Líderes militares iraquianos e especialistas em segurança acreditam que saída fortalece o Irã
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André de Sena, com informações da Reuters
Exército dos Estados Unidos no Iraque | US Army/Timothy VanDusen
As tropas dos Estados Unidos devem se retirar de suas últimas bases no Iraque até esta quarta-feira (30). Os soldados de Washington estavam no país desde 2003.
A retirada foi acordada em 2024 durante o mandato do presidente democrata Joe Biden. O governo do republicano Donald Trump decidiu dar prosseguimento à implementação dessa medida mesmo em meio à guerra com o Irã, que faz fronteira e exerce influencia sobre o Iraque.
Especialistas em segurança iraquianos ouvidos pela agência de notícias Reuters afirmam que a retirada pode fortalecer o regime de Teerã e seus aliados.
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"O Irã tem a ganhar estrategicamente com a saída da coalizão, pois isso elimina uma presença militar que, durante anos, serviu de contrapeso à influência de Teerã no Iraque", disse o analista de segurança iraquiano Jasim al-Bahadli, especializado no estudo de grupos armados xiitas alinhados ao Irã.
De acordo com ele, as milícias pró-Irã devem aproveitar a saída das forças norte-americanas para ter "maior influência sobre a segurança e a tomada de decisões políticas".
Abu Mojtaba al-Yasiri, comandante da Resistência Islâmica no Iraque, grupo que reúne facções armadas apoiadas pelo Irã, classificou a retirada dos Estados Unidos como "uma vitória histórica para os grupos de resistência islâmica iraquianos e para os iraquianos honrados, e uma derrota esmagadora para o projeto norte-americano".
"O Iraque provou que sua soberania não pode ser assegurada por forças estrangeiras, mas sim pela resistência e pela vontade de seu povo", disse ele à Reuters.
Irã comemora retirada
O governo iraniano, que está em guerra com os Estados Unidos desde fevereiro de 2026, comemorou. O vice-presidente da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Amir Hayat Moqaddam, disse que seu país "acolhe com satisfação a retirada das tropas norte-americanas do Iraque e, sem dúvida, a apoiará". Ele também salientou que "grupos de resistência estão atualmente em ação, por vezes visando e confrontando tropas dos EUA."
No conflito iniciado em fevereiro, sete dos 18 militares norte-americanos que perderam suas vidas estavam no Iraque. A morte mais recente ocorreu em uma base perto da cidade de Arbil em julho, após um ataque com drone.
A invasão dos Estados Unidos ao Iraque teve início em 2003 e culminou com a morte do ditador muçulmano sunita Saddam Hussein. Após instalarem um governo liderado por xiitas, as forças norte-americanas ainda travaram uma guerra contra insurgentes até se retirarem em 2011.
Três anos depois, em 2014, as tropas estadunidenses voltaram ao território iraquiano. Desta vez para confrontar o grupo militante sunita Estado Islâmico. O conflito durou até 2017, mas soldados de Washington permaneceram no país.
Atualmente o Iraque está dividido entre a região administrada pelo seu governo federal e a área semiautônoma do norte, comandada pelos curdos. Oficiais de segurança desses dois territórios temem que a retirada dos Estados Unidos dê espaço para um novo levante do Estado Islâmico.
Segundo o comandante curdo Sirwan Barzani, a ausência de informações de inteligência, apoio logístico e drones dos Estados Unidos dará ao grupo terrorista a chance de se reagrupar. "Há mais de duas semanas que notamos movimentação de células adormecidas do Estado Islâmico, depois do anúncio na mídia de que haverá uma retirada oficial da coalizão internacional do Iraque até o final de setembro", alertou.
No auge de sua força, os combatentes do Estado Islâmico chegaram a ocupar um terço do território iraquiano, matando milhares de pessoas de diversas nacionalidades, incluindo centenas que tiveram suas execuções filmadas para que os vídeos fossem compartilhados pela imprensa internacional.
"Acreditamos que o Iraque ainda não está totalmente preparado para assumir a responsabilidade pela segurança neste momento", afirmou Abdulrahman al-Zobaie, um líder tribal sunita da cidade de Fallujah, outrora um bastião da resistência anti-americana.
"Todos os iraquianos aspiram à plena soberania, e nenhum iraquiano contestaria isso. Mas acredito que a saída da coalizão liderada pelos EUA, criando um vácuo de poder, é o que todos os iraquianos temem", acrescentou.
Tropas dos Estados Unidos se retiram do IraqueLíderes militares iraquianos e especialistas em segurança acreditam que saída fortalece o IrãMundo2026-09-29T17:14:48.341ZAs tropas dos Estados Unidos devem se retirar de suas últimas bases no Iraque até esta quarta-feira (30). Os soldados de Washington estavam no país desde 2003. A retirada foi acordada em 2024 durante o mandato do presidente democrata Joe Biden. O governo do republicano Donald Trump decidiu dar prosseguimento à implementação dessa medida mesmo em meio à guerra com o Irã, que faz fronteira e exerce influencia sobre o Iraque. Especialistas em segurança iraquianos ouvidos pela agência de notícias Reuters afirmam que a retirada pode fortalecer o regime de Teerã e seus aliados. "O Irã tem a ganhar estrategicamente com a saída da coalizão, pois isso elimina uma presença militar que, durante anos, serviu de contrapeso à influência de Teerã no Iraque", disse o analista de segurança iraquiano Jasim al-Bahadli, especializado no estudo de grupos armados xiitas alinhados ao Irã. De acordo com ele, as milícias pró-Irã devem aproveitar a saída das forças norte-americanas para ter "maior influência sobre a segurança e a tomada de decisões políticas". Abu Mojtaba al-Yasiri, comandante da Resistência Islâmica no Iraque, grupo que reúne facções armadas apoiadas pelo Irã, classificou a retirada dos Estados Unidos como "uma vitória histórica para os grupos de resistência islâmica iraquianos e para os iraquianos honrados, e uma derrota esmagadora para o projeto norte-americano". "O Iraque provou que sua soberania não pode ser assegurada por forças estrangeiras, mas sim pela resistência e pela vontade de seu povo", disse ele à Reuters. Irã comemora retirada O governo iraniano, , comemorou. O vice-presidente da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Amir Hayat Moqaddam, disse que seu país "acolhe com satisfação a retirada das tropas norte-americanas do Iraque e, sem dúvida, a apoiará". Ele também salientou que "grupos de resistência estão atualmente em ação, por vezes visando e confrontando tropas dos EUA." No conflito iniciado em fevereiro, sete dos 18 militares norte-americanos que perderam suas vidas estavam no Iraque. A morte mais recente ocorreu em uma base perto da cidade de Arbil em julho, após um ataque com drone. Washington também acusa paramilitares iraquianos apoiados por Teerã de lançar ofensivas contra países vizinhos. . O governo de Bagdá afirma que tenta conter a influência desses grupos. Estado Islâmico A invasão dos Estados Unidos ao Iraque teve início em 2003 e culminou com a morte do ditador muçulmano sunita Saddam Hussein. Após instalarem um governo liderado por xiitas, as forças norte-americanas ainda travaram uma guerra contra insurgentes até se retirarem em 2011. Três anos depois, em 2014, as tropas estadunidenses voltaram ao território iraquiano. Desta vez para confrontar o grupo militante sunita Estado Islâmico. O conflito durou até 2017, mas soldados de Washington permaneceram no país. Atualmente o Iraque está dividido entre a região administrada pelo seu governo federal e a área semiautônoma do norte, comandada pelos curdos. Oficiais de segurança desses dois territórios temem que a retirada dos Estados Unidos dê espaço para um novo levante do Estado Islâmico. Segundo o comandante curdo Sirwan Barzani, a ausência de informações de inteligência, apoio logístico e drones dos Estados Unidos dará ao grupo terrorista a chance de se reagrupar. "Há mais de duas semanas que notamos movimentação de células adormecidas do Estado Islâmico, depois do anúncio na mídia de que haverá uma retirada oficial da coalizão internacional do Iraque até o final de setembro", alertou. No auge de sua força, os combatentes do Estado Islâmico chegaram a ocupar um terço do território iraquiano, matando milhares de pessoas de diversas nacionalidades, incluindo centenas que tiveram suas execuções filmadas para que os vídeos fossem compartilhados pela imprensa internacional. "Acreditamos que o Iraque ainda não está totalmente preparado para assumir a responsabilidade pela segurança neste momento", afirmou Abdulrahman al-Zobaie, um líder tribal sunita da cidade de Fallujah, outrora um bastião da resistência anti-americana. "Todos os iraquianos aspiram à plena soberania, e nenhum iraquiano contestaria isso. Mas acredito que a saída da coalizão liderada pelos EUA, criando um vácuo de poder, é o que todos os iraquianos temem", acrescentou. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/tropas-dos-estados-unidos-se-retiram-do-iraque
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