Despejo de idosa em maca faz Espanha rever lei; entenda
Governo propõe renovar contratos de aluguel e restringir despejos em meio à crise habitacional e aos protestos após retirada de Maricarmen Abascal, de 87 anos

Espanha propõe proibir despejos até 2030 após protestos. | Reprodução/Reuters
O governo de coalizão liderado pela centro-esquerda da Espanha afirmou, nesta terça-feira (29), ter chegado a um acordo sobre propostas que incluem a proibição de despejos até 2030 para enfrentar a crise habitacional do país.
A oferta de moradias e os preços dos aluguéis se tornaram um grande problema na Espanha, especialmente no caso de Maricarmen Abascal, de 87 anos, cujo despejo forçado na semana passada desencadeou uma onda de protestos em Madri.
"[O decreto inclui] o fim dos despejos. Devemos garantir que nunca mais vejamos um caso como o de Maricarmen em nosso país. A sociedade espanhola não pode suportar isso, e este é um grito de socorro que todos os grupos políticos representados no parlamento devem atender, e devemos pôr um fim definitivo à especulação", disse a ministra da habitação da Espanha, Isabel Rodriguez.
Centenas de pessoas permaneceram acampadas em uma das principais praças de Madri nesta terça para protestar contra a retirada de Maricarmen Abascal de sua casa em uma maca, na última quarta-feira passada (23).
Os manifestantes têm exigido reformas legais, incluindo o congelamento dos aluguéis, bem como a renovação automática dos contratos de locação sem aumentos abusivos.
A ministra da Habitação espanhola, Isabel Rodríguez, afirmou que os ministros chegaram a um acordo com o parceiro de coligação Sumar para um conjunto de novas medidas, incluindo a renovação automática de contratos até 2028 e a proibição de fundos abutres realizarem "compras especulativas" no mercado imobiliário.
No entanto, o governo minoritário enfrenta uma batalha árdua para garantir apoio em um parlamento fragmentado.
As medidas serão divididas em dois decretos a serem votados no parlamento na próxima sexta-feira (2), cabendo à maioria aprovar o primeiro decreto.
"É lamentável que tenhamos presenciado uma falha coletiva, porque acredito que o caso de Maricarmen foi uma falha coletiva. Precisávamos presenciar o despejo de Maricarmen para que as coisas mudassem, para que o país se movesse, para que as posições políticas mudassem. E nesta sexta-feira, o parlamento tem uma oportunidade", afirmou a ministra.
















