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Macron determina envio de porta-aviões nuclear ao Mediterrâneo em meio à conflito no Irã

Presidente francês afirmou que medida visa garantir segurança de bases militares no Oriente Médio

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Emmanuel Macron, presidente da França | Reprodução/YouTube

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou na terça-feira (3) o envio de reforços militares ao Oriente Médio devido à escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Entre as medidas está o deslocamento do porta-aviões de propulsão nuclear Charles de Gaulle.

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Segundo Macron, o porta-aviões, capaz de transportar até 40 aeronaves de guerra, será enviado para o Mediterrâneo oriental, juntamente da fragata Languedoc e de sistemas de defesa antiaérea. A decisão foi tomada após uma base do Reino Unido ser atacada por drones iranianos no Chipre.

“Estamos garantindo uma coordenação próxima com nossos aliados, nossos parceiros europeus, para que esse esforço no Mediterrâneo Oriental seja consolidado pelas nações dispostas. Diante das incertezas dos próximos dias, dei ordens para que o porta-aviões Charles-de-Gaulle seja enviado ao Mediterrâneo", disse o presidente francês.

O anúncio aconteceu um dia após Macron confirmar a expansão do arsenal nuclear da França. Discursando em uma base da Marinha, onde estão localizadas quatro submarinos nucleares, o presidente afirmou que o movimento é uma resposta à evolução das defesas de adversários, à capacidade de coordenação dos inimigos e ao crescimento de poderes regionais.

"Tudo isso, depois de uma observação meticulosa, me levou a uma conclusão: um aprimoramento do nosso arsenal é indispensável. Para ser livre, é preciso ser temido. E, para ser temido, é preciso ser poderoso. O aumento no nosso arsenal atesta isso", disse o líder.

“Irã tem responsabilidade primária”

Ao comentar sobre a situação no Oriente Médio, Macron disse que o Irã tem “responsabilidade primária” no conflito, por “desenvolver um programa nuclear perigoso e capacidades balísticas sem precedentes, além de financiar grupos terroristas”. O mandatário, contudo, classificou os ataques dos Estados Unidos e Israel “fora dos limites do direito internacional”.

"Com a Alemanha e o Reino Unido, deixamos claro que a pausa dos ataques o mais rápido possível é desejável e que a paz duradoura na região só será alcançada com a retomada das negociações diplomáticas", disse Macron. “Também quero expressar o desejo do povo iraniano de que ele mesmo possa decidir livremente seu próprio destino”, acrescentou.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (28). O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Na última semana, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

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