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Fachin: vontade do STF não pode substituir debate político

Presidente do Supremo afirma que a Corte precisa equilibrar omissão e protagonismo

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Maria Fernanda Barros
Presidente do STF Edson Fachin | Alejandro Zambrana/STF

Presidente do STF Edson Fachin | Alejandro Zambrana/STF

Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta (21) reconhecer os desafios que enfrenta o Poder Judiciário diante do processo democrático. Segundo o ministro, que discursou durante evento em Brasília, um tribunal que substitui o debate político por sua vontade cria um “governo dos juízes”.

O magistrado disse que os tribunais constitucionais enfrentam três desafios. O primeiro deles é conseguir equilibrar "a omissão e o protagonismo". Isto é, a Corte não pode se omitir diante das violações de direito, como tampouco pode fazer da Constituição uma ferramenta pessoal, descreveu Fachin.

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"Um tribunal que se retrai diante de violações de direitos fundamentais trai a sua missão. Mas um tribunal que pretende substituir o debate político por sua própria vontade também a trai, pois transforma a guarda da Constituição em governo dos juízes."

Outro impasse diz respeito à consolidação democrática. Na visão do ministro, "as democracias contemporâneas raramente morrem por golpes abruptos" e costumam se corroer através da "captura gradual das instituições". Por isso, o presidente do STF reforça que os tribunais têm papel indispensável, “mas não solitário”.

Segundo Fachin, a Constituição depende do compromisso entre os Poderes e a sociedade, devendo haver, portanto, "lealdade às regras do jogo" para que a democracia permaneça.

"Nesse cenário, o Estado de Direito não pode ser compreendido como um mero conjunto de procedimentos. É também uma cultura, feita de limites construídos consensualmente, de respeito às decisões bem fundamentadas e de lealdade às regras do jogo, inclusive por parte de quem perde."

O terceiro e último desafio é o de comunicação com a sociedade. O ministro pontua que os tribunais precisam explicar com clareza as decisões judiciais, já que estas são "frequentemente reduzidas a slogans", em tempos de polarização e “calcificação ideológica”.

"A transparência não é concessão, mas uma condição de legitimidade da Justiça. E é também, para uma Corte, um modo de prestar contas da autoridade que lhe foi confiada."

O discurso de Fachin aconteceu na sede do Tribunal, em Brasília, durante a abertura do evento “Diálogos com o Supremo: Tribunais Constitucionais e o Estado de Direito”, que teve como convidado Luca Mezzetti, professor de direito constitucional da Faculdade de Direito da Faculdade de Bolonha, na Itália.

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