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PF prende mãe e irmão de Oruam em operação contra o CV no RJ

Operação investiga um esquema de monopólio de internet em comunidades do Rio de Janeiro; Marcinho VP, pai do rapper, também é alvo da ação

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Mãe e irmão de rapper Oruam são presos no Rio. | Reprodução/Redes sociais

Mãe e irmão de rapper Oruam são presos no Rio. | Reprodução/Redes sociais

A Polícia Federal deflagra nesta segunda-feira (19) a Operação Backbone, que investiga um esquema de controle do fornecimento de internet atribuído a integrantes do Comando Vermelho (CV) em comunidades do Rio de Janeiro. Entre os presos estão Márcia Gama, mãe do rapper Oruam, e Lucas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca, irmão do artista. Até o momento, outras 17 pessoas também foram presas.

O pai de Oruam, Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, que já estava preso, também é alvo da ação. Segundo as investigações, o grupo usa armas e ameaças para impor um monopólio do serviço nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão.

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A operação cumpre 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em municípios do estado do Rio de Janeiro. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores que pode chegar a R$ 558 milhões, envolvendo 40 pessoas e 42 empresas.

As diligências ocorrem nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Parte dos mandados de prisão será cumprida no sistema prisional, inclusive em uma unidade do Sistema Penitenciário Federal.

PF deflagra operação contra domínio armado do serviço de internet no RJ. | SBT Rio/José Lucena
PF deflagra operação contra domínio armado do serviço de internet no RJ. | SBT Rio/José Lucena

Como funciona a chamada “internet do tráfico”

De acordo com a PF, integrantes armados da facção cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes, além de impedir reparos na infraestrutura. Com isso, moradores e comerciantes são pressionados a contratar serviços de provedores autorizados pelo grupo criminoso.

Esses provedores pagam mensalmente uma taxa à facção para ter autorização para operar nos territórios dominados. Registros contábeis da própria organização indicam que, em um único mês, a cobrança pelo serviço de internet respondeu por mais de 40% da arrecadação do grupo no Complexo da Penha.

Segundo os investigadores, a exploração do serviço se tornou uma das principais fontes de receita da facção e contribui para a disputa pelo controle territorial. Cada comunidade dominada representa uma nova base de clientes submetidos ao monopólio.

PF investiga lavagem de dinheiro

Segundo a PF, Marcinho VP, um dos líderes históricos da facção, preso há quase três décadas e atualmente custodiado no Sistema Penitenciário Federal, continua a controlar atividades empresariais nesses territórios, em conjunto com familiares e outras lideranças.

Segundo a investigação, os lucros eram encaminhados à família do líder por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem. Os recursos seriam ocultados em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão pagos em dinheiro vivo e criptoativos.

A operação determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, envolvendo 40 pessoas físicas e 42 empresas. Também foi determinada a suspensão das atividades econômicas das pessoas jurídicas investigadas, entre elas provedores de internet, produtoras de eventos, uma empresa de contabilidade e empresas de fachada.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será comunicada para a cassação das autorizações e a interdição dos serviços de telecomunicações prestados pelas empresas. Segundo a PF, deverão ser adotadas medidas para garantir a continuidade do serviço aos moradores das localidades afetadas.

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