Política

Castro confirma renúncia ao governo do Rio para evitar cassação

Saída antecipada tenta impedir eleição direta e garantir direitos políticos; decisão do STF embaralha disputa e derruba favoritos ao mandato tampão

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), comunicou a aliados nesta sexta-feira (20) que oficializará sua renúncia ao cargo na próxima segunda-feira (23). A decisão é uma manobra política e jurídica para evitar os efeitos de um possível avanço do processo de cassação no Tribunal Superior Eleitoral.

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Com a saída, o estado do Rio será comandado interinamente por Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, enquanto a Assembleia Legislativa do estado se prepara para realizar uma eleição indireta — processo que foi suspenso por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

A renúncia ocorre no mesmo dia em que foi publicada a saída de Eduardo Paes (PSD) da Prefeitura do Rio. O agora ex-prefeito deixou o cargo para disputar o governo estadual com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, transferindo a gestão municipal ao vice, Eduardo Cavalieri.

A pressa de Castro tem motivo e prazo. Na terça-feira (24), o TSE retoma o julgamento de um recurso que pode torná-lo inelegível por oito anos e resultar na perda do mandato. Apesar de vitória anterior no TRE-RJ, o governador já acumula dois votos contrários na Corte superior, incluindo o da relatora, ministra Isabel Gallotti.

Caso fosse cassado no cargo, a legislação exigiria a convocação de novas eleições diretas. Ao renunciar antes de eventual condenação, Castro tenta forçar uma eleição indireta, transferindo à Alerj a escolha de um governador tampão, e preservando seus direitos políticos para disputar o Senado.

Como parte da articulação, Castro exonerou 11 secretários nesta sexta-feira. Entre eles está Felipe Curi, ex-secretário da Polícia Civil, que deve concorrer a deputado federal pelo PL, em grupo ligado ao senador Flávio Bolsonaro.

STF interfere e desmonta cenário da sucessão

O plano político de Castro sofreu revés após ação judicial movida por Eduardo Paes. O ministro Luiz Fux, do STF, concedeu liminar exigindo que candidatos ao governo tampão que ocupem cargos com poder de ordenar despesas deixem suas funções com pelo menos seis meses de antecedência.

A decisão embaralhou completamente a disputa e retirou da corrida os principais nomes. Pela base de Castro, caiu Douglas Ruas, ex-secretário de Cidades. Do outro lado, foi inviabilizada a candidatura de André Ceciliano, que tinha apoio do Planalto e de Paes.

Sem favoritos claros, grupos políticos buscam alternativas. Nos bastidores, o nome do senador Carlos Portinho ganha força como possível solução de consenso para comandar o estado até o fim do mandato.

Crise política e ruptura

O vácuo de poder ocorre em meio ao rompimento entre Castro e Paes. A relação se deteriorou após operação da Polícia Civil, então comandada por Felipe Curi, prender o vereador Salvino, aliado do ex-prefeito, sob suspeita de ligação com o crime organizado.

Paes acusou o governo estadual de uso político da polícia para enfraquecer sua base eleitoral. A reação veio no Judiciário, com a ação no STF que acabou travando a eleição indireta planejada pelo grupo de Castro.

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