Zelensky diz apoiar encontro trilateral com Rússia e EUA
Ucraniano se diz pronto para avançar na diplomacia, mas ressaltou que eventual acordo deve incluir garantias de segurança a Kiev

Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em Oslo, na Noruega | Cornelius Poppe/NTB via Reuters
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse nesta quarta-feira (21) que apoia a realização de negociações trilaterais com a Rússia e os Estados Unidos para tentar chegar a uma resolução para a guerra que se arrasta desde fevereiro de 2022. A declaração foi dada em entrevista à emissora de televisão Fox News.
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Zelensky elogiou os apelos de Trump por um cessar-fogo entre ucranianos e russos, afirmando que é importante congelar os combates e avançar na diplomacia. Apesar disso, ressaltou que um acordo deve incluir garantias de segurança a Kiev.
O líder ucraniano também disse que a reunião que teve com o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, na terça-feira (20), em Oslo, na Noruega, foi produtiva. Ele disse esperar um resultado positivo do encontro entre Witkoff e o presidente russo, Vladimir Putin, nesta quarta.
A reunião aconteceu no Palácio de Constantino, nos arredores de São Petersburgo. A conversa durou três horas. O norte-americano disse a Putin que queria discutir a respeito da possível retomada das negociações trilaterais entre Kiev, Moscou e Washington.
"Mesmo que não tenhamos uma resolução hoje, se apenas conversarmos e considerarmos qual poderia ser o próximo passo, acho que isso seria importante, e o mundo está esperando para ouvir isso", afirmou Witkoff.
Ucrânia sob pressão
O encontro ocorre num momento que Zelensky e aliados europeus demonstram preocupações de que os Estados Unidos estejam diminuindo o apoio à Ucrânia para pressioná-la a aceitar um acordo de paz e encerrar a guerra.
Na semana passada, Washington limitou o fornecimento de informações à Ucrânia através da Starshield, o serviço de inteligência via satélite da companhia aeropespacial SpaceX. Recentemente, o presidente Donald Trump disse que era hora de a Ucrânia pôr fim à guerra ou enfrentar "algo muito ruim".
As últimas negociações por um acordo de paz ocorreram em fevereiro e não foram bem-sucedidas. Pouco mais de uma semana depois, os Estados Unidos atacaram o Irã e voltaram sua atenção ao Oriente Médio.
Na conversa com Witkoff, Putin ofereceu ajuda para lidar com o Irã, afirmando que a Rússia mantém há décadas uma boa relação com Teerã. O presidente russo também disse que seu país pode fornecer grandes quantidades de fertilizantes aos agricultores dos EUA.
Putin sugeriu ainda um encontro entre ele, Trump e o presidente chinês Xi Jinping para o próximo mês. A reunião pode ocorrer durante a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), na cidade chinesa de Shenzhen nos dias 18 e 19 de novembro.
O Kremlin fez um outro gesto de boa vontade em relação aos Estados Unidos: a libertação do professor norte-americano aposentado Stephen Hubbard, de 74 anos. Ele estava preso na Rússia desde 2022, acusado de lutar ao lado das forças ucranianas.
Possibilidade de novas negociações
Depois que a reunião foi finalizada, o assessor do Kremlin Yuri Ushakov comunicou que Putin disse a Witkoff que Moscou está disposta, em princípio, a retomar as conversas para pôr um fim à guerra no mês que vem.

Segundo ele, a nova rodada de negociações deve se concentrar na “construção de um sistema de segurança para a Rússia e a Ucrânia após o fim do conflito”
Ushakov também disse que Witkoff havia “observado algumas novas abordagens, novos pontos nas posições dos europeus e de Kiev, embora elas não contivessem muito que fosse útil no contexto da resolução da crise ucraniana”.













