Bloqueio dos EUA faz veículos elétricos dispararem em Cuba
Escassez de combustível gerada pelo embargo norte-americano força a população cubana a buscar alternativas, explica o ministro dos Transportes
Maria Fernanda Barros , com informações da Reuters
Transporte público de Cuba cai ao nível mais baixo da história em meio ao bloqueio de combustíveis dos EUA, diz ministro | Reuters/Reprodução
Os serviços tradicionais de transporte público em Cubaestão em um de seus piores momentos da história, afirma Eduardo Rodriguez Davila, ministro dos Transportes do país. A crise começou no fim de janeiro deste ano, quando os Estados Unidos proibiram que a ilha importasse combustível. A medida acabou por impulsionar a compra de veículos elétricos, que no ano passado representava 3,5% do total de vendas de transportes e, em agosto, chegou a 40%, segundo o governo cubano.
Os Estados Unidos afirmam que o bloqueio de combustíveis, que já completa nove meses, e as sanções recentemente reforçadas são necessários para derrubar o regime. Cuba e as Nações Unidas consideram o embargo ilegal e uma violação dos direitos humanos da população.
Segundo Davila, a medida impactou profundamente a mobilidade no país. Enquanto a tensão entre os governos aumenta, os cubanos têm recorrido a caronas, a esquemas improvisados de transporte compartilhado e a transportes privados bem mais caros.
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“Enquanto antes tínhamos cerca de 419 saídas nacionais de ônibus para todas as províncias, hoje essas saídas foram bastante reduzidas; atualmente temos uma média de pouco mais de 11 saídas por dia. De mais de 100 rotas, apenas 21 podem ser atendidas no momento. Ou seja, a capacidade de prestar esses serviços é baixa. Quanto aos trens, antes havia um trem para as províncias a cada quatro dias; agora, isso acontece apenas uma vez a cada 16 dias", descreve o ministro.
A escassez de combustível obrigou as pessoas a buscarem alternativas e o país tenta se readaptar, afirma Davila. "O desenvolvimento de redes e estações de recarga está avançando, o que é importante, pois poderia parecer contraditório ter tantos veículos elétricos sem uma expansão correspondente da infraestrutura de recarga, especialmente dada a consequente sobrecarga na rede elétrica".
Entre os quase um milhão de veículos registrados em Cuba, aproximadamente 150 mil são elétricos, aponta o Ministério dos Transportes. O número, no entanto, não é preciso, já que a maior parte dos automóveis são importados por particulares e estão sem registro oficial. "Estamos agora em processo de registrá-los. Então, o número real é certamente muito maior, e é por isso que se veem tantos nas ruas.”
Ainda que a população tenha encontrado uma saída com os transportes elétricos, Cuba vive umpico de sobrecarga no setor de mobilidade. Em tour para a imprensa organizado pelo governo, foram vistos dezenas de triciclos elétricos amarelos, pertencentes a uma empresa estatal, parados em uma garagem por falta de eletricidade para recarregá-los.
Bloqueio dos EUA faz veículos elétricos dispararem em CubaEscassez de combustível gerada pelo embargo norte-americano força a população cubana a buscar alternativas, explica o ministro dos Transportes Mundo2026-10-22T14:14:27.131ZOs serviços tradicionais de transporte público em Cuba estão em um de seus piores momentos da história, afirma Eduardo Rodriguez Davila, ministro dos Transportes do país. A crise começou no fim de janeiro deste ano, quando os Estados Unidos proibiram que a ilha importasse combustível. A medida acabou por impulsionar a compra de veículos elétricos, que no ano passado representava 3,5% do total de vendas de transportes e, em agosto, chegou a 40%, segundo o governo cubano. Os Estados Unidos afirmam que o bloqueio de combustíveis, que já completa nove meses, e as sanções recentemente reforçadas são necessários para derrubar o regime. Cuba e as Nações Unidas consideram o embargo ilegal e uma violação dos direitos humanos da população. Segundo Davila, a medida impactou profundamente a mobilidade no país. Enquanto a tensão entre os governos aumenta, os cubanos têm recorrido a caronas, a esquemas improvisados de transporte compartilhado e a transportes privados bem mais caros. “Enquanto antes tínhamos cerca de 419 saídas nacionais de ônibus para todas as províncias, hoje essas saídas foram bastante reduzidas; atualmente temos uma média de pouco mais de 11 saídas por dia. De mais de 100 rotas, apenas 21 podem ser atendidas no momento. Ou seja, a capacidade de prestar esses serviços é baixa. Quanto aos trens, antes havia um trem para as províncias a cada quatro dias; agora, isso acontece apenas uma vez a cada 16 dias", descreve o ministro. A escassez de combustível obrigou as pessoas a buscarem alternativas e o país tenta se readaptar, afirma Davila. "O desenvolvimento de redes e estações de recarga está avançando, o que é importante, pois poderia parecer contraditório ter tantos veículos elétricos sem uma expansão correspondente da infraestrutura de recarga, especialmente dada a consequente sobrecarga na rede elétrica". Entre os quase um milhão de veículos registrados em Cuba, aproximadamente 150 mil são elétricos, aponta o Ministério dos Transportes. O número, no entanto, não é preciso, já que a maior parte dos automóveis são importados por particulares e estão sem registro oficial. "Estamos agora em processo de registrá-los. Então, o número real é certamente muito maior, e é por isso que se veem tantos nas ruas.” Ainda que a população tenha encontrado uma saída com os transportes elétricos, Cuba vive um pico de sobrecarga no setor de mobilidade. Em tour para a imprensa organizado pelo governo, foram vistos dezenas de triciclos elétricos amarelos, pertencentes a uma empresa estatal, parados em uma garagem por falta de eletricidade para recarregá-los. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/bloqueio-dos-eua-faz-veiculos-eletricos-dispararem-em-cuba