Fachin diz que Ricardo Couto tem "apoio incondicional" do STF no governo do RJ
Presidente da Corte garante estabilidade ao desembargador até definição do mandato-tampão e diz que Supremo cortará bônus acima do teto


Vicklin Moraes
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta sexta-feira (10) que o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e atual governador em exercício, possui "apoio incondicional" da Corte para conduzir o estado durante o período de transição. As declarações foram dadas durante um evento na sede do TJRJ, onde Fachin participou de atividades do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
"O Supremo Tribunal Federal entendeu por chancelar a governadoria em exercício para a presidência do Tribunal de Justiça. Quando chancelamos o exercício pleno das funções, o Tribunal está a dizer que a Justiça tem o apoio do Poder Judiciário na sua cúpula para realizar essa missão, ainda que seja de natureza transitória", afirmou Fachin.
Questionado sobre a eleição de um novo presidente da Assembleia Legislativa (Alerj) na próxima semana, o que poderia alterar a linha sucessória constitucional, Fachin foi enfático ao manter o entendimento atual da Corte. O ministro explicou que o STF decidiu manter o presidente do TJ à frente do Executivo enquanto aguarda a publicação do acórdão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o mandato-tampão no Rio.
"O Supremo decidiu ontem: enquanto aguardamos a publicação do acórdão no TSE, o governador em exercício é o presidente do Tribunal de Justiça do Estado. Cabe-me, como presidente, cumprir essa decisão", pontuou.
Nessa quinta (9), o STF formou maioria de 4 a 1 a favor da realização de eleição indireta para definir o governador que cumprirá o mandato-tampão no Rio de Janeiro, mesmo após o pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Apesar da suspensão do julgamento, os ministros André Mendonça, Nunes Marques e Cármen Lúcia anteciparam seus votos. A análise ocorre após a renúncia de Cláudio Castro no fim de março, movimento que transferiu à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) a escolha do novo chefe do Executivo estadual e evitou a convocação de eleições diretas.
Penduricalhos
Sobre a recente decisão do CNJ a respeito de benefícios salariais a magistrados, criticada por supostamente burlar o teto constitucional, Fachin afirmou que o objetivo é "colocar ordem" na matéria. Segundo ele, as resoluções do CNJ buscam cumprir as determinações do Supremo.
"Queremos colocar ordem com racionalidade e responsabilidade fiscal, mas também com respeito à magistratura. Juízes julgam o crime organizado e o tráfico em condições desafiadoras. Queremos conjugar o respeito ao teto constitucional com o respeito à magistratura", declarou.









