Facelifts: cirurgia plástica busca resultados mais naturais
Técnicas modernas priorizam o reposicionamento dos tecidos faciais para suavizar os sinais do envelhecimento
Brazil Health
Sala de cirurgia em hospital. Foto: Fernando Zhiminaicela/Pixabay
Durante décadas, o lifting facial esteve associado à imagem de rostos excessivamente esticados, com expressões modificadas e uma aparência que denunciava a cirurgia. Hoje, o interesse por resultados mais naturais está mudando a maneira como pacientes e cirurgiões discutem o rejuvenescimento.
A ideia não é necessariamente parecer vinte anos mais jovem, mas recuperar parte dos contornos perdidos com o envelhecimento sem deixar de reconhecer o próprio rosto.
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Essa mudança acompanha uma compreensão mais detalhada da anatomia facial. O envelhecimento não acontece apenas na superfície da pele. Ele envolve alterações na gordura, nos ligamentos, nos músculos e nas estruturas ósseas, além da perda de elasticidade. Por isso, simplesmente puxar a pele para trás nem sempre produz um resultado harmonioso ou duradouro.
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O rosto envelhece de maneira diferente em cada pessoa. Algumas apresentam flacidez mais evidente na região da mandíbula, enquanto outras percebem mudanças nas bochechas, no pescoço ou no contorno facial. A qualidade da pele, a genética, a exposição solar e as características anatômicas influenciam esse processo.
O planejamento do facelift precisa considerar essas diferenças. Um resultado natural não significa necessariamente uma cirurgia pequena, mas uma intervenção proporcional às alterações existentes, sem modificar desnecessariamente os traços que caracterizam o paciente.
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Também é importante compreender que o lifting não paralisa o envelhecimento nem elimina todas as rugas. Seu principal objetivo é reposicionar tecidos e melhorar a flacidez. A textura da pele, as manchas e determinadas linhas superficiais podem exigir outros tratamentos.
O que mudou nas técnicas de lifting?
Uma das principais evoluções foi deixar de depender exclusivamente da tração da pele. As técnicas modernas permitem atuar sobre estruturas mais profundas, responsáveis por parte da sustentação facial.
Entre elas está o tratamento do sistema músculo-aponeurótico superficial, conhecido pela sigla SMAS. Essa camada de tecidos participa da sustentação da face e pode ser reposicionada por diferentes técnicas cirúrgicas, permitindo melhorar o contorno facial sem concentrar toda a tensão na pele.
Outra abordagem que ganhou visibilidade é o deep plane facelift, ou lifting em plano profundo. Nessa técnica, o cirurgião trabalha em um plano anatômico mais profundo, liberando determinadas estruturas de fixação para mobilizar os tecidos de maneira integrada.
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A proposta é corrigir o deslocamento dos tecidos associado ao envelhecimento, especialmente em regiões como as bochechas e o contorno da mandíbula. Entretanto, a popularidade do deep plane nas redes sociais não significa que seja a melhor opção para todos os pacientes.
As diferentes técnicas de SMAS e de planos profundos apresentam indicações, limitações e riscos próprios. A escolha depende da anatomia, do grau de flacidez, das condições clínicas e da experiência do cirurgião. As evidências disponíveis ainda não permitem afirmar que uma única abordagem ofereça os melhores resultados em todas as situações.
Quando os procedimentos sem cirurgia chegam ao limite
Preenchimentos, bioestimuladores de colágeno e tecnologias de retração da pele ampliaram as possibilidades de rejuvenescimento facial. São recursos úteis quando bem indicados, mas não produzem os mesmos efeitos de uma cirurgia.
O preenchimento pode restaurar volume em determinadas regiões, enquanto os bioestimuladores e equipamentos procuram melhorar características da pele e, em alguns casos, a flacidez leve. Nenhum deles, porém, consegue reposicionar tecidos muito deslocados com a mesma capacidade de um lifting cirúrgico.
É justamente nesse ponto que surgem resultados pouco naturais. Quando a flacidez é importante, insistir em aplicações sucessivas de preenchimento para tentar recuperar o contorno facial pode aumentar excessivamente o volume do rosto, sem corrigir a causa principal da alteração.
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Isso não significa que a cirurgia seja sempre preferível. Pacientes com sinais discretos de envelhecimento podem obter bons resultados com tratamentos menos invasivos. Já aqueles com flacidez acentuada podem se beneficiar de uma avaliação cirúrgica, desde que compreendam os riscos, a recuperação e as limitações do procedimento.
Naturalidade também depende de segurança
O facelift continua sendo uma cirurgia e exige planejamento cuidadoso. Hematomas, alterações de sensibilidade, problemas de cicatrização e lesões nervosas estão entre as possíveis complicações, embora sua frequência varie conforme a técnica e as características do paciente.
A recuperação também não é imediata. Inchaço e equimoses são esperados nas primeiras semanas, e o resultado continua se acomodando ao longo dos meses. A durabilidade depende de fatores individuais e do próprio processo de envelhecimento, que não deixa de acontecer após a operação.
A valorização da naturalidade representa uma mudança importante, mas não deve ser confundida com a promessa de uma cirurgia sem riscos ou com resultados idênticos para todos.
O melhor facelift não é aquele que transforma uma pessoa em outra. É o que consegue melhorar os sinais do envelhecimento respeitando a anatomia, as expressões e as características que tornam cada rosto reconhecível. Mais do que esticar a pele, o desafio da cirurgia moderna é compreender como o rosto envelheceu e decidir o que realmente precisa ser reposicionado.
** Fabio Naccache é cirurgião plástico do Hospital Sírio-Libanês Bela Vista e membro Brazil Health
Facelifts: cirurgia plástica busca resultados mais naturaisTécnicas modernas priorizam o reposicionamento dos tecidos faciais para suavizar os sinais do envelhecimentoSaúde2026-10-23T17:53:16.537ZDurante décadas, o lifting facial esteve associado à imagem de rostos excessivamente esticados, com expressões modificadas e uma aparência que denunciava a cirurgia. Hoje, o interesse por resultados mais naturais está mudando a maneira como pacientes e cirurgiões discutem o rejuvenescimento. A ideia não é necessariamente parecer vinte anos mais jovem, mas recuperar parte dos contornos perdidos com o envelhecimento sem deixar de reconhecer o próprio rosto.
🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Essa mudança acompanha uma compreensão mais detalhada da anatomia facial. O envelhecimento não acontece apenas na superfície da pele. Ele envolve alterações na gordura, nos ligamentos, nos músculos e nas estruturas ósseas, além da perda de elasticidade. Por isso, simplesmente puxar a pele para trás nem sempre produz um resultado harmonioso ou duradouro. Rejuvenescer sem perder a própria expressão O rosto envelhece de maneira diferente em cada pessoa. Algumas apresentam flacidez mais evidente na região da mandíbula, enquanto outras percebem mudanças nas bochechas, no pescoço ou no contorno facial. A qualidade da pele, a genética, a exposição solar e as características anatômicas influenciam esse processo. O planejamento do facelift precisa considerar essas diferenças. Um resultado natural não significa necessariamente uma cirurgia pequena, mas uma intervenção proporcional às alterações existentes, sem modificar desnecessariamente os traços que caracterizam o paciente.
+ Também é importante compreender que o lifting não paralisa o envelhecimento nem elimina todas as rugas. Seu principal objetivo é reposicionar tecidos e melhorar a flacidez. A textura da pele, as manchas e determinadas linhas superficiais podem exigir outros tratamentos. O que mudou nas técnicas de lifting? Uma das principais evoluções foi deixar de depender exclusivamente da tração da pele. As técnicas modernas permitem atuar sobre estruturas mais profundas, responsáveis por parte da sustentação facial. Entre elas está o tratamento do sistema músculo-aponeurótico superficial, conhecido pela sigla SMAS. Essa camada de tecidos participa da sustentação da face e pode ser reposicionada por diferentes técnicas cirúrgicas, permitindo melhorar o contorno facial sem concentrar toda a tensão na pele. Outra abordagem que ganhou visibilidade é o deep plane facelift, ou lifting em plano profundo. Nessa técnica, o cirurgião trabalha em um plano anatômico mais profundo, liberando determinadas estruturas de fixação para mobilizar os tecidos de maneira integrada.
+ A proposta é corrigir o deslocamento dos tecidos associado ao envelhecimento, especialmente em regiões como as bochechas e o contorno da mandíbula. Entretanto, a popularidade do deep plane nas redes sociais não significa que seja a melhor opção para todos os pacientes. As diferentes técnicas de SMAS e de planos profundos apresentam indicações, limitações e riscos próprios. A escolha depende da anatomia, do grau de flacidez, das condições clínicas e da experiência do cirurgião. As evidências disponíveis ainda não permitem afirmar que uma única abordagem ofereça os melhores resultados em todas as situações. Quando os procedimentos sem cirurgia chegam ao limite Preenchimentos, bioestimuladores de colágeno e tecnologias de retração da pele ampliaram as possibilidades de rejuvenescimento facial. São recursos úteis quando bem indicados, mas não produzem os mesmos efeitos de uma cirurgia. O preenchimento pode restaurar volume em determinadas regiões, enquanto os bioestimuladores e equipamentos procuram melhorar características da pele e, em alguns casos, a flacidez leve. Nenhum deles, porém, consegue reposicionar tecidos muito deslocados com a mesma capacidade de um lifting cirúrgico. É justamente nesse ponto que surgem resultados pouco naturais. Quando a flacidez é importante, insistir em aplicações sucessivas de preenchimento para tentar recuperar o contorno facial pode aumentar excessivamente o volume do rosto, sem corrigir a causa principal da alteração.
+ Isso não significa que a cirurgia seja sempre preferível. Pacientes com sinais discretos de envelhecimento podem obter bons resultados com tratamentos menos invasivos. Já aqueles com flacidez acentuada podem se beneficiar de uma avaliação cirúrgica, desde que compreendam os riscos, a recuperação e as limitações do procedimento. Naturalidade também depende de segurança O facelift continua sendo uma cirurgia e exige planejamento cuidadoso. Hematomas, alterações de sensibilidade, problemas de cicatrização e lesões nervosas estão entre as possíveis complicações, embora sua frequência varie conforme a técnica e as características do paciente. A recuperação também não é imediata. Inchaço e equimoses são esperados nas primeiras semanas, e o resultado continua se acomodando ao longo dos meses. A durabilidade depende de fatores individuais e do próprio processo de envelhecimento, que não deixa de acontecer após a operação. A valorização da naturalidade representa uma mudança importante, mas não deve ser confundida com a promessa de uma cirurgia sem riscos ou com resultados idênticos para todos. O melhor facelift não é aquele que transforma uma pessoa em outra. É o que consegue melhorar os sinais do envelhecimento respeitando a anatomia, as expressões e as características que tornam cada rosto reconhecível. Mais do que esticar a pele, o desafio da cirurgia moderna é compreender como o rosto envelheceu e decidir o que realmente precisa ser reposicionado.
** Fabio Naccache é cirurgião plástico do Hospital Sírio-Libanês Bela Vista e membro Brazil Health São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/facelifts-cirurgia-plastica-busca-resultados-mais-naturais