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O que é o sistema Oreshnik, míssil com capacidade nuclear que Rússia afirma ter usado contra Ucrânia

A arma, considerada experimental por especialistas ocidentais, havia sido usada apenas uma vez antes, em 2024

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Jaime Lima, com informações da Reuters
09/01/2026, 11:28 • Atualizado em 09/01/2026, 17:44
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A Rússia afirmou ter disparado um míssil balístico hipersônico Oreshnik contra a Ucrânia nesta sexta-feira (9), reacendendo alertas sobre uma possível escalada do conflito. A arma, considerada experimental por especialistas ocidentais, havia sido usada apenas uma vez antes, em 2024, e agora pode ter sido empregada com ogiva explosiva real pela primeira vez, segundo autoridades ucranianas.

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O Oreshnik, palavra russa que significa Avelã, é um míssil balístico hipersônico de alcance intermediário, desenvolvido a partir do projeto do míssil (ICBM) intercontinental RS-26 Rubezh. Ele foi lançado pela primeira vez contra a Ucrânia em novembro de 2024, quando estava equipado apenas com ogivas simuladas e causou danos limitados, de acordo com Kiev.

Caso o ataque mais recente tenha utilizado ogivas explosivas, esta será a primeira vez que a Rússia emprega o Oreshnik com finalidade destrutiva.

Segundo especialistas, o principal diferencial do Oreshnik é a capacidade de transportar múltiplas ogivas, que podem atingir diferentes alvos quase simultaneamente, uma característica normalmente associada a mísseis intercontinentais. Assim como outros sistemas russos, o míssil pode levar tanto ogivas convencionais quanto nucleares, embora não haja indícios de uso nuclear no ataque mais recente.

Autoridades ucranianas afirmam que, no disparo realizado em 2024, o míssil levou cerca de 15 minutos para atingir o alvo após ser lançado do sul da Rússia e alcançou uma velocidade aproximada de 13.600 km/h. O presidente russo, Vladimir Putin, declarou que o Oreshnik seria impossível de interceptar e teria poder destrutivo comparável ao de uma arma nuclear, mesmo com ogiva convencional.

Essas declarações, no entanto, são contestadas por analistas ocidentais. Em dezembro de 2024, um oficial dos Estados Unidos afirmou que o míssil não representava uma mudança decisiva no campo de batalha, classificando-o como experimental e indicando que a Rússia possuía poucas unidades disponíveis. Desde então, Moscou anunciou o início da produção em série do Oreshnik e o fornecimento do armamento ao aliado Belarus.

De acordo com as Forças Armadas russas, o uso do míssil agora teria sido uma resposta a uma suposta tentativa de ataque com drone ucraniano contra uma residência de Putin na região de Novgorod, no norte da Rússia, no fim do ano passado. A Ucrânia nega a acusação e afirma que o ataque nunca ocorreu.

O alvo do disparo mais recente foi a região de Lviv, no oeste da Ucrânia, próxima à fronteira com a Polônia, país membro da Otan. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia classificou o ataque como uma "ameaça global" e defendeu uma resposta internacional coordenada.

A nova ofensiva acontece em meio a esforços diplomáticos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tentar convencer Rússia e Ucrânia a aceitarem um acordo de paz e encerrar a guerra iniciada com a invasão russa em fevereiro de 2022.

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