Lula exige libertação imediata de Thiago Ávila, ativista brasileiro detido por Israel
Presidente chamou detenção do brasileiro que tentava chegar à Faixa de Gaza de "afronta ao direito internacional"


Giovanna Colossi
O presidente Lula chamou de injustificável a prorrogação da detenção do brasileiro Thiago Ávila pelo governo de Israel. O ativista foi preso na última quinta-feira (30), a bordo de uma das embarcações da flotilha Samud, interceptadas por forças israelenses em águas internacionais, nas proximidades da Grécia, ao tentar romper o cerco à Faixa de Gaza.
Após a abordagem, passageiros e tripulantes foram levados à ilha de Creta, mas Thiago Ávila e um outro tripulante, um cidadão espanhol, Saif Abukeshek, não foram liberados. Eles tiveram a prisão prorrogada até 10 de maio.
Em mensagem no X nesta terça-feira (5), Lula afirmou que a decisão causa "grande preocupação" e exigiu a libertação imediata de Thiago e Saif. O presidente também voltou a condenar a detenção dos ativistas em águas internacionais, chamando a ação de "afronta ao direito internacional."
Em nota conjunta, no último sábado (2), os governos do Brasil e da Espanha já haviam classificado a detenção como um sequestro realizado fora da jurisdição israelense, o que, segundo os governos, pode ser acionado em cortes internacionais e também configura delito nas legislações dos dois países.
Na mesma nota, governos cobraram o retorno imediato dos cidadãos, com garantias de segurança, além de acesso consular para assistência e proteção.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel chamou, na quinta-feira, os organizadores da flotilha de "provocadores profissionais" e disse que suas forças agiram legalmente. A Embaixada de Israel em Brasília classificou a ação da flotilha que seguia para Gaza de "provocativa", e afirmou que não vai permitir que o bloqueio naval seja furado.
Sumud Flotilha
Essa não é a primeira tentativa de ativistas de furar o cerco de Israel à Faixa de Gaza. Em outubro de 2025, militares israelenses também interceptaram embarcações da mesma organização, prendendo a ativista sueca Greta Thunberg e mais de 450 participantes, que tentavam levar ajuda humanitária ao território palestino devastado pela guerra.
Israel, que controla todo o acesso à Faixa de Gaza, nega a retenção de suprimentos para seus 2 milhões de habitantes.
No entanto, os palestinos e os órgãos de ajuda internacional afirmam que os suprimentos que chegam ao território ainda são insuficientes, apesar de um cessar-fogo alcançado em outubro que incluía garantias de aumento da ajuda.









