Na reta final do segundo turno das Eleições 2026, as pesquisas eleitorais ganham protagonismo ao medir a intenção de voto, o índice de rejeição e a evolução dos candidatos à Presidência da República.
Para analisar os números divulgados por institutos de pesquisa sem distorções, o leitor precisa compreender conceitos fundamentais da estatística, como margem de erro, nível de confiança e empate técnico.
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O SBT News consultou informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para explicar os conceitos e como interpretar os resultados das pesquisas. A reportagem ouviu ainda os especialistas Hilton Fernandes, cientista político da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESSP), e Carolina Botelho, doutora em ciência política pelo (IESP/UERJ).
O que é e como funciona uma pesquisa eleitoral?
Uma pesquisa eleitoral é um levantamento estatístico por amostragem registrado obrigatoriamente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antes de sua divulgação.
- Amostra representativa: em vez de entrevistar os mais de 150 milhões de eleitores, o instituto consulta um grupo menor (geralmente entre 1.000 e 3.000 pessoas) com perfil demográfico proporcional ao eleitorado (dividido por sexo, idade, renda, escolaridade e região).
- Fotografia do momento: os levantamentos retratam a opinião pública no período exato da coleta de dados. Por isso, não funcionam como "previsão do resultado da urna", mas sim como um diagnóstico de tendência. As opiniões podem mudar até o dia da votação, por isso não é incomum.
Como são feitas as pesquisas eleitorais?
Os institutos podem realizar entrevistas presencialmente ou por telefone. No caso dos levantamentos presenciais, os pesquisadores abordam os eleitores em locais previamente definidos ou visitam domicílios, conforme a metodologia adotada.
Em geral, o entrevistador não escolhe livremente quem vai responder, e os entrevistados não devem se oferecer espontaneamente para participar, porque isso pode comprometer a representatividade do levantamento.
Os institutos também adotam mecanismos de controle para verificar a consistência das informações coletadas e reduzir o risco de irregularidades. Esses procedimentos podem incluir a conferência de parte das entrevistas, inclusive por telefone, além de verificações internas.
Como interpretar os resultados de uma pesquisa eleitoral?
Antes de analisar os números, é necessário verificar o que foi perguntado aos entrevistados. Uma pesquisa de intenção de voto, por exemplo, não mede necessariamente o mesmo aspecto que um levantamento sobre rejeição, convicção do voto ou possibilidade de mudança de candidato.
Na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, os percentuais de intenção de voto ajudam a identificar a posição dos candidatos entre os eleitores no momento da coleta. Já os índices de rejeição indicam quantas pessoas afirmam que não votariam em determinado candidato, de acordo com a pergunta formulada.
Também é importante comparar os levantamentos com cautela. Quando um candidato apresenta crescimento ou queda em relação a uma pesquisa anterior, é necessário considerar a margem de erro, as datas das entrevistas, o tamanho da amostra e a metodologia utilizada. Uma variação nos percentuais não significa, por si só, que houve uma mudança estatisticamente relevante na preferência dos eleitores.
Como entender a margem de erro?
A margem de erro indica o grau de variação estatística estimado para o resultado da amostra em relação ao total da população. Ela estabelece um intervalo de pontos percentuais para mais ou para menos em torno do valor apurado.
Exemplo prático no 2º turno:
- Se Lula (PT) aparece com 49% das intenções de voto e a margem de erro da pesquisa for de 2 pontos percentuais, a intenção real do candidato situa-se na faixa entre 47% e 51%;
- Se Flávio Bolsonaro (PL) registra 48% sob a mesma margem de 2 pontos, seu resultado real oscila entre 46% e 50%.
Nesse exemplo, os intervalos se sobrepõem. Por isso, não é possível afirmar, apenas com base nesses números, que um candidato está estatisticamente à frente do outro. A interpretação também depende do nível de confiança e das características metodológicas do levantamento.
Ao acompanhar as variações de um levantamento para o outro, é preciso atenção na linguagem:
- Ponto percentual (p.p.): mede a diferença absoluta entre dois percentuais. Se um candidato passa de 40% para 44%, ele subiu 4 pontos percentuais.
- Porcentagem (%): mede o crescimento relativo. Um aumento de 40% para 44% representa uma alta de 10% sobre o valor inicial de 40%.
Guia rápido para ler uma pesquisa
- Confira a data da coleta: verifique em quais dias o campo foi realizado, se foi antes ou depois de debates ou acontecimentos de grande impacto;
- Identifique a metodologia: veja se a entrevista foi realizada presencialmente (em domicílio ou ponto de fluxo) ou por telefone;
- Compare a mesma série histórica: analise o crescimento ou a queda de um candidato apenas comparando pesquisas do mesmo instituto de pesquisa, pois metodologias diferentes não devem ser misturadas.














