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Presidente eleito da Colômbia acusa Petro de tentar golpe

Abelardo de la Espriella acusa Petro e Iván Cepeda de desrespeitar o resultado das eleições e rompe transição com governo

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Caroline Vale
07/07/2026, 19:42 • Atualizado em 07/07/2026, 19:58
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Abelardo de la Espriella, presidente eleito da Colômbia, e Gustavo Petro, atual presidente. | Reprodução/X - Enea Lebrun/Reuters

Abelardo de la Espriella, presidente eleito da Colômbia, e Gustavo Petro, atual presidente. | Reprodução/X - Enea Lebrun/Reuters

O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, acusou o atual presidente, Gustavo Petro, e o senador Iván Cepeda de promoverem um "golpe de Estado" para permanecerem no poder após o resultado das eleições. A declaração ocorre após Petro afirmar que não reconhece a legitimidade da vitória de Espriella.

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Em vídeo publicado no X (antigo Twitter), nesta terça-feira (7), Espriella afirmou que "Petro é um tirano em formação que busca se perpetuar no poder" e declarou que "isso já não é uma análise ou uma opinião, é uma realidade concreta".

"Petro e Cepeda colocaram em prática o plano B para permanecer no poder a qualquer custo. E querem fazer isso por meio de um golpe de Estado. Nas últimas horas, esse plano avançou. Petro passou a atribuir a si competências que pertencem exclusivamente à autoridade eleitoral. Ele desconheceu a minha eleição, a minha credencial como presidente eleito e, com base em discursos vazios e fantasias, afirmou que não reconhece minha vitória e, de forma arbitrária, a atribui a Cepeda", declarou.

Em outro trecho, o presidente eleito pediu apoio das Forças Armadas e da comunidade internacional. Ele afirmou que "não é possível fazer a transição com um governo que desconhece a vitória do governo eleito" e anunciou a suspensão das reuniões presenciais da equipe de transição com o governo Petro.

"O processo legal de transição deve ser cumprido por meio dos mecanismos legais e tecnológicos existentes para reunir informações. Não podemos permanecer sentados à mesa com um grupo de golpistas e corruptos que não reconhece a vontade soberana do povo expressa nas urnas", completou.

Petro ainda não se manifestou sobre o pronunciamento de Espriella. O candidato de esquerda, Iván Cepeda, perdeu o segundo turno para Espriella na votação em junho.

Ainda no vídeo, o presidente eleito disse que não pretende recuar: "Petro e Cepeda não sabem com quem estão lidando quando se trata de defender a vontade popular, a ordem, as instituições e a Constituição. Serei implacável e firme. Essa narrativa de uma suposta fraude é apenas uma desculpa para incendiar o país."

Petro questiona resultado da eleição

As declarações foram feitas depois de Gustavo Petro publicar uma série de mensagens nas redes sociais questionando o resultado das eleições. O presidente afirmou que "quem venceu as eleições pelo voto popular foi Iván Cepeda" e alegou, sem apresentar provas públicas, que a vitória de Abelardo ocorreu por meio de "algoritmos da Califórnia", desenvolvidos por "empresas privadas de inteligência de Israel".

Petro disse que as provas serão entregues à Justiça da Colômbia e dos Estados Unidos e afirmou que "a resposta é resistência ativa e, quando o povo decidir, desobediência civil". Segundo ele, o objetivo é contestar judicialmente o resultado da eleição. O atual líder convocou manifestações para 20 de julho, quando é comemorada a Independência do país e ele fará seu último discurso público.

Ao mesmo tempo, o presidente colombiano negou qualquer intenção de permanecer no cargo após o fim do mandato. Em uma das publicações, escreveu: "Não farei isso porque o mandato popular que me foi concedido tem um fim e eu sou um democrata". Petro também afirmou que "reconheço o povo que votou em Abelardo" e disse respeitar os eleitores do presidente eleito.

Em resposta à decisão de De la Espriella de suspender a participação da equipe de transição, Petro afirmou que o processo de entrega do governo seguirá conforme previsto em lei. "Serão colocadas cadeiras vazias à espera de que aqueles que roubaram as eleições entendam o que é governar", acusou.

O embate marca uma escalada da crise institucional no país. Desde o resultado das eleições, Petro passou a sustentar que houve fraude na apuração eletrônica e afirma que recorrerá à Justiça para tentar anular o pleito. Já De la Espriella rejeita as acusações, afirma que sua vitória foi legítima e acusa o atual governo de tentar desrespeitar a vontade popular.

A posse do novo presidente está prevista para 7 de agosto, conforme determina a Constituição colombiana.

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