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Havana acusa EUA de ameaçarem países que apoiam Cuba na ONU

Declaração do ministro das Relações Exteriores cubano ocorre às vésperas de votação contra embargos econômicos que atingem a ilha

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André de Sena, com informações da Reuters
Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez | Norlys Pérez/Reuters

Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez | Norlys Pérez/Reuters

O ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, acusou nesta quarta-feira (21) os Estados Unidos de ameaçarem sancionar os países que se posicionarem a favor de acabar com o embargo econômico contra Cuba na votação que deve ocorrer na próxima semana na Organização das Nações Unidas.

“O Departamento de Estado dos EUA está exercendo uma pressão sem precedentes — às vezes de maneira pessoal e descarada pelo próprio secretário de Estado [Maro Rubio] — para que os Estados-membros da ONU mudem seus votos”, disse Rodríguez a repórteres em uma coletiva de imprensa em Havana.

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A Casa Branca impõe um embargo econômico contra Cuba há mais de seis décadas. A ONU realiza anualmente a votação de uma resolução não vinculativa para condenar as sanções norte-americanas contra a ilha. A medida - que expressa uma posição política ou recomendação moral, mas não tem efeitos práticos - vem sendo aprovada todos os anos desde 1992, exceto em 2020, quando não houve votação por conta da pandemia de covid-19.

O Brasil se posicionou pelo fim do embargo em quase todas as ocasiões. As exceções ocorreram no mandato de Jair Bolsonaro na presidência. Em 2019, o voto foi contra a resolução. Já em 2021 e 2022, o governo de Brasília se absteve.

De acordo com Rodríguez, as autoridades dos EUA pressionam os outros países ameaçando impor tarifas punitivas, suspender programas de cooperação, apoiar forças que se opõem aos governos, incentivar a derrubada desses governo, intervir em seus processos eleitorais e negar vistos a autoridades.

Até o momento, o Departamento de Estado não se manifestou a respeito das falas do ministro cubano. No início da semana, o embaixador norte-americano na ONU, Mike Waltz, já havia exortado os países a votarem contra a resolução de apoio a Cuba, chamando-a de “uma desculpa para justificar a opressão, para justificar o sofrimento do povo cubano”.

Cerco dos EUA

O embargo contra Havana chegou a ser flexibilizado durante o mandato do presidente democrata Joe Biden. Desde que Trump voltou à Casa Branca, a pressão contra o país voltou a se intensificar.

Em janeiro deste ano, o republicano autorizou tarifas sobre produtos de países que forneçam petróleo a Cuba. Em maio, ele ampliou as possibilidade de bloquear bens e proibir a entrada nos Estados Unidos de pessoas e entidades ligadas à economia cubana. Em agosto, vieram novas sanções contra empresas estatais da ilha.

Na segunda-feira (19), a Justiça norte-americana emitiu um mandado de prisão contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, irmão de Fidel Castro, responsabilizando-o pela derrubada de três aviões dos Estados Unidos que foram destinados a uma missão humanitária em Cuba em 1996.

Segundo autoridades que possuem familiaridade com o assunto, a votação da resolução na ONU deve ocorrer nos dias 27 e 28 de outubro. Somente o Congresso dos Estados Unidos tem o poder de suspender o embargo que perdura desde os tempos da Guerra Fria.

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