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Em montagem segurando rifle, Trump volta a ameaçar o Irã: "Chega de ser bonzinho"

Declaração ocorre em meio ao impasse nas negociações nucleares entre os países

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Camila Stucaluc
29/04/2026, 10:47 • Atualizado em 29/04/2026, 10:48
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Em montagem segurando rifle, Trump volta a ameaçar o Irã | Reprodução/redes sociais

Em montagem segurando rifle, Trump volta a ameaçar o Irã | Reprodução/redes sociais

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã nesta quarta-feira (29). Pelas redes sociais, o republicano compartilhou uma montagem na qual aparece armado, rodeado de explosões, com a frase “No more Mr. Nice Guy” (“chega de ser bonzinho”, na tradução livre para o português).

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A publicação ocorre em meio às negociações nucleares entre Estados Unidos, Israel e Irã, que estão em guerra desde 28 de fevereiro. Na publicação, Trump acusou Teerã de “não conseguir se organizar”, dizendo que o regime iraniano não sabe “como assinar um acordo não nuclear”. “É melhor eles ficarem espertos logo”, escreveu.

O presidente norte-americano vem demonstrando insatisfação com as negociações desde meados de abril, quando o encontro entre as delegações terminou sem acordo. Em resposta, o republicano ordenou um bloqueio aos portos iranianos, como forma de pressionar o regime a cessar às exigências de Washington.

O bloqueio é o principal impasse nas negociações. Autoridades iranianas pedem que os Estados Unidos suspendam o cerco marítimo para retomar o diálogo. “Um cessar-fogo completo só faz sentido se não for violado pelo bloqueio marítimo”, disse o presidente do Parlamento e principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.

Nesta semana, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, esteve na Rússia, um dos principais aliados do país. O chanceler também visitou o Paquistão, país mediador das negociações, onde acusou os Estados Unidos de exigências excessivas e abordagens incorretas.

“Houve avanços no processo de negociação, mas as abordagens adotadas pelos Estados Unidos levaram ao fracasso da rodada anterior, apesar de algum progresso. Por isso, é necessário que o Irã consulte nosso amigo Paquistão para revisar os últimos desdobramentos e a situação atual”, disse Araghchi.

Entenda

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.

No começo de abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo de duas semanas. A proposta, mediada pelo Paquistão, foi formalizada a menos de 1h30 do fim do ultimato dado pelo presidente norte-americano para a reabertura do Estreito de Ormuz. O republicano havia afirmado que, caso a rota não fosse reaberta, “uma civilização inteira morreria para nunca mais ser ressuscitada”.

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