover encontros amorosos, mas, ao longo dos anos, foi atraindo a atenção de traficantes, pedófilos e criminosos sexuais. Em junho de 2024, as autoridades francesas determinaram o encerramento da plataforma, que já havia sido mencionada em mais de 23 mil processos judiciais, incluindo homicídios.
A ligação com o caso Pelicot acelerou o encerramento do site. Na época, os investigadores afirmaram que Dominique recrutou, durante anos, mais de 80 homens através da plataforma para estuprarem a esposa. Dos abusadores, 50 foram julgados e condenados em dezembro do ano passado.
No mesmo ano, Isaac Steidl, fundador da plataforma, foi acusado de posse e difusão de imagens de pornografia infantil, corrupção de menores via internet e cumplicidade no tráfico de entorpecentes. Em nota à imprensa francesa, a defesa de Steidl voltou a rejeitar as acusações e afirmou que o empresário "não tem nada a ver" com o novo site.
Pelas redes sociais, a alta-comissária francesa para a Infância, Sarah El Haïry, informou que identificou a reabertura do site Coco em meados de abril. Ela alertou as autoridades, que agora investigam o caso.
“A reabertura do local de Coco é um verdadeiro tapa na cara da promessa de proteção que fizemos. A fragmentação das responsabilidades enfraquece as proteções. Pedocriminosos, plataformas, criadores: cada um deve responder por suas ações. Responsabilidade total e completa em todos os níveis. Essa é a condição para deter a proliferação”, disse Haïry.
Gisèle Pelicot
O caso que chocou a França foi descoberto por acaso. Em 2020, Dominique Pelicot foi denunciado por tentar filmar a parte íntima de três mulheres em um supermercado. Ao ser investigado, os policiais encontraram milhares de fotos e vídeos da então esposa do francês, inconsciente, sendo abusada por estranhos na casa da família.
Ao continuar revistando o computador de Dominique, os investigadores descobriram que o aposentado oferecia sexo com a esposa por meio de um site. Várias conversas entre ele e homens que aceitaram o convite foram identificadas. Eles tinham entre 21 e 68 anos e, segundo o idoso, tinham conhecimento de que a mulher estaria inconsciente.
No total, foram registrados 92 estupros cometidos por 72 homens contra Gisèle, que foi drogada e exposta aos abusos por 10 anos (2011 – 2020). Dos homens que aceitaram participar do ato, apenas 50 foram identificados.
Em 2025, Dominique, de 72 anos, foi condenado a 20 anos de prisão após confessar os crimes. Os outros 50 homens identificados por participarem dos abusado contra Gisèle também foram condenados, sendo 46 por estupro, dois por tentativa de estupro e dois por agressão sexual. As penas variam entre três e 20 anos de prisão.









