Despejo de idosa gera onda de protestos na Espanha
Maricarmen Abascal, de 87 anos, foi retirada à força do apartamento onde vivia há mais de sete décadas
A
André de Sena, com informações da Reuters
Manifestantes protestam contra despejo de idosa de 87 anos do apartamento onde ela morava em Madri | Reprodução/Reuters
Manifestantes espanhóis estão acampados em frente à sede do governo regional de Madri para protestar a favor do direito à moradia. Esta segunda-feira (28) já é o terceiro dia de acampamento.
O episódio que motivou o início da manifestação foi o despejo de uma idosa octogenária do apartamento onde ela vivia de aluguel há mais de sete décadas. Maricarmen Abascal, de 87 anos, foi retirada do imóvel de 92 m² na quarta-feira (23) pela polícia, que cumpriu uma ordem de despejo obtida na Justiça pelo fundo de investimentos que comprou a propriedade de seu antigo dono em 2018. A idosa saiu do local de maca e foi levada de ambulância até um hospital. Após um check-up médico, ela decidiu ir morar com familiares.
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O apartamento fica localizado em uma região valorizada da capital espanhola: o bairro do Retiro. Segundo o Sindicato dos Inquilinos de Madri, a idosa pagava um aluguel de aproximadamente € 500 por mês, mas o fundo de investimento resolveu aumentar o valor em 275%, chegando à quantia de € 2.650, o que deu início a uma batalha judicial.
A disputa chegou até a Suprema Corte da Espanha, que deu uma decisão favorável ao fundo de investimentos. Os protestos tiveram início na data do despejo. No sábado (26), cerca de 30 mil pessoas marcharam pela capital espanhola. Os manifestantes agitavam chaves e carregavam faixas com slogans como “Especuladores, voltem para casa” e “Moradia é para morar”.
No mesmo dia, centenas de pessoas montaram barracas na praça Puerta del Sol, em frente à sede do governo regional de Madri. O tamanho do acampamento vem aumentando desde então.
Uma estudante disse que os jovens espanhóis estão enfrentando dificuldades para sair da casa dos pais. “Os políticos não só não fazem nada como ainda pioram a situação”, declarou. “Decidimos nos posicionar com firmeza, então esperemos que eles nos ouçam”, acrescentou.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, descreveu o despejo de Maricarmen como uma "tragédia social. O político, filiado ao Partido Socialista Operário Espanhol, de centro-esquerda, criticou o governo regional de Madri, comandado pela conservadora Isabel Díaz Ayuso, do Partido Popular, pela condução do caso.
No domingo (27), Sánchez disse que estava trabalhando para aprovar até terça-feira (29) um decreto no Parlamento que busca trazer alívio imediato aos inquilinos. Na última década, a valorização dos aluguéis foi mais acentuada do que os reajustes nos salários.
De acordo com o Sindicato dos Inquilinos, que vem coordenando os protestos, mais manifestações estão programadas para essa segunda-feira (28).
Despejo de idosa gera onda de protestos na EspanhaMaricarmen Abascal, de 87 anos, foi retirada à força do apartamento onde vivia há mais de sete décadasMundo2026-09-28T15:59:32.282ZManifestantes espanhóis estão acampados em frente à sede do governo regional de Madri para protestar a favor do direito à moradia. Esta segunda-feira (28) já é o terceiro dia de acampamento. O episódio que motivou o início da manifestação foi o despejo de uma idosa octogenária do apartamento onde ela vivia de aluguel há mais de sete décadas. Maricarmen Abascal, de 87 anos, foi retirada do imóvel de 92 m² na quarta-feira (23) pela polícia, que cumpriu uma ordem de despejo obtida na Justiça pelo fundo de investimentos que comprou a propriedade de seu antigo dono em 2018. A idosa saiu do local de maca e foi levada de ambulância até um hospital. Após um check-up médico, ela decidiu ir morar com familiares. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. O apartamento fica localizado em uma região valorizada da capital espanhola: o bairro do Retiro. Segundo o Sindicato dos Inquilinos de Madri, a idosa pagava um aluguel de aproximadamente € 500 por mês, mas o fundo de investimento resolveu aumentar o valor em 275%, chegando à quantia de € 2.650, o que deu início a uma batalha judicial. A disputa chegou até a Suprema Corte da Espanha, que deu uma decisão favorável ao fundo de investimentos. Os protestos tiveram início na data do despejo. No sábado (26), cerca de 30 mil pessoas marcharam pela capital espanhola. Os manifestantes agitavam chaves e carregavam faixas com slogans como “Especuladores, voltem para casa” e “Moradia é para morar”. No mesmo dia, centenas de pessoas montaram barracas na praça Puerta del Sol, em frente à sede do governo regional de Madri. O tamanho do acampamento vem aumentando desde então. Uma estudante disse que os jovens espanhóis estão enfrentando dificuldades para sair da casa dos pais. “Os políticos não só não fazem nada como ainda pioram a situação”, declarou. “Decidimos nos posicionar com firmeza, então esperemos que eles nos ouçam”, acrescentou. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, descreveu o despejo de Maricarmen como uma "tragédia social. O político, filiado ao Partido Socialista Operário Espanhol, de centro-esquerda, criticou o governo regional de Madri, comandado pela conservadora Isabel Díaz Ayuso, do Partido Popular, pela condução do caso. No domingo (27), Sánchez disse que estava trabalhando para aprovar até terça-feira (29) um decreto no Parlamento que busca trazer alívio imediato aos inquilinos. Na última década, a valorização dos aluguéis foi mais acentuada do que os reajustes nos salários. De acordo com o Sindicato dos Inquilinos, que vem coordenando os protestos, mais manifestações estão programadas para essa segunda-feira (28). São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/despejo-de-idosa-gera-onda-de-protestos-na-espanha