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Petro volta a acusar fraude nas eleições colombianas

Presidente colombiano aponta supostas inconsistências no sistema eleitoral; autoridades e observadores não identificam indícios de fraude

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Duda Ventura
02/06/2026, 16:17 • Atualizado em 02/06/2026, 16:17
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Gustavo Petro

Gustavo Petro

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, voltou a questionar os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo (31), que colocam seu aliado político, Iván Cepeda, quase três pontos percentuais atrás do candidato de ultra direita Abelardo de la Espriella. Em publicação na rede social X, o presidente afirmou ter identificado o que classificou como "provas concretas de possível fraude".

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De acordo com Petro, o software Divipol, utilizado no processo eleitoral, teria sido alterado em dois dados. O primeiro deles seria o número oficial de eleitores, que, segundo o presidente, passou de 41.421.973 para 42.307.373 poucos dias antes da votação. "A diferença é de 885.409 novos registros de eleitores que não foram feitos dentro do prazo legal", escreveu.

Petro também questionou a quantidade de seções eleitorais registradas no sistema. De acordo com o presidente, o número correto seria 120.527, mas o software contabiliza 122.020 seções. Para o mandatário, essas discrepâncias favoreceram Abelardo de la Espriella e prejudicaram Cepeda. "É nessas seções eleitorais que se encontra a vantagem de 635 mil votos de Abelardo", afirmou.

Com 100% das urnas preliminarmente apuradas, De la Espriella obteve 43,7% dos votos, enquanto Cepeda registrou 40,9%. Os dois disputarão o segundo turno da eleição, marcado para 21 de junho.

No domingo, Cepeda também tinha colocado em dúvida os resultados preliminares. Horas depois, no entanto, o candidato reconheceu os números divulgados pelas autoridades eleitorais e admitiu a liderança do opositor.

Em resposta às acusações, De la Espriella elevou o tom contra o presidente. "Gustavo Petro, não se atreva a desconsiderar os resultados das eleições, porque o povo se levantará e o punirá", declarou. O candidato também afirmou que pretende "defender a democracia pela razão ou pela força".

As tensões entre Petro e empresas ligadas à organização eleitoral não são recentes. Em 2023, uma licitação foi suspensa após acusações de direcionamento em favor da Thomas Greg & Sons, empresa que atua em processos relacionados à contagem de votos no país.

Nesta terça-feira (1º), o Registro Nacional da Colômbia informou que a apuração oficial estava 99,98% concluída e não apresentava indícios de fraude. "Restam apenas 33 seções eleitorais para serem apuradas, das mais de 122 mil instaladas para estas eleições, devido às condições climáticas que impediram o transporte do material eleitoral para algumas capitais municipais", informou o órgão.

A autoridade eleitoral acrescentou que os resultados oficiais apresentam 99,94% de coincidência com a apuração preliminar divulgada no domingo. Segundo o comunicado, as divergências encontradas foram mínimas e o processo de consolidação e divulgação dos resultados ocorreu de forma satisfatória. A Procuradoria-Geral da Colômbia também negou as acusações de fraude.

A Missão de Observação Eleitoral da Colômbia também não apontou indícios de irregularidades em larga escala em seu relatório sobre a votação. Já a diretora para as Américas da Human Rights Watch, Juanita Goebertus, defendeu a preservação do que classificou como um "sistema eleitoral independente e confiável" no país.

Acusações contra o Equador

O Equador também foi alvo do imbróglio eleitoral do presidente colombiano. No sábado (30), Gustavo Petro acusou o governo de Daniel Noboa de tentar interferir na disputa presidencial ao apresentar, como uma decisão voluntária, a eliminação de tarifas sobre produtos colombianos.

A medida tinha sido determinada pela Comunidade Andina das Nações (CAN), bloco regional formado por Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.

Em publicação na rede social X, Noboa afirmou que a decisão foi tomada após confirmar a disposição do candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella de promover uma "luta real e conjunta contra o narcoterrorismo". Noboa também declarou que o candidato colombiano concordou em facilitar a entrega às autoridades equatorianas de criminosos do país em território colombiano.

O anúncio do fim das tarifas ocorreu durante uma videochamada entre Noboa e De la Espriella, realizada às vésperas da eleição. "A partir de 1º de junho, a taxa de segurança estará suspensa e passará a ser de zero por cento", afirmou o presidente equatoriano, na sexta-feira (29).

Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia classificou a iniciativa como uma tentativa de influenciar o processo eleitoral e criticou a forma como a medida foi apresentada.

"A Colômbia manifesta seu categórico repúdio à enganosa apresentação da decisão de revogar as tarifas como uma medida de boa vontade do governante equatoriano, quando ela responde às ordens da CAN", afirmou a chancelaria.

O governo colombiano também acusou Noboa de violar princípios básicos das relações internacionais. "Essa intromissão de um mandatário estrangeiro no curso democrático de outro Estado constitui uma flagrante violação do princípio de não intervenção nos assuntos internos, uma ameaça à soberania nacional e um atentado ao sistema democrático", acrescentou em comunicado.

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