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EUA mobilizam Pentágono contra interferência nas eleições

Memorando determina ações de inteligência e defesa cibernética contra possíveis 'ameaças estrangeiras' às eleições legislativas de novembro

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Presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Kevin Lamarque/Reuters - 28.09.2026

Presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Kevin Lamarque/Reuters - 28.09.2026

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, determinou a mobilização de órgãos de inteligência e defesa cibernética do Pentágono contra possíveis interferências estrangeiras nas eleições legislativas de 3 de novembro. A ordem foi assinada em 22 de setembro e divulgada nesta segunda-feira (28).

O memorando estabelece três frentes de atuação: priorizar os recursos de inteligência e segurança cibernética do departamento, reunir informações sobre "ameaças estrangeiras" ao pleito e coordenar com o Departamento de Segurança Interna a resposta a possíveis ataques virtuais. Segundo o portal "Axios", autoridades afirmaram que a operação também usará recursos de inteligência artificial.

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Nenhum país foi citado nominalmente como uma possível "ameaça estrangeira" às eleições legislativas norte-americanas. No documento, Hegseth afirma apenas que "nos EUA, o povo governa" e defende que "a voz do povo permaneça soberana, segura e sem qualquer distorção."

A participação de especialistas militares na proteção digital das eleições não é inédita. As Forças Armadas americanas já ajudam a monitorar ameaças e a conter possíveis ataques desde que a infraestrutura eleitoral passou a ser considerada crítica, em 2017. O Comando Cibernético dos EUA e a Agência de Segurança Nacional, a NSA, tiveram atribuições semelhantes em eleições anteriores.

O anúncio ocorre após cortes que enfraqueceram a atuação da agência civil responsável pela segurança cibernética eleitoral, a CISA. À Associated Press, David Becker, diretor do Centro de Inovação e Pesquisa Eleitoral, questionou a eficácia de anunciar novas medidas a poucas semanas da votação depois da redução da capacidade federal nessa área.

Tropas nas eleições?

Em maio, questionado sobre a possibilidade de enviar agentes de imigração ou integrantes da Guarda Nacional aos locais de votação, Trump afirmou que faria "o que fosse necessário para garantir eleições honestas". A resposta gerou preocupação entre democratas, embora não tenha havido o anúncio do envio de tropas.

Em agosto, a senadora democrata Elissa Slotkin pediu a Hegseth e ao chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, garantias de que as Forças Armadas não seriam usadas dessa forma. Caine respondeu que não há planos para enviar tropas aos locais de votação nem para apreender material eleitoral. A ordem anunciada nesta segunda-feira também não prevê essas medidas.

Segundo o "Axios", o temor também remete à eleição presidencial de 2020. Após a derrota de Trump, aliados sugeriram usar dados de órgãos militares para investigar alegações de fraude. O presidente também cogitou ordenar à Guarda Nacional que apreendesse máquinas de votação.

Leia o memorando na íntegra:

ASSUNTO: Combate às ameaças estrangeiras às eleições de 2026

Este memorando ressalta o papel fundamental da segurança do voto para a solidez de nosso sistema democrático. À medida que nos aproximamos deste ciclo eleitoral, devemos demonstrar que podemos e vamos proteger a integridade de nossos processos democráticos contra qualquer ameaça.

Como enfatizou o presidente Trump, "eleições livres e justas são a base de nossa república”, e devemos sempre trabalhar para proteger nossos sistemas de votação, pois “nenhum país pode ser grande sem eleições justas".

Na condição de secretário de Guerra, usarei os recursos do Departamento de Guerra (DoW) para proteger e preservar a confiabilidade dos mecanismos de votação dos Estados Unidos contra a manipulação e a perturbação por agentes estrangeiros, mantendo, ao mesmo tempo, as liberdades fundamentais que caracterizam nosso país.

O comandante do Comando Cibernético dos Estados Unidos e os diretores das agências de apoio ao combate darão prioridade ao uso dos recursos de inteligência e de defesa cibernética do DoW para impedir que agentes estrangeiros interfiram em nossos sistemas democráticos. Além disso, determino que a estrutura de inteligência de defesa (DIE) colete informações e produza análises sobre ameaças estrangeiras às nossas eleições, de acordo com a lei, os regulamentos, as diretrizes do Executivo e as políticas e normas do DoW.

Também determino que o Comando Cibernético dos Estados Unidos utilize suas atribuições, capacidades e competências já existentes, em coordenação com o Departamento de Segurança Interna, para combater possíveis ameaças cibernéticas de agentes estrangeiros dirigidas às nossas eleições.

A capacidade de nossa nação de realizar eleições livres e justas é um princípio permanente de nossa democracia. Garantir e proteger essa capacidade é uma missão que não pode falhar, e o DoW fará sua parte nesse esforço conjunto de todo o governo.

A liberdade não acontece por acaso. Ela exige vigilância constante e, hoje, essa responsabilidade recai especialmente sobre a estrutura de inteligência de defesa. Por isso, determino que toda a DIE mobilize os recursos, capacidades e parcerias autorizados sob seu comando para proteger nossa infraestrutura eleitoral contra influências estrangeiras maliciosas e garantir que todos os eleitores legalmente habilitados possam votar sem intimidação, coerção ou medo provocados por agentes estrangeiros.

Nos Estados Unidos, o povo governa — e devemos garantir que sua voz permaneça soberana, segura e sem qualquer distorção.

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