Talibã impediu 2,4 milhões de meninas de estudar, diz Unesco
Agência alerta para risco de aprofundamento da pobreza no Afeganistão, governado pelo grupo fundamentalista desde 2021
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André de Sena, com informações da Reuters
Homens armados do Talibã observam meninas deixarem a escola em Cabul, capital do Afeganistão | Reuters
Desde que retomou o poder no Afeganistão em 2021, o Talibã impediu aproximadamente 2,4 milhões de meninas de frequentar a escola, segundo dados divulgados pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
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De acordo com o comunicado publicado pela agência nesta terça-feira (11), o Afeganistão é o único país do mundo onde garotas e mulheres são proibidas de cursar os ensinos secundário e superior, sendo que essa situação pode condenar o país "a décadas de potencial perdido, aprofundamento da pobreza e danos irreversíveis".
Outras consequências futuras apontadas pela Unesco são: perda acumulada de renda de 9,6 bilhões de dólares, abandono ddo mercado de trabalho para 600 mil afegãs e aumento do risco de casamento precoce -- união de uma criança ou adolescente com menos de 18 anos com um adulto ou outra pessoa menor de idade.
O primeiro governo do Talibã no Afeganistão durou de 1996 a 2001, quando teve início um período de ocupação dos Estados Unidos. Em 2021, o grupo fundamentalista islâmico voltou ao poder após a retirada das tropas norte-americanas. Em um primeiro momento, os extremistas garantiram à comunidade internacional que as mulheres continuariam livres para estudar. No entanto, as escolas de ensino secundário foram fechadas para meninas em março de 2022. Em dezembro daquele mesmo ano, as afegãs foram impedidas de frequentar as universidades.
Crise educacional
Na época, as proibições, que também limitam o acesso ao emprego e à liberdade de ir e vir, foram descritas como temporárias, mas permanecem em vigor até hoje. Esse cenário agrava a escassez de professoras qualificadas. A estimativa é de que haja um déficit de 11 mil profissionais até 2030. Ainda segundo a Unesco, atualmente, mais de 2 milhões de crianças do ensino fundamental estão fora da escola por motivos distintos das proibições impostas a meninas e mulheres.
“Essa decisão não só retirou um número substancial de professoras e educadoras qualificadas do sistema educacional, mas também resultou em meninos sendo ensinados por professores homens não qualificados”, afirmou Hoda Jaberian, coordenadora do programa da Unesco para educação em situações de emergência.
De acordo com a agência, mais de 90% das crianças afegãs de 10 anos não conseguem ler um texto simples. Tudo isso é agravado pelos desastres naturais que atingem o país desde 2021, como terremotos e inundações, que forçaram o fechamento de pelo menos 1000 escolas.
Talibã impediu 2,4 milhões de meninas de estudar, diz UnescoAgência alerta para risco de aprofundamento da pobreza no Afeganistão, governado pelo grupo fundamentalista desde 2021Mundo2026-08-12T15:35:54.587ZDesde que retomou o poder no Afeganistão em 2021, o Talibã impediu aproximadamente 2,4 milhões de meninas de frequentar a escola, segundo dados divulgados pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). De acordo com o comunicado publicado pela agência nesta terça-feira (11), o Afeganistão é o único país do mundo onde garotas e mulheres são proibidas de cursar os ensinos secundário e superior, sendo que essa situação pode condenar o país "a décadas de potencial perdido, aprofundamento da pobreza e danos irreversíveis". Outras consequências futuras apontadas pela Unesco são: perda acumulada de renda de 9,6 bilhões de dólares, abandono ddo mercado de trabalho para 600 mil afegãs e aumento do risco de casamento precoce -- união de uma criança ou adolescente com menos de 18 anos com um adulto ou outra pessoa menor de idade. O primeiro governo do Talibã no Afeganistão durou de 1996 a 2001, quando teve início um período de ocupação dos Estados Unidos.Em um primeiro momento, os extremistas garantiram à comunidade internacional que as mulheres continuariam livres para estudar. No entanto, as escolas de ensino secundário foram fechadas para meninas em março de 2022. Em dezembro daquele mesmo ano, as afegãs foram impedidas de frequentar as universidades. Crise educacional Na época, as proibições, que também limitam o acesso ao emprego e à liberdade de ir e vir, foram descritas como temporárias, mas permanecem em vigor até hoje. Esse cenário agrava a escassez de professoras qualificadas. A estimativa é de que haja um déficit de 11 mil profissionais até 2030. Ainda segundo a Unesco, atualmente, mais de 2 milhões de crianças do ensino fundamental estão fora da escola por motivos distintos das proibições impostas a meninas e mulheres. “Essa decisão não só retirou um número substancial de professoras e educadoras qualificadas do sistema educacional, mas também resultou em meninos sendo ensinados por professores homens não qualificados”, afirmou Hoda Jaberian, coordenadora do programa da Unesco para educação em situações de emergência. De acordo com a agência, mais de 90% das crianças afegãs de 10 anos não conseguem ler um texto simples. Tudo isso é agravado pelos desastres naturais que atingem o país desde 2021, como terremotos e inundações, que forçaram o fechamento de pelo menos 1000 escolas.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/taliba-impediu-2-4-milhoes-de-meninas-de-estudar-diz-unesco
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