Política

Ainda vai aparecer muita coisa da "Lei Daniel Vorcaro" para financiamento de artistas, diz Lula

Presidente ironizou Flávio Bolsonaro e relação do senador com ex-dono do Master para reforçar orçamento de filme sobre Jair

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Felipe Moraes
21/05/2026, 17:56 • Atualizado em 21/05/2026, 18:18
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Lula discursa na abertura da oficial da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz (ES) | Divulgação/Tomaz Silva/Agência Brasil

Lula discursa na abertura da oficial da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz (ES) | Divulgação/Tomaz Silva/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a comentar nesta quinta-feira (21), em agenda pública em Aracruz (ES), a relação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com Daniel Vorcaro, em meio à polêmica do financiamento de "Dark Horse", filme sobre Jair Bolsonaro.

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O petista lamentou o que considerou descaso de governos passados com a cultura, sobretudo os ataques à Lei Rouanet, instrumento para captação de recursos, e a extinção do Ministério da Cultura (MinC) nas gestões de Temer e Bolsonaro.

"Todo mundo era muito criticado, achincalhado. A cultura como um todo. A verdade não falha. Nunca fomos atrás da Lei Daniel Vorcaro para financiar nenhum artista brasileiro", ironizou, em referência ao áudio em que Flávio cobra resposta do banqueiro sobre ajuda prometida para compor orçamento do longa-metragem.

"E ainda vai aparecer muito mais coisa. Porque nós estamos convencidos de que o período da mentira, das ofensas, da violência, da incivilidade precisa acabar no nosso país", acrescentou Lula em discurso na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, evento que reúne grupos de cultura popular e povos tradicionais e não era realizado há 12 anos.

Lula afirmou que governos passados não deram importância à cultura porque ela "move milhões de neurônios na nossa cabeça".

"É por isso que muita gente nunca gostou de cultura. Determinadas pessoas que governaram esse país não querem saber de investimento em cultura, não querem ir em teatro, em cinema", disse.

"Lamentavelmente, a cultura política do país é assim. Tem que passar ideia de uma seriedade que ninguém. Passar ideia que você é o que você não é", acrescentou.

Novamente sem citar diretamente o nome de Flávio Bolsonaro, questionou: "Quem imaginava que aquele menino que parecia ser a pessoa mais santa da família Bolsonaro tivesse pegando 159 milhões de dólares pra fazer um filme do pai? Ninguém imaginava. E isso é apenas o que a gente sabe agora".

Na verdade, segundo documentos e mensagens revelados pelo site Intercept Brasil, Vorcaro se comprometera, em novembro de 2025, a enviar US$ 24 milhões (R$ 134 milhões à época) para financiar a produção de "Dark Horse". Desse valor, cerca de US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões, também considerando a cotação no período da transferência) já tinham sido pagos entre fevereiro e maio do ano passado.

Eleições, Trump, IA e segurança nacional

Como já fez em outras agendas públicas, o petista despistou sobre concorrer a um quarto mandato, afirmando à plateia de presentes que "não é Lula que tem que ser candidato, são vocês que têm que ser".

"Não é uma pessoa que está em jogo, é a democracia desse país, é a civilidade nesse país", continuou.

Ainda sobre eleições de 2026, falou que a inteligência artificial (IA) pode trazer benefícios para áreas como saúde, educação e engenharia, mas vê papel danoso dessa tecnologia no pleito.

"A IA não poderia servir pra política. Porque você não pode comprar mentira, votar em mentira, votar em coisa abstrata. Você está votando em alguém que vai governar o seu país, a sua cidade, o seu estado. É por isso que vocês que têm que ser candidatos", seguiu.

Lula também citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e reforçou a necessidade de o Brasil reforçar sua soberania nacional contra ataques externos.

"Um país que tem tanto minério de ferro, tanto ouro, tantos minerais críticos, tantas terras raras, que a gente nem sabe o que a gente tem, ficar desguarnecido como está. Qualquer um que quiser invadir, vem e invade. Não temos segurança necessária. Porque nunca pensamos nisso."

"Mas agora, depois que Trump disse que a Groenlândia é dele, que o Canadá é dele, que o Canal do Panamá é dele. Quem é que ele [sic] não vai dizer que a Amazônia é dele? Quem é que diz? Então, é o seguinte, vamos ter que cuidar. Assumir a responsabilidade de cuidar desse país. Se a gente não cuidar, daqui a pouco vem um maluco e quer tomar esse país. Não foi assim a Guerra do Paraguai?", comentou o presidente.

Citando encontros com o mandatário dos EUA, Lula sugeriu que "nós é que deveríamos estar nervosos, não ele" em relação à balança comercial entre os países.

"Falei: 'Cara, não adianta. Não quero quero guerra com você. Eu quero fazer guerra com você é de narrativa, provar que você está errado e que o Brasil está certo'. Quando disse que era deficitário com Brasil, fui provar que eles tiveram superávit de US$ 415 bilhões."

O chefe do Executivo ainda voltou a dizer que quer colaborar com os EUA no combate ao crime organizando, repetindo que já passou ao presidente norte-americano informações sobre "aquele Ricardo Magro, aquele cara da Refit, falsificador de combustível e maior devedor de impostos desse país, que está morando em Miami".

"Entreguei pro Trump endereço da casa e o nome dele. Quer combater o crime, me entregue logo esse aí. Nossa Polícia Federal está preparada."

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