Condenada, Le Pen afirma que vai disputar eleições na França
Anúncio acontece poucas horas depois da Corte francesa reduzir pena de líder de extrema-direita e ordenar uso de tornozeleira eletrônica


Marine Le Pen - REUTERS/Benoit Tessier
A líder da extrema direita francesa Marine Le Pen anunciou nesta terça-feira (7) que disputará a eleição presidencial de 2027, após a Corte de Apelações da França reduzir o período de inelegibilidade imposto por sua condenação por desvio de recursos públicos. Apesar de permanecer condenada, ela afirmou que recorrerá da decisão para tentar suspender a obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica durante um ano.
"Esta noite sou candidata à eleição presidencial", declarou Le Pen à emissora TF1. Segundo ela, o recurso contra a sentença poderá suspender a aplicação da tornozeleira eletrônica, permitindo que faça campanha sem a medida.
Mais cedo, a Corte de Apelações abriu caminho para que Le Pen volte a disputar a Presidência. Ela havia sido declarada inelegível após ser condenada, em 2025, por desvio de verbas da União Europeia.
Le Pen recorreu da condenação aplicada pelo tribunal de primeira instância. A decisão desta terça-feira manteve a pena de três anos de prisão, dos quais dois foram suspensos e um será cumprido em regime aberto, com uso de tornozeleira eletrônica. As condições para o cumprimento da pena, como horários de circulação e outras restrições, ainda serão definidas.
A Corte também reduziu a pena de inelegibilidade para 45 meses, dos quais 30 foram suspensos. Como Le Pen já cumpriu a maior parte dos 15 meses restantes desde a condenação, poderá concorrer às eleições presidenciais marcadas para abril de 2027. Na prática, ela permaneceu inelegível por 15 meses. O período teve início em 31 de março de 2025, logo após a sentença original, e já foi cumprido.
Le Pen e outros 24 integrantes do partido Reunião Nacional foram acusados de utilizar mais de 4 milhões de euros destinados à contratação de assessores parlamentares da União Europeia para remunerar funcionários que trabalharam para a legenda entre 2004 e 2016, em desacordo com as regras do bloco.
Além da inelegibilidade, Le Pen foi condenada ao pagamento de uma multa de 100 mil euros. À época da sentença, ela classificou a decisão como "política" e afirmou que o objetivo era impedi-la de disputar a Presidência.
Le Pen liderava as pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial de 2027. Ela foi candidata ao Palácio do Eliseu em 2017 e 2022, mas acabou derrotada pelo presidente Emmanuel Macron.
Questionado sobre a decisão judicial durante visita a Damasco, Macron evitou comentar o caso. "O presidente da República não comenta decisões judiciais", afirmou.














