Justiça

Presidente do TST se explica sobre fala de "ministros azuis e vermelhos"

Em meio à repercussão, Vieira de Mello Filho afirma que declaração foi tirada de contexto e nega viés político no Judiciário trabalhista

• Atualizado em

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Vieira de Mello Filho, afirmou nesta segunda-feira (4), durante sessão da Corte, que sua declaração sobre “ministros azuis e vermelhos” foi tirada de contexto e não teve conotação político-partidária. A fala ocorreu em 1º de maio, durante o 22º Congresso Nacional da Magistratura do Trabalho, e repercutiu nas redes sociais.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover
“Não tem juiz azul nem vermelho. Eu sou do tempo em que todos nós, com os nossos diferentes pensamentos, trabalhávamos pela defesa e fortalecimento e o crescimento da Justiça do Trabalho. E eu diria que não tem azul ou vermelho, tem quem tem interesse e quem tem causa. Nós, vermelhos, temos causa, não temos interesse. E que fique bem claro isso, para quem fica divulgando isso aqui no país", afirmou o presidente.

Presidente se explicou

Ao abrir a sessão do Órgão Especial nesta segunda-feira (4), o presidente do TST afirmou que a declaração teve caráter institucional e foi tirada de contexto. Segundo ele, a referência às cores retomava uma classificação já utilizada pelo ministro Ives Gandra para descrever diferentes correntes no tribunal. A fala de Ives Gandra ocorreu durante um curso voltado à advocacia na Corte, no qual mencionou correntes "liberais e "intervencionistas".

O ministro acrescentou que a manifestação, feita durante o Conamat, teve como objetivo defender a Justiça do Trabalho diante de críticas externas. Ele também contestou acusações de ativismo e afirmou que sua trajetória é marcada por técnica, transparência e compromisso com a instituição.

"Ninguém tem direito de me julgar se eu sou ativista ou não sou ativista. Ninguém. E é por isso que eu me manifesto expressamente para que toda a população saiba. Não sou um juiz parcial, não. Eu tenho 40 anos quase de história como magistrado", disse.

Resposta de Ives Gandra

Durante a sessão, o ministro Ives Gandra se manifestou. Ele afirmou que a divisão mencionada é descritiva e reflete correntes legítimas dentro do tribunal, defendendo que as divergências são naturais e contribuem para a construção da jurisprudência.

O ministro destacou ainda que há diferentes correntes de pensamento na Corte quanto à interpretação do Direito do Trabalho, com perfis mais “liberais” ou “intervencionistas”, “protecionistas” ou “menos protecionistas”, além de tendências mais “ativistas” ou “legalistas”.

Disse também que foi alertado quanto ao uso da metáfora das cores e que deixou de utilizá-la. Ressaltou, porém, que as divergências internas são uma realidade da Corte e contribuem para a construção da jurisprudência.

Últimas Notícias