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Irã responde EUA e ataca bases militares no Golfo Pérsico

Mísseis foram reportados no Bahrein e no Kuwait; Jordânia também relatou ter interceptado os projéteis

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Camila Stucaluc
10/06/2026, 06:35 • Atualizado em 10/06/2026, 06:35
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Bandeira do Irã | Pexels

Bandeira do Irã | Pexels

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A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) lançou, nesta quarta-feira (10), novos ataques contra bases militares dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. A ofensiva ocorreu em retaliação aos bombardeios norte-americanos nas proximidades do Estreito de Ormuz, na noite anterior.

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Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, foram atacadas defesas aéreas iranianas, estações de controle terrestre e radares de vigilância perto do estreito, em resposta à derrubada de um helicóptero militar. Em retaliação, as tropas iranianas lançaram mísseis contra bases militares no Bahrein e no Kuwait.

A Jordânia, que não faz parte do Golfo, também relatou ter interceptado mísseis iranianos contra a base aérea de Muwaffaq Salti, que abrigava forças norte-americanas. Ao todo, foram abatidos cinco projéteis, que, segundo a mídia iraniana, tinham como alvo hangares de caças F-35 e um centro de comando de controle.

Os ataques representam uma das maiores trocas de hostilidades desde que Estados Unidos e Irã concordaram com um cessar-fogo, em abril, para avançar nas negociações de paz. No domingo (7), Teerã também trocou fogo com Israel, em retaliação à ofensiva de Tel Aviv contra o Hezbollah – grupo apoiado pelo regime –, no sul do Líbano.

O cenário aumenta a tensão entre os países, prejudicando o diálogo. Pelas redes sociais, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqae, disse que o país prefere “a linguagem da diplomacia”, mas que “sabe falar outros idiomas também”. “Nossas Forças Armadas Poderosas não deixarão nenhum ataque ou ameaça sem resposta”, frisou.

Entenda

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.

No começo de abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo, visando incentivar a retomada das negociações diplomáticas. O mesmo ocorreu entre Israel e Líbano. A violação constante das tréguas, no entanto, dificulta o diálogo entre os países.

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