Explosão em SP: morador mostra em vídeo suspeita de vazamento de gás antes de acidente
Testemunhas dizem que já sentiam cheiro forte; moradores foram retirados do local somente após explosão

Caroline Vale
Moradores do bairro Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, afirmam que já percebiam cheiro de gás horas antes da explosão que matou um homem e destruiu imóveis na tarde de segunda-feira (11). O caso ocorreu durante uma obra de remanejamento de tubulação de água realizada pela Sabesp, que confirmou que uma rede de gás foi atingida durante o serviço. Não houve isolamento da área. Somente após a explosão, os moradores foram retirados de suas casas.
Um morador registrou em vídeo um possível vazamento antes do acidente (assista acima). Outros residentes relataram à equipe de jornalismo do SBT que desconfiavam do problema por causa de um forte cheiro de gás.
Além disso, moradores disseram que, por volta de 13 horas, comunicaram a concessionária responsável pelo gás sobre o odor. A explosão ocorreu depois desse horário.
Defesa Civil diz que avalia relatos
Durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (12), o porta-voz da Defesa Civil, tenente Maxwell Souza, confirmou que os relatos dos moradores serão analisados pelas autoridades responsáveis pela investigação. O tenente destacou que os horários informados pela população serão apurados oficialmente.
"Essas informações que os moradores trazem são importantes, vão ser consideradas na fase de investigação. Temos que lembrar que a Polícia Civil está conduzindo uma investigação competente que vai apontar causas e possíveis responsabilizações."
Ele também explicou que, neste momento, a prioridade das equipes é o atendimento às vítimas e o acolhimento das famílias afetadas. Sobre os vídeos que mostram um suposto vazamento, ele afirmou: "Essas imagens que circularam são importantes para o campo pericial e o campo policial. E isso tudo está sendo considerado, já consta em inquérito."
Também na coletiva, a Comgás confirmou que os chamados foram feitos antes da explosão. As autoridades tentam entender por que o fornecimento não foi interrompido antes do acidente.
Segundo o tenente, ainda não é possível determinar o local preciso onde ocorreu o início da explosão. "A perícia é feita para identificar uma série de fatores. O vetor da explosão, o possível epicentro dessa explosão. Isso é feito de forma pormenorizada."
Não há risco de novos vazamentos, segundo ele. O principal risco atual é estrutural, devido à possibilidade de desabamento de paredes ou tetos fragilizados. Por isso, moradores ainda não foram autorizados a retornar às residências atingidas até a conclusão das vistorias.
Um morto, três feridos e dezenas de imóveis destruídos
De acordo com a Defesa Civil, um homem de 45 anos morreu após ficar soterrado pelos escombros. A família pretende realizar o enterro em Minas Gerais, com custos assumidos pelas empresas envolvidas.
Ao menos 46 imóveis foram danificados pela explosão, sendo que 10 foram completamente destruídos, conforme informou o próprio tenente durante a coletiva. Na segunda-feira, 160 pessoas foram afetadas, sendo que 61 desabrigados pernoitaram em um hotel pago pelas concessionárias.
Três pessoas foram socorridas:
- um homem foi entubado e permanece estável no Hospital Regional de Osasco;
- outro teve escoriações e já recebeu alta do Hospital Universitário da USP;
- o terceiro ferido, funcionário da Sabesp, segue internado no Hospital das Clínicas, em estado estável.
O que dizem as empresas
Em nota, a Comgás afirmou que recebeu chamado para atendimento de vazamento causado por obras de terceiros e declarou que não realizava intervenções no local.
Já a Sabesp informou que acionou a concessionária responsável imediatamente após o dano na rede de gás e que, “durante a mobilização da equipe técnica para realização do reparo, ocorreu a explosão”. "As causas da ocorrência estão sendo apuradas pelas empresas e pelas autoridades competentes", disse na nota.
Nesta terça-feira, a Sabesp anunciou que vai aumentar de R$ 2 mil para R$ 5 mil o valor do auxílio emergencial às famílias atingidas pela explosão. Ainda segundo informações da Defesa Civil, já há 194 famílias cadastradas para receber a ajuda financeira.
A Polícia Civil investiga o caso para esclarecer as causas do acidente e apurar eventuais responsabilidades, incluindo a análise dos relatos de moradores sobre o cheiro de gás percebido antes da explosão.









