Rússia aumenta sanções contra empresas europeias e poupa EUA
Desde a posse de Trump, Moscou tomou a administração de 20 companhias estrangeiras; somente três tinham vínculos com Washington
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André de Sena, com informações da Reuters
Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com o presidente russo, Vladimir Putin, no Alasca | Foto: reprodução/Reuters
A Rússia intensifica medidas repressivas contra empresas europeias em resposta ao apoio da Europa à Ucrânia, mas poupa companhias norte-americanas em um momento no qual busca estreitar laços com a Casa Branca. A informação foi compartilhada por autoridades russas e empresários dos Estados Unidos ouvidos sob condição de anonimato pela agência de notícias Reuters.
Desde a posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, em janeiro de 2025, o líder russo, Vladimir Putin, colocou 20 empresas estrangeiras sob administração temporária do governo de Moscou. Somente três delas tinham vínculos com Washington. O restante é ligada a investidores europeus.
No mês passado, o Kremlin assumiu o controle das unidades russas do grupo alimentício suíço Nestlé, além das redes de varejo Auchan, da França, e Metro, da Alemanha. Para justificar a medida, citou o envolvimento europeu em “hostilidades diretas no campo de batalha” da guerra contra a Ucrânia.
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Além disso, na semana passada, Moscou tomou ativos locais de quatro empresas menores de França, Alemanha, Suécia e Bélgica.
“O país de origem foi um dos fatores levados em consideração na tomada da decisão”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acrescentando que esses governos estavam envolvidos em “expropriações ilegais de propriedades russas”.
A Comissão Europeia, sediada em Bruxelas, afirmou que as recentes apreensões de ativos ocorreram sem o devido processo legal e equivalem a uma “expropriação forçada em tudo, menos no nome”.
“Isso segue um padrão claro de retaliação econômica”, disse um porta-voz da Comissão à Reuters, acrescentando que as medidas mostravam que “a Rússia não é um ambiente seguro para os negócios”.
O Kremlin afirmou que as empresas dos Estados Unidos estão sendo tratadas melhor do que suas rivais europeias devido aos esforços de Trump para alcançar a paz na Ucrânia.
“O governo norte-americano está se empenhando bastante para ajudar a alcançar uma solução pacífica; as capitais europeias não estão fazendo nada para ajudar, ao mesmo tempo em que fazem de tudo para prolongar a ação militar”, disse Peskov aos repórteres.
Washington e Moscou vêm se aproximado diplomaticamente. Neste mês, a Casa Branca anunciou um acordo para comprar diesel russo. No sábado, Trump assinou um decreto suspendendo sanções e tarifas importantes sobre produtos russos.
Além disso, o líder americano pressiona o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a retomar as conversas por um acordo de paz com a Rússia. O ucraniano já sinalizou que espera que as negociações ocorram em novembro.
O governo russo também afirmou, na quarta-feira (21), que está pronto para retomar as negociações no próximo mês, com mediação dos Estados Unidos. O anúncio foi feito após Putin receber o enviado especial norte-americano Steve Witkoff, em São Petersburgo.
Mesmo com as movimentações para voltar a negociar um acordo de paz, os dois países continuam a se atacar.
Na madrugada desta quinta-feira (22), as forças russas bombardearam Kiev com 21 mísseis balísticos e mais de 200 drones, deixando ao menos dois mortos.
Também ocorreram ataques russos na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia. Segundo o Serviço Estatal de Emergência ucraniano, ao menos uma pessoa foi morta e 13 ficaram feridas, incluindo duas crianças.
Além disso, um drone russo danificou o prédio onde fica uma escola de ensino médio em Kharkiv. Não houve relato de feridos porque as crianças haviam sido evacuadas para um abrigo antes do ataque.
As forças ucranianas também se movimentam. Segundo o Kremlin, Kiev lançou 630 drones em direção a Moscou durante a noite.
Mesmo sem cessar os ataques, os dois países realizaram uma troca de vítimas da guerra. Segundo a agência de notícias estatal Belta, de Belarus, Moscou entregou 252 corpos e a Ucrânia, 25.
Rússia aumenta sanções contra empresas europeias e poupa EUADesde a posse de Trump, Moscou tomou a administração de 20 companhias estrangeiras; somente três tinham vínculos com Washington Mundo2026-10-22T16:36:10.338ZA Rússia intensifica medidas repressivas contra empresas europeias em resposta ao apoio da Europa à Ucrânia, mas poupa companhias norte-americanas em um momento no qual busca estreitar laços com a Casa Branca. A informação foi compartilhada por autoridades russas e empresários dos Estados Unidos ouvidos sob condição de anonimato pela agência de notícias Reuters. Desde a posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, em janeiro de 2025, o líder russo, Vladimir Putin, colocou 20 empresas estrangeiras sob administração temporária do governo de Moscou. Somente três delas tinham vínculos com Washington. O restante é ligada a investidores europeus. No mês passado, o Kremlin assumiu o controle das unidades russas do grupo alimentício suíço Nestlé, além das redes de varejo Auchan, da França, e Metro, da Alemanha. Para justificar a medida, citou o envolvimento europeu em “hostilidades diretas no campo de batalha” da guerra contra a Ucrânia. Além disso, na semana passada, Moscou tomou ativos locais de quatro empresas menores de França, Alemanha, Suécia e Bélgica. “O país de origem foi um dos fatores levados em consideração na tomada da decisão”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acrescentando que esses governos estavam envolvidos em “expropriações ilegais de propriedades russas”. A Comissão Europeia, sediada em Bruxelas, afirmou que as recentes apreensões de ativos ocorreram sem o devido processo legal e equivalem a uma “expropriação forçada em tudo, menos no nome”. “Isso segue um padrão claro de retaliação econômica”, disse um porta-voz da Comissão à Reuters, acrescentando que as medidas mostravam que “a Rússia não é um ambiente seguro para os negócios”. Aproximação entre Moscou e Washington O Kremlin afirmou que as empresas dos Estados Unidos estão sendo tratadas melhor do que suas rivais europeias devido aos esforços de Trump para alcançar a paz na Ucrânia. “O governo norte-americano está se empenhando bastante para ajudar a alcançar uma solução pacífica; as capitais europeias não estão fazendo nada para ajudar, ao mesmo tempo em que fazem de tudo para prolongar a ação militar”, disse Peskov aos repórteres. Washington e Moscou vêm se aproximado diplomaticamente. Neste mês, a Casa Branca anunciou um acordo para comprar diesel russo. No sábado, Trump assinou um decreto suspendendo sanções e tarifas importantes sobre produtos russos. Além disso, o líder americano pressiona o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a retomar as conversas por um acordo de paz com a Rússia. O ucraniano já sinalizou que espera que as negociações ocorram em novembro. O governo russo também afirmou, na quarta-feira (21), que está pronto para retomar as negociações no próximo mês, com mediação dos Estados Unidos. O anúncio foi feito após Putin receber o enviado especial norte-americano Steve Witkoff, em São Petersburgo. Ataques não cessam Mesmo com as movimentações para voltar a negociar um acordo de paz, os dois países continuam a se atacar. Na madrugada desta quinta-feira (22), as forças russas bombardearam Kiev com 21 mísseis balísticos e mais de 200 drones, deixando ao menos dois mortos. Também ocorreram ataques russos na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia. Segundo o Serviço Estatal de Emergência ucraniano, ao menos uma pessoa foi morta e 13 ficaram feridas, incluindo duas crianças. Além disso, um drone russo danificou o prédio onde fica uma escola de ensino médio em Kharkiv. Não houve relato de feridos porque as crianças haviam sido evacuadas para um abrigo antes do ataque. As forças ucranianas também se movimentam. Segundo o Kremlin, Kiev lançou 630 drones em direção a Moscou durante a noite. Mesmo sem cessar os ataques, os dois países realizaram uma troca de vítimas da guerra. Segundo a agência de notícias estatal Belta, de Belarus, Moscou entregou 252 corpos e a Ucrânia, 25. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/russia-aumenta-sancoes-contra-empresas-europeias-e-poupa-eua