Câncer de mama e maternidade: como preservar a fertilidade
Especialista explica quando congelar óvulos e o que se sabe sobre a gravidez após o tratamento
Brazil Health
Câncer de mama e maternidade | Foto: Magnific
Ao receber um diagnóstico de câncer de mama, é natural que a mulher concentre suas preocupações no tratamento. Mas, se ela deseja ter filhos, se planeja ter mais filhos — ou ainda não decidiu —, existe uma conversa que não deveria ser adiada: como proteger suas possibilidades de maternidade no futuro?
Alguns medicamentos usados na quimioterapia contra o câncer podem reduzir a reserva ovariana ou até mesmo levar à menopausa precoce. O risco varia conforme a idade, o esquema terapêutico e as condições individuais. Nem toda paciente perderá completamente a fertilidade, mas esperar o fim do tratamento para abordar o assunto pode limitar as alternativas.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.
A atualização de 2025 das recomendações da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) reforça que os riscos reprodutivos devem ser discutidos antes do início do tratamento e esta discussão deve ser retomada durante o acompanhamento. Mulheres interessadas ou indecisas precisam ter acesso, o quanto antes, à avaliação de um especialista em reprodução humana.
O congelamento de óvulos é uma opção estabelecida. Após a estimulação dos ovários, os óvulos são coletados e armazenados para eventual utilização futura. Também é possível congelar embriões, quando há a fertilização dos óvulos antes do armazenamento. Em situações específicas, o congelamento de tecido ovariano pode ser considerado.
Nenhuma técnica garante uma gestação no futuro. As chances dependem, sobretudo, da idade no momento da preservação e da quantidade de óvulos obtidos. Ainda assim, discutir essas possibilidades permite que a paciente tome uma decisão embasada em um momento decisivo.
Duas semanas podem fazer diferença
Uma dúvida frequente é se a preservação da fertilidade atrasa o tratamento oncológico. Os protocolos atuais permitem iniciar a estimulação ovariana em diferentes fases do ciclo menstrual. Em muitos casos, o processo até a coleta dura aproximadamente duas semanas, embora o planejamento dependa da urgência clínica.
Nos tumores sensíveis a hormônios, a estimulação pode ser associada ao uso do letrozol para reduzir a elevação do estrogênio e não influir sobre o tumor. Os dados disponíveis sobre esses protocolos são tranquilizadores, mas cada caso precisa ser avaliado conjuntamente pelo oncologista e pelo especialista em reprodução humana. A prioridade continua sendo tratar o câncer com segurança.
A menstruação, por si só, também não responde à pergunta sobre fertilidade. O retorno do ciclo após a quimioterapia não significa necessariamente que a reserva ovariana permaneceu intacta. Por isso, o acompanhamento reprodutivo deve continuar mesmo após o tratamento.
E a gravidez depois do câncer?
Sabemos que nos estágios iniciais os índices de cura para o câncer de mama podem chegar a 90% então para muitas mulheres, engravidar após o tratamento é possível. O momento adequado, porém, depende do subtipo do tumor, dos medicamentos utilizados, da evolução da doença e da avaliação da equipe médica. Não existe um prazo único que sirva para todas.
Um desafio adicional aparece nos casos de tumores sensíveis a hormônios: a terapia de bloqueio hormonal pode durar de cinco a dez anos, período que coincide com os anos reprodutivos de muitas pacientes. O estudo internacional POSITIVE investigou a interrupção temporária desse tratamento, sob acompanhamento médico, para se tentar uma gravidez.
Em uma atualização com acompanhamento de aproximadamente seis anos, entre 497 participantes avaliadas, 76% tiveram pelo menos uma gravidez documentada e 69% tiveram ao menos um nascimento . Até aquele momento, os resultados não indicaram aumento de eventos relacionados ao câncer em comparação com um grupo controle que manteve o tratamento. Isso não equivale a comprovar segurança para todas: o estudo não foi randomizado, incluiu mulheres cuidadosamente selecionadas e exige seguimento mais longo para conclusões definitivas.
Portanto, interromper a terapia hormonal nunca deve ser uma decisão tomada por conta própria. A possibilidade precisa ser discutida com a equipe oncológica, incluindo o planejamento de retomada do tratamento.
A escolha precisa continuar sendo da mulher
Nem toda paciente deseja ser mãe, e algumas preferem não passar por procedimentos adicionais durante o diagnóstico. Preservar a fertilidade não é uma obrigação nem uma promessa de gravidez. É oferecer informação e acesso a opções antes que elas se tornem inviáveis.
O cuidado com o câncer de mama não termina no controle da doença. Também envolve os projetos que cada mulher deseja construir depois dele. E, para quem pensa em maternidade, essa conversa pode fazer diferença justamente quando o tempo parece mais curto.
** Dani Ejzenberg é ginecologista e especialista em Reprodução Assistida na ENNE Clinic e membro da Brazil Health
Câncer de mama e maternidade: como preservar a fertilidade Especialista explica quando congelar óvulos e o que se sabe sobre a gravidez após o tratamentoSaúde2026-10-21T19:48:36.150ZAo receber um diagnóstico de câncer de mama, é natural que a mulher concentre suas preocupações no tratamento. Mas, se ela deseja ter filhos, se planeja ter mais filhos — ou ainda não decidiu —, existe uma conversa que não deveria ser adiada: como proteger suas possibilidades de maternidade no futuro? Alguns medicamentos usados na quimioterapia contra o câncer podem reduzir a reserva ovariana ou até mesmo levar à menopausa precoce. O risco varia conforme a idade, o esquema terapêutico e as condições individuais. Nem toda paciente perderá completamente a fertilidade, mas esperar o fim do tratamento para abordar o assunto pode limitar as alternativas. Preservar antes de tratar A atualização de 2025 das recomendações da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) reforça que os riscos reprodutivos devem ser discutidos antes do início do tratamento e esta discussão deve ser retomada durante o acompanhamento. Mulheres interessadas ou indecisas precisam ter acesso, o quanto antes, à avaliação de um especialista em reprodução humana. O congelamento de óvulos é uma opção estabelecida. Após a estimulação dos ovários, os óvulos são coletados e armazenados para eventual utilização futura. Também é possível congelar embriões, quando há a fertilização dos óvulos antes do armazenamento. Em situações específicas, o congelamento de tecido ovariano pode ser considerado. Nenhuma técnica garante uma gestação no futuro. As chances dependem, sobretudo, da idade no momento da preservação e da quantidade de óvulos obtidos. Ainda assim, discutir essas possibilidades permite que a paciente tome uma decisão embasada em um momento decisivo. Duas semanas podem fazer diferença Uma dúvida frequente é se a preservação da fertilidade atrasa o tratamento oncológico. Os protocolos atuais permitem iniciar a estimulação ovariana em diferentes fases do ciclo menstrual. Em muitos casos, o processo até a coleta dura aproximadamente duas semanas, embora o planejamento dependa da urgência clínica. Nos tumores sensíveis a hormônios, a estimulação pode ser associada ao uso do letrozol para reduzir a elevação do estrogênio e não influir sobre o tumor. Os dados disponíveis sobre esses protocolos são tranquilizadores, mas cada caso precisa ser avaliado conjuntamente pelo oncologista e pelo especialista em reprodução humana. A prioridade continua sendo tratar o câncer com segurança. A menstruação, por si só, também não responde à pergunta sobre fertilidade. O retorno do ciclo após a quimioterapia não significa necessariamente que a reserva ovariana permaneceu intacta. Por isso, o acompanhamento reprodutivo deve continuar mesmo após o tratamento. E a gravidez depois do câncer? Sabemos que nos estágios iniciais os índices de cura para o câncer de mama podem chegar a 90% então para muitas mulheres, engravidar após o tratamento é possível. O momento adequado, porém, depende do subtipo do tumor, dos medicamentos utilizados, da evolução da doença e da avaliação da equipe médica. Não existe um prazo único que sirva para todas. Um desafio adicional aparece nos casos de tumores sensíveis a hormônios: a terapia de bloqueio hormonal pode durar de cinco a dez anos, período que coincide com os anos reprodutivos de muitas pacientes. O estudo internacional POSITIVE investigou a interrupção temporária desse tratamento, sob acompanhamento médico, para se tentar uma gravidez. Em uma atualização com acompanhamento de aproximadamente seis anos, entre 497 participantes avaliadas, 76% tiveram pelo menos uma gravidez documentada e 69% tiveram ao menos um nascimento . Até aquele momento, os resultados não indicaram aumento de eventos relacionados ao câncer em comparação com um grupo controle que manteve o tratamento. Isso não equivale a comprovar segurança para todas: o estudo não foi randomizado, incluiu mulheres cuidadosamente selecionadas e exige seguimento mais longo para conclusões definitivas. Portanto, interromper a terapia hormonal nunca deve ser uma decisão tomada por conta própria. A possibilidade precisa ser discutida com a equipe oncológica, incluindo o planejamento de retomada do tratamento. A escolha precisa continuar sendo da mulher Nem toda paciente deseja ser mãe, e algumas preferem não passar por procedimentos adicionais durante o diagnóstico. Preservar a fertilidade não é uma obrigação nem uma promessa de gravidez. É oferecer informação e acesso a opções antes que elas se tornem inviáveis. O cuidado com o câncer de mama não termina no controle da doença. Também envolve os projetos que cada mulher deseja construir depois dele. E, para quem pensa em maternidade, essa conversa pode fazer diferença justamente quando o tempo parece mais curto. ** Dani Ejzenberg é ginecologista e especialista em Reprodução Assistida na ENNE Clinic e membro da Brazil Health São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/cancer-de-mama-e-maternidade-como-preservar-a-fertilidade
Mariana Alves Gadelha Pereira havia sido detida em Alexandria sob acusações de praticar atos classificados como obscenos pelo Ministério do Interior egípcio
O depoimento foi remarcado após uma falha na conexão de internet do delegado responsável pelo caso. A Polícia Federal informou que não irá se pronunciar.