Haddad diz que privatização tornou Sabesp a “Enel da água”
Pré-candidato ao governo de SP critica Tarcísio de Freitas e diz que companhia tem mais reclamações no Procon que a concessionária de energia


Victor Schneider
O ex-ministro Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo, chamou o processo de privatização da Sabesp de “lambança” e afirmou que vai revisar o contrato assinado pelo adversário e atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), caso eleito. A declaração foi feita a jornalistas nesta quinta-feira (21), depois de uma roda de conversas promovida pela Faculdade de Economia da Unifesp, em Osasco (SP).
“O governador Tarcísio criou a 'Enel da água', porque ela supera no Procon as queixas da própria Enel. A Sabesp superou a Enel em termos de mau atendimento. Nós não podemos admitir isso. Mas esse é um outro problema, tem a ver com o contrato que foi assinado e eu vou ter que averiguar as cláusulas protetivas dos consumidores, porque as pessoas estão se sentindo desamparadas com essa lambança que foi feita", afirmou Haddad.
Dados do Procon-SP mostram que a Sabesp recebeu 8.875 reclamações até o momento em 2026, com cobranças indevidas (3.829) liderando a lista. Já a Enel tem 4.133, também puxadas por cobranças irregulares.
Haddad comparou a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo com a Enel dada a imagem negativa que a concessionária de energia acumulou entre os moradores da região metropolitana, nos últimos anos. Episódios frequentes de interrupção no fornecimento de energia sem uma readequação da prestação do serviço levaram a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) a abrir um processo para encerrar a concessão em abril.
A distribuição de energia em São Paulo foi privatizada em 1998, no governo Mário Covas (1930-2001). Hoje, a Enel abastece cerca de 18 milhões de pessoas em 24 cidades. Já a Sabesp foi privatizada em julho de 2024 em licitação que envolveu apenas a empresa vencedora, o Grupo Equatorial. O Estado passou a deter apenas 18,3% da empresa – antes da venda de ações, essa porcentagem era de 50,3%.
Ainda tecendo críticas à privatização da Sabesp, Haddad falou sobre episódio envolvendo 'mortes causadas por falhas humanas' na companhia. Ao menos duas pessoas morreram depois que obras da Sabesp atingiram uma tubulação da Comgás no bairro do Jaguaré, na zona oeste, em 11 de maio. A explosão varreu uma área de 2km² e destruiu completamente 16 casas, além de afetar uma centena de outras.
“Vocês estão acompanhando não só os acidentes horríveis que estão acontecendo com vidas sem perdidas e tudo mais, mas também o fato de que o serviço está piorando tanto do ponto de vista do abastecimento em si, da qualidade do abastecimento – quando ele ocorre –, como do ponto de vista da tarifa, que o governador prometeu reduzir e aumentou", criticou Haddad.
O reajuste médio nas contas de água e esgoto foi de 6,11% e começou a valer em janeiro. Segundo o governador Tarcísio de Freitas, o valor é referente ao reajuste da inflação do período de privatização até outubro de 2025.
O SBT News procurou a Sabesp para questionar sobre os comentários de Fernando Haddad, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.









