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Presidente do Irã pede desculpas publicamente por repressão a protestos

Violência deixou mais de 6 mil mortos, segundo organizações humanitárias; Masoud Pezeshkian prometeu amparar prejudicados

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Camila Stucaluc
Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian | Reprodução

Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian | Reprodução

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu desculpas à população pela repressão aos protestos contra o regime, iniciados no final de 2025. Em discurso na quarta-feira (11), o político se disse “envergonhado” pela violência dos “eventos recentes” e prometeu amparar aqueles que foram prejudicados.

“Estamos envergonhados perante o povo e temos a obrigação de auxiliar todos aqueles que foram afetados nesses incidentes. Não buscamos confronto com o povo”, disse Pezeshkian, durante o 47º aniversário da Revolução Islâmica de 1979. “Não tenho dormido muitas noites e estou muito triste por termos chegado a esta situação, mas não temos outra escolha senão ficar e reconstruir o país”, acrescentou.

As manifestações eclodiram em dezembro de 2025. Inicialmente, a população criticou a economia debilitada e a deterioração das condições de vida, passando rapidamente a mirar o regime teocrático que governa o país desde 1979. Os protestos duraram semanas e foram combatidos com forte repressão, resultando em mais 6,4 mil mortes, conforme dados da Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos.

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Apesar de se desculpar pela violência, Pezeshkian não citou a ação das forças de segurança iranianas nos protestos. Assim como outras autoridades, ele atribui os distúrbios a "terroristas" ligados a estrangeiros. “Inimigos e estrangeiros estão tentando destruir nosso país. Estamos unidos em solidariedade diante de todas as conspirações contra nossa nação. A ferida que foi criada na sociedade é amarga, e nosso trabalho é curá-la”, disse.

Tensão com os EUA

A forte repressão contra os protestos no Irã criou uma tensão com os Estados Unidos. No auge da violência, em janeiro, o presidente Donald Trump ameaçou interferir militarmente no país caso o regime iraniano continuasse reprimindo as manifestações. Disse, ainda, que adotaria “medidas muito duras” caso manifestantes presos fossem executados, conforme chegou a ser anunciado pelo governo.

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