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Netanyahu quer ação militar em larga escala na Cisjordânia

Anúncio foi feito pelo primeiro-ministro de Israel após quatro pessoas morrerem em um tiroteio na cidade de Hebrom

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André de Sena, com informações da Reuters
Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu | Foto: Ronen Zvulun/Reuters - 15.06.2026

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu | Foto: Ronen Zvulun/Reuters - 15.06.2026

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse nesta sexta-feira (23) que vai lançar uma operação militar em larga escala na Cisjordânia, após dois soldados israelenses e dois suspeitos morrerem em um tiroteio na cidade de Hebrom, que já foi isolada.

"Agiremos para destruir este lugar, para transformá-lo completamente. Mas, para fazer algo inédito, implementaremos o modelo agressivo e bem-sucedido que utilizamos nos campos de refugiados, que são essencialmente redutos terroristas", disse Netanyahu ao visitar o local onde ocorreu o ataque, fazendo referência às demolições em massa que Israel realizou em campos de refugiados palestinos em 2025, expulsando dezenas de milhares de pessoas.

"Evacuaremos os moradores, iremos de casa em casa, confiscaremos as armas e toda a infraestrutura terrorista será neutralizada e destruída. Ao mesmo tempo, estamos isolando as cidades de Hebron e Halhul", acrescentou.

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O primeiro-ministro elogiou os colonos responsáveis pelos assentamentos na Cisjordânia, classificando-os como "heroicos" e "exemplos para o povo de Israel", e disse que considera expandir o modelo adotado em Hebrom para outras cidades.

A Organização das Nações Unidas considera os assentamentos israelenses ilegais. Em julho de 2024, a Corte Internacional de Justiça, principal órgão judicial da ONU, emitiu um parecer determinando que Israel encerre a ocupação e pague indenizações aos palestinos.

Eleições

O tiroteio ocorre a menos de uma semana das eleições legislativas de Israel, nas quais Netanyahu, que é filiado ao partido de direita Likud, vai tentar se reeleger. O primeiro-ministro fez uma ligação entre o processo eleitoral e o ataque dessa sexta-feira. “Alertamos há algumas semanas sobre as tentativas de nossos inimigos de nos prejudicar, a nós, nossos cidadãos e nossos soldados, antes das eleições. Foi isso que eles tentaram fazer aqui", disse.

O principal adversário de Netanyahu é o ex-general do Exército israelense Gadi Eisenkot, do partido centrista Yashar. Ele integrou o gabinete formado após os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, mas enunciou em junho de 2024, criticando o primeiro-ministro por não priorizar o resgate dos reféns.

Apesar de ser considerado mais moderado e se opor a uma anexação total da Cisjordânia, Eisenkot também é contrário à criação de um Estado palestino independente, defendendo que Israel mantenha o controle da segurança na região.

A votação está marcada para a terça-feira (27) da semana que vem.

Reação de Ben-Gvir

Assim como Netanyahu, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, visitou o local onde ocorreu o tiroteio em Hebrom. Ele pediu o desmantelamento da Autoridade Palestina, principal entidade administrativa e política da Cisjordânia, acusando-a de agir a favor do terrorismo.

Ele também defendeu que os palestinos sejam proibidos de circular livremente pelas estradas.

"Devemos impedir que eles [os palestinos] dirijam pelas estradas da Judeia e Samaria. As vidas dos moradores da Judeia e Samaria, de nossos cidadãos, nossos soldados, nossos policiais e nossos combatentes são milhões de vezes mais importantes do que a liberdade de ir e vir", afirmou.

Ben-Gvir é considerado o ministro mais extremista do governo Netanyahu, tanto dentro de Israel quanto pela comunidade internacional. Em agosto, ele defendeu publicamente o assassinato em massa de palestinos durante uma participação em um podcast apresentado por um ex-refém do Hamas.

"Acho que deveriam ser realizados assassinatos seletivos em Gaza, eliminando entre 30 e 40 pessoas a cada noite. Não apenas quem representa uma ameaça imediata; há pessoas lá que não merecem viver. Não deveriam viver. Nem sequer são pessoas", disse.

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