Brasil

Explosão em SP: morador mostra em vídeo suspeita de vazamento de gás antes de acidente

Testemunhas dizem que já sentiam cheiro forte; moradores foram retirados do local somente após explosão

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Moradores do bairro Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, afirmam que já percebiam cheiro de gás horas antes da explosão que matou um homem e destruiu imóveis na tarde de segunda-feira (11). O caso ocorreu durante uma obra de remanejamento de tubulação de água realizada pela Sabesp, que confirmou que uma rede de gás foi atingida durante o serviço. Não houve isolamento da área. Somente após a explosão, os moradores foram retirados de suas casas.

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Um morador registrou em vídeo um possível vazamento antes do acidente (assista acima). Outros residentes relataram à equipe de jornalismo do SBT que desconfiavam do problema por causa de um forte cheiro de gás.

Além disso, moradores disseram que, por volta de 13 horas, comunicaram a concessionária responsável pelo gás sobre o odor. A explosão ocorreu depois desse horário.

Defesa Civil diz que avalia relatos

Durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (12), o porta-voz da Defesa Civil, tenente Maxwell Souza, confirmou que os relatos dos moradores serão analisados pelas autoridades responsáveis pela investigação. O tenente destacou que os horários informados pela população serão apurados oficialmente.

"Essas informações que os moradores trazem são importantes, vão ser consideradas na fase de investigação. Temos que lembrar que a Polícia Civil está conduzindo uma investigação competente que vai apontar causas e possíveis responsabilizações."

Ele também explicou que, neste momento, a prioridade das equipes é o atendimento às vítimas e o acolhimento das famílias afetadas. Sobre os vídeos que mostram um suposto vazamento, ele afirmou: "Essas imagens que circularam são importantes para o campo pericial e o campo policial. E isso tudo está sendo considerado, já consta em inquérito."

Também na coletiva, a Comgás confirmou que os chamados foram feitos antes da explosão. As autoridades tentam entender por que o fornecimento não foi interrompido antes do acidente.

Segundo o tenente, ainda não é possível determinar o local preciso onde ocorreu o início da explosão. "A perícia é feita para identificar uma série de fatores. O vetor da explosão, o possível epicentro dessa explosão. Isso é feito de forma pormenorizada."

Não há risco de novos vazamentos, segundo ele. O principal risco atual é estrutural, devido à possibilidade de desabamento de paredes ou tetos fragilizados. Por isso, moradores ainda não foram autorizados a retornar às residências atingidas até a conclusão das vistorias.

Um morto, três feridos e dezenas de imóveis destruídos

De acordo com a Defesa Civil, um homem de 45 anos morreu após ficar soterrado pelos escombros. A família pretende realizar o enterro em Minas Gerais, com custos assumidos pelas empresas envolvidas.

Ao menos 46 imóveis foram danificados pela explosão, sendo que 10 foram completamente destruídos, conforme informou o próprio tenente durante a coletiva. Na segunda-feira, 160 pessoas foram afetadas, sendo que 61 desabrigados pernoitaram em um hotel pago pelas concessionárias.

Três pessoas foram socorridas:

  • um homem foi entubado e permanece estável no Hospital Regional de Osasco;
  • outro teve escoriações e já recebeu alta do Hospital Universitário da USP;
  • o terceiro ferido, funcionário da Sabesp, segue internado no Hospital das Clínicas, em estado estável.

O que dizem as empresas

Em nota, a Comgás afirmou que recebeu chamado para atendimento de vazamento causado por obras de terceiros e declarou que não realizava intervenções no local.

Já a Sabesp informou que acionou a concessionária responsável imediatamente após o dano na rede de gás e que, “durante a mobilização da equipe técnica para realização do reparo, ocorreu a explosão”. "As causas da ocorrência estão sendo apuradas pelas empresas e pelas autoridades competentes", disse na nota.

Nesta terça-feira, a Sabesp anunciou que vai aumentar de R$ 2 mil para R$ 5 mil o valor do auxílio emergencial às famílias atingidas pela explosão. Ainda segundo informações da Defesa Civil, já há 194 famílias cadastradas para receber a ajuda financeira.

A Polícia Civil investiga o caso para esclarecer as causas do acidente e apurar eventuais responsabilidades, incluindo a análise dos relatos de moradores sobre o cheiro de gás percebido antes da explosão.

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