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Rússia confirma negociações por cessar-fogo em Abu Dhabi

Conversas com a Ucrânia na tentativa de firmar um acordo de paz serão mediadas pelos Estados Unidos

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André de Sena, com informações da Reuters
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou, Rússia | Alexei Nikolsky/Sputnik via REUTERS

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou, Rússia | Alexei Nikolsky/Sputnik via REUTERS

Rússia e Ucrânia devem discutir o cessar-fogo na guerra entre os dois países na capital dos Emirados Árabes, Abu Dhabi, em novembro. O encontro terá a mediação dos Estados Unidos. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (23) pelo porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

O presidente russo, Vladimir Putin, também falou sobre as conversas previstas para o próximo mês.

"O objetivo dessas negociações será discutir como garantir a segurança da Ucrânia e da Rússia após a assinatura dos acordos de paz definitivos, e não como resultado de uma suspensão temporária das hostilidades", disse em um encontro com jornalistas no Kremlin. "Estamos prontos para retomar esses contatos para atingir esse objetivo", completou.
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O principal assessor do presidente russo, Yuri Ushakov, declarou que "o conflito na Ucrânia está chegando perto do fim", mas não deu mais detalhes.

Os avanços por uma resolução no conflito ocorrem na mesma semana em que o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, viajou à Rússia para se encontrar com Putin. Os dois tiveram uma conversa de mais de três horas de duração.

Na quarta-feira (21), o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já havia dito que apoia a realização de negociações trilaterais com a Rússia e os Estados Unidos para tentar chegar a uma resolução para o conflito, que já se arrasta desde fevereiro de 2022.

Pressionado pelos Estados Unidos a retomar as negociações com Moscou, Zelensky elogiou os apelos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por um cessar-fogo, mas ressaltou que um acordo deve incluir garantias de segurança a Kiev e propôs "congelar" a frente de batalha para dar início às conversas.

Troca de prisioneiros

Também nesta sexta-feira, Ucrânia e Rússia realizaram uma troca de prisioneiros. Cada país liberou 270 pessoas. O acordo foi alcançado após reuniões dos dois lados com representantes dos Estados Unidos no início desta semana.

Zelensky comemorou o retorno dos cidadãos ucranianos através de uma postagem nas redes sociais. "270 dos nossos estão em casa. Um resultado muito importante", escreveu.

De acordo com o líder ucraniano, o grupo é composto majoritariamente por militares que defenderam o país em Mariupol, mas também há combatentes que lutaram em Donetsk, Luhansk, Kharkiv, Zaporizhzhia, Kherson, Kyiv, Mykolaiv e Chernihiv, além de nove civis. A maioria dos prisioneiros estava em cativeiro desde 2022.

“Estou simplesmente inundada de emoções. Ainda não consigo acreditar que estou em casa, na minha terra natal. Quero muito ver minha família, meus entes queridos”, disse o combatente Oleksadr Stupko, que ficou 1.654 dias preso.

Prisioneiros ucranianos libertados pela Rússia cantam o hino nacional | Reprodução/Reuters
Prisioneiros ucranianos libertados pela Rússia cantam o hino nacional | Reprodução/Reuters

“Esperei por este momento durante 4 anos e meio. Passei 1.670 dias em cativeiro. Estava farto de tudo, e ainda não consigo acreditar que este momento finalmente chegou”, comemorou Mykhailo Shevchuk.

“Alguns centros de detenção não estavam preparados para nós, porque éramos os primeiros a chegar lá. Fomos tratados com muita brutalidade", relatou outro prisioneiro que não revelou seu nome.

Segundo a comissária de direitos humanos da Rússia, Yana Lantratova, entre os 270 russos liberado pela Ucrânia, há sete civis. "Algumas pessoas não conseguiram voltar para seus entes queridos durante muito tempo devido a problemas com seus documentos. Outras se encontravam longe de suas famílias, sem apoio ou dinheiro para sobreviver", afirmou em um comunicado.

O Ministério da Defesa da Rússia postou uma mensagem no Telegram informando que os militares libertados estavam em Belarus, onde receberiam assistência psicológica e médica antes de serem transportados para a Rússia.

Moscou e Kiev trocaram milhares de prisioneiros desde o início da guerra. Essa é uma das poucas áreas em que os dois governos mantiveram contato intermitente ao longo desse período.

A última grande troca havia ocorrido em 19 de agosto. Na ocasião, 103 ucranianos retornaram do cativeiro russo.

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