Economia

Ibovespa volta aos 186 mil pontos e dólar cai para menor valor em mais de 2 anos

Dólar recuou com força frente ao real e encerrou o dia cotado a R$ 4,912

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Ibovespa volta aos 186 mil pontos e dólar cai para menor valor em mais de 2 anos | Germano Lüders/Exame

Depois de recuar quase 1% na véspera, o Ibovespa voltou a avançar nesta terça-feira, 5, e encerrou a sessão com alta de 0,62%, aos 186.753 pontos. Já o dólar recuou com força frente ao real, ao cair 1,12%, cotado a R$ 4,912 — o menor valor em mais de dois anos, desde 15 de janeiro de 2024, quando a moeda americana fechou a R$ 4,8628.

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O movimento positivo da bolsa brasileira ocorre em meio à queda dos preços do petróleo no mercado internacional, fator que pressiona ações de petroleiras, mas, por outro lado, favorece papéis mais ligados à economia doméstica. Nesse cenário, ações sensíveis ao consumo ganharam tração, como as da C&A (CEAB3), que subiram mais de 2% às vésperas da divulgação de resultados.

Entre os destaques corporativos, a Ambev (ABEV3) chamou atenção após divulgar resultados acima das expectativas do mercado. As ações lideraram os ganhos do índice, com alta superior a 15% no dia.

Na ponta negativa, os papéis da Petrobras figuraram entre as maiores quedas, acompanhando o recuo do petróleo no exterior. As ações ordinárias (PETR3) e preferenciais (PETR4) caíram mais de 1%.

Os contratos futuros de petróleo caíram de forma expressiva nesta terça-feira, reagindo à sinalização de manutenção do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, apesar de incidentes recentes no Golfo. Declarações de autoridades americanas indicaram que os episódios não atingiram o nível necessário para uma escalada militar mais ampla, o que reduziu os temores de uma guerra em grande escala na região.

Nesse contexto, o Brent para julho recuou 3,99%, a US$ 109,87 por barril, enquanto o WTI para junho caiu 3,90%, a US$ 102,27.

No cenário doméstico, investidores também repercutiram a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada pela manhã. O documento manteve um tom cauteloso e indicou que o ciclo de cortes da Selic seguirá dependente dos dados.

Na avaliação de Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, a ata reforçou preocupações com os impactos do choque do petróleo, ligado ao conflito no Irã, sobre as expectativas de inflação, que seguem acima da meta em todos os horizontes.

"Em meio a uma incerteza elevada, o tom foi de cautela, e a manutenção de uma política monetária restritiva por mais tempo foi reforçada. De maneira geral, o tom foi mais duro que o comunicado lançado na data da decisão de corte", afirmou Zogbi.

Dólar em queda e fluxo para o Brasil

A queda do dólar reflete um conjunto de fatores favoráveis ao real. Segundo Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, a valorização da moeda brasileira está ligada à combinação de diferencial de juros elevado, fluxo positivo para mercados emergentes e uma matriz energética relativamente mais favorável em comparação a outras economias.

Yamashita destaca que, apesar do alívio recente no câmbio, com o real acumulando valorização relevante, o investidor deve manter foco no longo prazo e na diversificação. Em 12 meses, por exemplo, ativos em dólar como o S&P 500 tiveram desempenho expressivo, o que reforça a importância de balancear exposição cambial e buscar um "dólar médio" ao longo do tempo.

Na leitura de Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos, o movimento combinado de alta da bolsa e queda do dólar indica entrada consistente de recursos no país. Segundo o operador, esse fluxo já vinha sendo observado via renda fixa e balança comercial, e agora também aparece com mais força na bolsa.

O pano de fundo inclui uma Selic ainda elevada, em 14,50% ao ano, mas com perspectiva de queda.

"Estamos em um momento de formação de caixa na renda fixa. A Selic ainda está em 14,50%, mas já com trajetória de queda. Por isso, parte dos investidores, especialmente os institucionais, está se posicionando para aproveitar essa janela final de juros elevados", afirmou Teles.

Bolsas de NY renovam recordes

A aversão ao risco também levou as bolsas de Nova York a fecharem no campo positivo. Os índices Nasdaq e S&P 500 renovaram seus recordes nesta terça, embalados pelo alívio nos preços do petróleo. A temporada de balanços também contribuiu para o bom humor dos mercados.

O Dow Jones avançou 0,73%, aos 49.298 pontos. Já o S&P 500 subiu 0,81%, aos 7.259 pontos, enquanto o Nasdaq teve alta de 1,03%, encerrando aos 25.326 pontos.

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