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Ucrânia diz que parceiros não a avisaram sobre ataque russo

Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio nega que tenha deixado de compartilhar informações de inteligência com Kiev

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André de Sena, com informações da Reuters
Consequências de ataque russo com mísseis em Kiev | Valentyn Ogirenko/Reuters

Consequências de ataque russo com mísseis em Kiev | Valentyn Ogirenko/Reuters

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que seu país não recebeu aviso prévio de seus parceiros alertando sobre o ataque aéreo russo ocorrido na madrugada desta segunda-feira (19).

O Ministério da Defesa da Rússia confirmou que suas forças realizaram um "ataque massivo". Ao todo, foram 16 mísseis balísticos na região de Kiev, onde uma mulher morreu, e mais de 200 drones no restante do país. Duas pessoas morreram na cidade industrial de Kryvyi Rih.

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A ofensiva também danificou mais de 10 instalações de energia, além de causar estragos em estações ferroviárias, depósitos farmacêuticos, imóveis comerciais e edifícios residenciais.

“Outro ataque com mísseis balísticos russos ocorreu em várias ondas durante a madrugada e, mais uma vez, não houve aviso prévio de nossos parceiros”, disse Zelensky em uma mensagem no aplicativo Telegram.

A Ucrânia tem contado com auxílio da inteligência dos Estados Unidos para detectar lançamentos de mísseis balísticos russos e fornecer alertas antecipados sobre ataques, mas relatos das autoridades ucranianas apontam que esse apoio vem diminuindo. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, nega que Washington tenha suspendido parte do compartilhamento de informações.

Zelensky adotou uma postura crítica em relação à postura dos Estados Unidos. “Quando as entregas de mísseis para a defesa aérea da Ucrânia são bloqueadas, enquanto a Rússia recebe alívio ou adiamentos nas sanções, isso é, infelizmente, uma negação da realidade por parte de nossos parceiros”, afirmou.

Pressão dos Estados Unidos

A Casa Branca vem pressionando para que Kiev aceite negociar um acordo de paz para dar um fim à guerra que se estende desde fevereiro de 2022. Esse desejo de encerrar o conflito levou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a um firmar um acordo de importação de diesel com a Rússia e suspender algumas sanções contra Moscou, o que, segundo ele, deve manter o Kremlin na mesa de negociações.

No domingo (18), Trump fez uma postagem na rede social Truth Social acusando o líder ucraniano de não querer dar um fim ao conflito.

"Zelensky não se importa e, francamente, com todo o dinheiro que a Europa lhe dá, e que o corrupto Joe Biden lhe deu no passado, ele não quer acabar com esta guerra, e provavelmente nunca quis", escreveu o republicano.

Rubio reforçou o posicionamento de Trump. "Acredito que o presidente está aberto a qualquer medida que possa tomar para ajudar a pôr fim à guerra, se possível, e continuaremos buscando oportunidades para isso", disse a repórteres durante sua visita ao Uzbequistão.

Proposta de encontro trilateral

Em meio à diminuição do apoio da Casa Branca à Ucrânia, o jornal norte-americano Wall Street Journal noticiou no domingo que o Kremlin havia proposto uma cúpula trilateral com o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, mas sem a participação da Ucrânia, para discutir o fim da guerra.

O encontro ocorreria à margem da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), marcada para os dias 18 e 19 de novembro na cidade chinesa de Shenzhen. A sugestão teria sido feta por Putin em uma ligação telefônica com Trump em 9 de outubro, quando eles também firmaram o acordo sobre o fornecimento de diesel

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, foi questionado sobre esse assunto em sua coletiva diária dessa segunda-feira. Ele respondeu que um acordo final para o conflito na Ucrânia dificilmente será possível sem o envolvimento de alguém do lado de Kiev, mas disse que a reunião entre Trump, Xi e Putin pode ocorrer no próximo mês.

"Vocês sabem que o lado americano continua seus esforços de mediação e pacificação. Nós os valorizamos muito. Mas, é claro, a resolução final não é possível sem a participação de alguém de Kiev que esteja disposto a assumir a responsabilidade", declarou Peskov.

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