Mendonça declara apoio a Messias no STF: "Que em breve você possa deixar a AGU por um bom motivo"
Ministro do Supremo celebrou carreiras dele próprio e do colega na Advocacia-Geral da União; nome do indicado por Lula ainda será sabatinado e votado no Senado

Felipe Moraes
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou na noite dessa segunda-feira (6) apoio público ao nome de Jorge Messias para ocupar uma vaga de magistrado da Corte. Em discurso após receber o Colar de Honra ao Mérito da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), fez elogios ao colega e afirmou torcer para que ele seja aprovado no Senado Federal.
"Nossas carreiras na AGU foram grandes divisores de águas pras nossas correspondentes trajetórias", disse Mendonça, citando Messias como um dos "grandes amigos" entre autoridades presentes na homenagem. "Faço votos que em breve você possa deixar a AGU por um motivo, de estar comigo no Supremo Tribunal Federal", acrescentou.
Também participaram da cerimônia o governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), que estava ao lado de Messias na solenidade. Indicado ao STF por Jair Bolsonaro (PL), Mendonça comandou a AGU e o Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo do ex-presidente e compartilha outra afinidade com Messias: ambos são evangélicos.
O atual ministro-chefe da AGU está no cargo desde janeiro de 2023, início do terceiro governo do presidente Lula (PT), e foi indicado pelo mandatário ao STF em novembro de 2025, para vaga aberta com a aposentadoria precoce de Luís Roberto Barroso.
A mensagem que formaliza a indicação, porém, só foi enviada ao Senado na semana passada. Para se tornar ministro do Supremo, Messias ainda precisa passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e ser aprovado com maioria de votos tanto no colegiado como no plenário, com apoio de no mínimo 41 senadores. Ainda não há data definida para início desse processo, que depende de decisão do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
"Magistrado só pode ter um interesse: fazer o que é certo", diz Mendonça
Relator no Supremo de dois casos de grande repercussão política no momento, o Banco Master e as fraudes por descontos indevidos em benefícios do INSS, Mendonça afirmou no discurso que um magistrado deve "olhar para as pessoas de modo igualitário" e "considerar os interesses envolvidos de forma equânime". "É você não privilegiar amigos e você não perseguir inimigos. Esse é um compromisso que faço na casa do povo de São Paulo", reforçou.
Mendonça falou de quatro compromissos que considera inegociáveis para "um bom magistrado" e "um bom homem público": imparcialidade, integridade, responsabilidade e buscar justiça. "Não é que somos imunes a erros", ponderou.
"Não estamos imunes a incompreensões. Mas precisamos estar imunes a ações que comprometam de forma substancial, voluntária e consciente a credibilidade que a sociedade espera de um bom magistrado. Isso acaba exigindo de nós um grau de recatamento, no bom sentido da expressão. Bom magistrado precisa ser prudente", completou.
O ministro também falou do que sentiu assim que tomou posse no STF, em 2021, e entrou pela primeira vez em seu gabinete, acompanhado da esposa e dos dois filhos. "Deus colocou no meu coração o que falei lá e repito aqui. Eu disse: 'Talvez o sentimento comum num momento como esse seja de poder'. Eu disse à minha família, 'o que estou sentindo hoje é dever'. O problema é quando confundimos isso. É o princípio da nossa queda", comentou.
Na parte final da fala, compartilhou ainda o que chamou de "o grande desafio" para integrantes da Justiça. "As partes têm interesses, a minoria tem, a maioria tem. Os grupos têm. Os partidos políticos têm. As organizações e associações de classe têm. O magistrado só pode ter um interesse: fazer o que é certo."









