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Trump volta a defender controle da Groenlândia

Presidente americano afirma que território é estratégico para os EUA, critica a atuação da Dinamarca na ilha e volta a questionar a Otan

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Julia Delaosa
07/07/2026, 20:15 • Atualizado em 07/07/2026, 20:15
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O presidente dos EUA, Donald Trump | Flickr

O presidente dos EUA, Donald Trump | Flickr

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender nesta terça-feira (7) que a Groenlândia fique sob controle americano. O republicano alega que a posição estratégica da ilha é essencial para a segurança dos EUA. Apesar de reforçar essa defesa, ele admitiu que a proposta pode prejudicar a relação do país com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

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"Isso prejudicaria minha relação com a Otan", afirmou.

A declaração foi feita durante uma reunião bilateral realizada antes da cúpula da organização, em Ancara. Trump disse que a Dinamarca não investiu adequadamente na Groenlândia e argumentou que a localização do território ganha cada vez mais importância diante da expansão da presença da China e da Rússia na região do Ártico.

"A Groenlândia não ajuda a Dinamarca, a Dinamarca não gasta dinheiro para realmente ajudar a Groenlândia, mas ela é uma parte importante para os Estados Unidos e está cercada por navios chineses e russos— isso não vai acontecer", declarou.

Em seguida, ele reforçou que, em sua avaliação, a Groenlândia "deveria ser controlada pelos Estados Unidos, não pela Dinamarca".

Na segunda-feira (6), Trump também afirmou que a crescente divisão entre os Estados Unidos e a Otan começou quando passou a defender que Washington assumisse o controle da ilha.

"Tudo começou com, se vocês querem saber a verdade, a Groenlândia", disse durante uma coletiva de imprensa. "Nós queremos a Groenlândia. Eles não querem nos dar. E eu disse: 'adeus, adeus'."

As declarações ocorreram antes do encontro de Trump com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, durante a cúpula da aliança em Ancara.

Trump já havia se recusado a descartar uma ação militar para adquirir a Groenlândia. No entanto, durante o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, no início deste ano, passou a defender, em grande medida, um acordo-quadro de longo prazo para tratar da questão.

Mesmo assim, integrantes do governo americano continuam deixando em aberto a possibilidade de tomarem medidas mais agressivas.

Dinamarca reage às declarações de Trump

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou nesta segunda-feira (5) que um eventual ataque dos Estados Unidos contra um país integrante da Otan colocaria em risco a própria aliança militar.

"Se os Estados Unidos decidirem atacar militarmente outro país da Otan, então tudo para. Inclusive a nossa Otan e a segurança implementada desde o fim da Segunda Guerra Mundial", declarou Frederiksen à emissora TV2.

Trump aponta divergências com a Otan

Trump voltou ainda a criticar a Otan dizendo que diversos integrantes da aliança se recusaram a apoiar os Estados Unidos durante a guerra com o Irã, citando o fechamento de espaço aéreo e o impedimendo do uso de bases militares.

"A Otan é um tigre de papel", disse, ao minimizar a possibilidade de os Estados Unidos abrirem mão da liderança da organização. "Nós não precisávamos deles, obviamente, porque eles não ajudaram em nada."

Por que a Groenlândia é estratégica?

Vista de Nuuk, na Groenlândia | Foto: Mads Claus Rasmussen/Ritzau Scanpix via Reuters - 21.01.2026
Vista de Nuuk, na Groenlândia | Foto: Mads Claus Rasmussen/Ritzau Scanpix via Reuters - 21.01.2026

Habitada por povos inuítes há milhares de anos, a Groenlândia recebeu assentamentos vikings por volta do ano 985. A colonização dinamarquesa começou em 1721 e, em 1953, a ilha passou a integrar oficialmente o Reino da Dinamarca. Desde 2009, o território possui amplo autogoverno, mas a política externa e a defesa continuam sob responsabilidade da Dinamarca.

O interesse dos Estados Unidos pela Groenlândia está na localização estratégica da ilha, entre a Europa e a América do Norte, além de seus recursos minerais ainda inexplorados. Os EUA mantêm presença militar permanente na Base Aérea de Pituffik desde 1951 e consideram a região importante para o monitoramento das atividades da Rússia e da China no Ártico.

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