Técnica de enfermagem diz estar com medo e que tapa de Magno Malta foi “muito forte”
Profissional fez relato ao SBT News; ela registrou BO contra o senador, que nega acusação


Kenzô Machida
Ighor Nóbrega
A técnica de enfermagem que acusou o senador Magno Malta (PL-ES) de agressão no Hospital DF Star, em Brasília, disse ao SBT News que o parlamentar deu um tapa “muito forte” no seu rosto e que ela teve medo de voltar a trabalhar e reencontrá-lo no local.
O político estava internado e recebeu alta no domingo (3). Ele nega e diz ter sido vítima de erro médico.
Em mensagens enviadas com exclusividade ao SBT News, a profissional reafirma que sofreu um tapa no rosto do senador após ele se irritar com o procedimento da equipe médica.
Ela declarou que o tapa deixou seu rosto dolorido, mas que ela estava usando óculos no momento, o que pode ter ajudado a minimizar o impacto.
“O tapa dele foi muito forte. Ele é uma pessoa que está internada lá no hospital. Se ele precisar descer para fazer o exame, como a gente está com quadro reduzido, eu vou estar presente lá. Eu estou com medo de ir trabalhar. Eu trabalho com qualquer outro paciente, mas com ele eu não quero mais atendê-lo. Tá dolorido onde ele bateu, onde meus óculos bateram em mim. Porque talvez só não ficou mais hematoma porque eu estava de óculos”, disse a funcionária do hospital antes da alta do senador.
O desentendimento entre Magno Malta e a equipe do hospital se deu quando ele era transferido para outro andar para a realização de uma angiotomografia, exame para visualizar veias e artérias.
Ele é feito com a aplicação do contraste, que é injetado nos vasos sanguíneos para auxiliar na visualização. Neste momento, a bomba detectou uma pressão anormal e parou a injeção do contraste.
A técnica de enfermagem relata que houve o extravasamento do líquido, quando ele vaza para outros tecidos. Ela identificou a necessidade de fazer uma compressa para conter o vazamento. Foi quando a profissional se aproximou para realizar o procedimento que o senador teria a agredido com um tapa no rosto.
“Nisso tudo ele já começou a ficar exaltado. Ele foi se levantando do tomógrafo. Aí quando eu me aproximei dele, ele deu o primeiro tapa na minha cara, que foi só um tapa mesmo”, disse.
"Ele desceu o tapa na minha cara e a perninha dos óculos está torta. E nesse tapa que eu levei, eu saí da sala, eu não consegui mais fazer o resto. Porque eu não apanho em casa, entendeu? Eu nunca apanhei na minha casa. Para eu apanhar de um homem que não me conhece…”, declarou.
Ao SBT News, ela afirmou que deixou o local logo após a agressão e não concluiu o procedimento. Declarou ainda que o parlamentar negou o atendimento posterior prestado por um médico e outro enfermeiro do setor.
Na avaliação da profissional de saúde, Malta pode até alegar que houve um erro médico, mas ela discorda e disse que isso só poderia ser comprovado a partir de uma perícia.
Segundo a técnica de enfermagem, o acesso utilizado para a injeção do contraste foi realizado em outro setor e estava funcionando normalmente.
“Eu não tenho vontade nem ânimo nenhum para ir para um ambiente de trabalho e dar de cara com aquele sujeito. Nenhuma vontade. É muito difícil lidar com um tapa de uma agressão que eu nunca nem sofri dentro de casa. Lá dentro de casa tem um homem, são dois, não é um, são dois. E eles nunca bateram na minha cara igual esse indivíduo fez”, afirmou a profissional.
“No momento, eu não tive reação e a única coisa que eu senti era que eu era um saco de lixo onde todo mundo passava e fazia de conta que não me conhecia ou que eu era um saco podre”, completou.
Procurada, a assessoria do senador Magno Malta disse que ele irá se pronunciar sobre o caso no Senado hoje (5) à tarde.
Relembre o caso
Uma técnica de enfermagem registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) em que narra ter levado um tapa na cara e ter sido chamada de "imunda" pelo senador Magno Malta (PL-ES).
A situação ocorreu na noite de quinta-feira (30), dia em que Malta deu entrada no centro médico após sofrer um mal súbito durante sessão do Congresso Nacional.
Procurado pelo SBT News, o senador disse que reclamou dos procedimentos médicos e encaminhou imagens do braço inchado e do momento em que ele reclama para supervisores do hospital.
"Causa estranheza que a profissional envolvida tenha buscado registrar versão própria dos fatos, em evidente atitude defensiva diante da possibilidade de responsabilização pelo grave ocorrido", afirmou.
No sábado (2), a assessoria do parlamentar afirmou que ele também registrou ocorrência na Polícia Civil, pedindo uma apuração criminal completa do caso.
No boletim, Magno Malta solicita que sejam preservadas imagens das câmeras de segurança do hospital, "especialmente da sala de exame e áreas adjacentes".
O parlamentar também pediu acesso ao prontuário médico, documentos clínicos pertinentes e realização de exame de corpo de delito, com objetivo de "comprovar a existência de hematoma, extravasamento de contraste e demais sinais clínicos relacionados ao episódio".
Polícia e hospital
Em nota, a polícia disse que "a vítima relata que, durante atendimento como técnica de enfermagem, o paciente se levantou e desferiu um tapa em seu rosto. Relata ainda ter sido alvo de ofensas verbais."
Em nota, o hospital informou "que iniciou uma apuração administrativa sobre o fato ocorrido na noite de quinta-feira e que vem dando todo o suporte à colaboradora que relatou ter sido vítima de agressão. A unidade também reitera que está à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários às autoridades envolvidas na investigação do episódio."
Nota do senador enviada no sábado (2)
Veja nota de Magno Malta:
"É grave e injustificável a tentativa de impor condenação pública ao senador Magno Malta sem qualquer apuração dos fatos. O que vem sendo divulgado de forma apressada omite circunstâncias essenciais e distorce completamente a realidade do ocorrido.
O parlamentar encontra-se internado no Hospital DF Star, desde após sofrer mal súbito, permanecendo sob investigação médica para causas neurológicas e cardiovasculares. Durante a realização de um exame, houve intercorrência técnica na administração de contraste venoso, com extravasamento da medicação, ocasionando intensa dor, hematoma e necessidade de atendimento imediato.
Debilitado, medicado e submetido a forte sofrimento físico, Malta reagiu ao quadro doloroso vivido naquele momento, e não contra qualquer profissional de saúde. Tentar transformar um paciente fragilizado em agressor, ignorando a falha assistencial que deu origem à ocorrência, é inversão inaceitável dos fatos.
Também causa estranheza que versões unilaterais tenham sido levadas ao espaço público antes da devida apuração interna, numa evidente tentativa de antecipar narrativas e transferir responsabilidades.
Todos os fatos foram comunicados à direção do hospital no mesmo instante e estão devidamente registrados. As medidas jurídicas cabíveis, nas esferas cível, criminal e administrativa, já estão sendo adotadas para a completa elucidação do caso e responsabilização de eventuais abusos, omissões e falsas imputações.
O senador segue internado, em recuperação, confiante de que a verdade prevalecerá sobre versões precipitadas e interesses circunstanciais."









