Política

Senadores dos EUA pedem a Trump respeito às urnas no Brasil

Carta enviada a Marco Rubio questiona possível interferência dos EUA e pede compromisso com o reconhecimento do resultado oficial da eleição brasileira

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Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca | Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca | Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

Três senadores democratas dos Estados Unidos alertaram o governo de Donald Trump contra interferência norte-americana nas eleições presidenciais do Brasil, marcadas para este domingo (4). A carta foi enviada na segunda-feira (28) ao secretário de Estado, Marco Rubio, e obtida com exclusividade pelo portal The Hill e agora pelo SBT News.

Assinam o documento os senadores Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch. Os parlamentares questionam medidas adotadas pelo governo Trump em relação ao Brasil e citam ações que, segundo eles, refletem um padrão preocupante de interferência do governo Trump em processos eleitorais recentes na América Latina.

"Escrevemos para expressar nossa preocupação com ações do governo que ameaçam nossa aliança estratégica com o Brasil e enfraquecem a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental às vésperas de sua próxima eleição presidencial", começa o texto.
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Na carta, os parlamentares perguntam se a administração Trump irá se comprometer a “reconhecer o resultado certificado das eleições democráticas de 2026 no Brasil” e a manter relações diplomáticas normais com o candidato escolhido livremente pelos eleitores brasileiros.

Os senadores também afirmam estar preocupados com ações que, na avaliação deles, poderiam interferir no processo eleitoral brasileiro. O documento cita medidas tarifárias contra produtos brasileiros, sanções e a atuação do governo norte-americano em relação às autoridades brasileiras.

Documento é assinado pelos senadores Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch. | Divulgação/United States Senate
Documento é assinado pelos senadores Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch. | Divulgação/United States Senate

Outro ponto mencionado é a nomeação de Darren Beattie para atuar em questões relacionadas ao Brasil no Departamento de Estado. Os senadores fazem críticas ao histórico de Beattie.

"Beattie, conhecido extremista de extrema direita e supremacista branco, assumiu o cargo com um histórico de declarações públicas que sinalizavam um compromisso ideológico explícito com o enfraquecimento das instituições democráticas brasileiras e com a promoção dos interesses da extrema direita brasileira", afirmam.

A carta também cita o encontro entre o presidente Donald Trump e o candidato à Presidência da oposição, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), realizado na Casa Branca em maio. Para os parlamentares, o episódio "ressalta a disposição do governo de interferir na eleição".

Comparação com 2022

Os três senadores também fazem uma comparação com a postura adotada pelos Estados Unidos na eleição presidencial brasileira de 2022. Segundo eles, após a divulgação do resultado, o governo norte-americano reconheceu rapidamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e atuou com aliados para apoiar o respeito ao resultado eleitoral.

A carta ainda menciona os ataques de 8 de janeiro de 2023 e afirma que os Estados Unidos apoiaram o governo brasileiro e os esforços para defender as instituições democráticas do país.

"Hoje, em vez de ajudar a defender a democracia brasileira, os Estados Unidos estão utilizando pressão diplomática, econômica e política de maneiras que ameaçam enfraquecer as instituições democráticas do país, minar a confiança no processo eleitoral brasileiro e causar novos danos à nossa relação com um aliado estratégico e parceiro comercial dos Estados Unidos."

Os senadores pedem respostas ao Departamento de Estado sobre a política norte-americana para o Brasil, incluindo a atuação relacionada ao processo eleitoral e judicial.

Como exemplos de interferências recentes do governo Trump na América Latina, eles citam as eleições de meio de mandato da Argentina e as eleições presidenciais de Honduras e da Colômbia. "Esse padrão corre o risco não apenas de enfraquecer a integridade dos processos eleitorais de países individuais, mas também de corroer progressivamente a confiança pública nos processos e nas instituições democráticas em toda a região", finalizam.

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