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Homem acusado de drogar ex-mulher para estupros em série é condenado a 20 anos de prisão na França

Dominique Pelicot pegou pena máxima para crime; outros 50 réus também foram condenados por participação nos abusos

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Camila Stucaluc
19/12/2024, 09:50 • Atualizado em 20/12/2024, 00:18
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Gisèle Pélicot | Flickr

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O aposentado Dominique Pelicot, acusado de drogar a ex-esposa para que outros homens pudessem estuprá-la, foi condenado a 20 anos de prisão na França. Na decisão, divulgada nesta quinta-feira (19), o francês foi considerado culpado de todos os crimes pelos quais foi processado, incluindo estupro agravado – o qual admitiu a culpa.

Além de Dominique, outros 50 homens julgados por terem estuprado Gisèle Pelicot com o consentimento do aposentado foram condenados. O tribunal francês considerou 46 deles culpados de estupro, dois culpados de tentativa de estupro e dois culpados de agressão sexual. As penas variam entre três e 20 anos de prisão.

O caso que chocou a França foi descoberto por acaso. Em 2020, Dominique Pelicot foi denunciado por tentar filmar a parte íntima de três mulheres em um supermercado. Ao ser investigado, os policiais encontraram milhares de fotos e vídeos da então esposa do francês, inconsciente, sendo abusada por estranhos na casa da família.

Ao continuar revistando o computador de Dominique, os investigadores descobriram que o aposentado oferecia sexo com a esposa por meio de um site. Várias conversas entre ele e homens que aceitaram o convite foram identificadas. Eles tinham entre 21 e 68 anos e, segundo o idoso, tinham conhecimento de que a mulher estaria inconsciente.

No total, foram registrados 92 estupros cometidos por 72 homens contra Gisèle, que foi drogada e exposta aos abusos por 10 anos (2011 – 2020). Dos homens que aceitaram participar do ato, apenas 50 foram identificados.

Renúncia ao anonimato

Apesar do caso perturbador, Gisèle renunciou ao anonimato e pediu que o julgamento fosse aberto ao público. A decisão causou admiração, já que milhares dos vídeos em que ela aparece sendo abusada foram reproduzidos nas audiências. O cenário também abriu espaço para julgamentos, com pessoas acusando-a de ser cúmplice de Dominique.

“Desde que cheguei a este tribunal, sinto-me humilhada por me chamarem de alcoólatra e dizerem que sou cúmplice do senhor Pelicot. Fiquei em coma e os vídeos podem atestar isso. Até os especialistas, todos homens, ficaram chocados com esses vídeos. Tenho a impressão de que sou a culpada e que os 50 são vítimas”, disse Gisèle.

"O estupro é uma questão de tempo? Três minutos, uma hora? Estou chocada! Se fosse a mãe ou a irmã deles, teriam a mesma defesa? Vieram me estuprar, não importa quanto tempo tenha passado”, continuou a francesa, em depoimento ao tribunal.

No julgamento, alguns dos acusados admitiram a culpa, mas a maioria negou as acusações. Em alguns casos, os réus alegaram ter pensado que estavam se envolvendo em um jogo sexual consensual orquestrado pelo casal. Outros argumentaram que o caso não poderia ser considerado estupro, ja que tinha o conscentimento do marido.

Dominique, hoje com 72, negou ter enganado os homens, dizendo que eles sabiam o que estavam fazendo. "Eu sou um estuprador como os outros nesta sala", disse.

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